É tempo de por mãos à obra.

2016 é um ano marcante para o CDS/PP Madeira, pois dita o “adeus” de dois dos líderes históricos do partido nas últimas duas décadas. Falo claro de José Manuel Rodrigues na Madeira e de Paulo Portas a nível nacional. Cada um, à sua maneira, foi fundamental para aquilo que hoje é a realidade do partido e determinante para a importância que o mesmo tem para os Portugueses. Mas hoje falarei da realidade regional.

José Manuel RodriguesJosé Manuel Rodrigues assumiu o partido em 1997, numa altura em que o partido valia cerca de 7% das opções de voto nas Regionais de 1996. Sucedendo a outro histórico, Ricardo Vieira, José Manuel Rodrigues abriu o partido à população (à “sociedade civil” como o próprio gosta de dizer), aproximou-o das “gentes da terra” e, perante o consequente desgaste do PSD na Madeira, vai ganhando espaço e eleitorado. O melhor resultado surgiu em 2011, quando o CDS/PP destronou o PS na posição que este mantinha desde 1976 como a segunda força partidária mais votada na Madeira. Conseguiu 25.975 votantes, 17,63 por cento dos votos e nove mandatos na Assembleia Legislativa Regional (ALRAM). Um salto desde as eleições anteriores, e mais do triplo da percentagem obtida em 2007. Desde então o CDS/PP mantém-se como a segunda principal força política na Madeira, razão verificada nas Regionais de Março de 2015 que, perante um conjetura nacional complicada para o espetro da direita em geral, alcançou os 13% dos votos populares (cerca de 17 mil votos) e sete mandatos à ALRAM. Também durante este período o número de militantes na Madeira cresceu: em 2004 registava perto de 820 militantes. Hoje este número ronda os 2.400, destacando-se sobretudo os novos e jovens quadros do partido. Este crescimento verificou-se igualmente na Juventude Popular da Madeira (que tive o orgulho de presidir entre 2012 e 2015), com a entrada de novos militantes e criação de novas concelhias. Tudo isto é reflexo da liderança de José Manuel Rodrigues.

A sua saída, como a saída de Paulo Portas, se inevitável por força do tempo e do cansaço natural dos próprios, abre inevitavelmente a discussão sobre o futuro do partido. Sobre o tipo de liderança, sobre os projetos, sobre que rumo deverá tomar o partido e, sobretudo, o que pretendem os cidadãos deste. Na Madeira, não sem alguma convulsão perfeitamente desnecessária (mas se calhar natural), os militantes já tomaram a sua opção, elegendo António Lopes da Fonseca. Tem a missão (ingrata) de tentar calçar os enormes e pesados sapatos deixados vagos por José Manuel Rodrigues, e preparar o partido para as importantes lutas eleitorais (as Autárquicas já em 2017), bem como manter o combate político ao “renovado” PSD na Madeira, na obrigação que lhe é dada pelo título de líder da oposição. É tempo de por mãos à obra.

Publicado por: Luisa Henriques Gouveia

Natural de São Pedro, Funchal, é mestre em Psicologia pelo ISPA - Instituto Superior de Psicologia Aplicada. É membro efectivo da Ordem dos Psicólogos Portugueses e psicóloga de profissão. Também exerceu funções no Centro de Saúde Coração de Jesus e na IPSS Centro da Mãe. Foi deputada à ALRAM entre 2012 e 2015 e Presidente da Juventude Popular da Madeira no mesmo período. É atualmente autarca em exercício na Assembleia de Freguesia de São Pedro, Vice-Presidente da Comissão Política do CDS-PP Funchal e vogal da Comissão Política Regional do CDS-PP Madeira.

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