Nuno Melo afasta-se e abre caminho à candidatura de Assunção Cristas

Nuno Melo anunciou hoje que não vai avançar com a sua candidatura à presidência do CDS, abrindo ainda caminho a Assunção Cristas que disse apoiar caso se venha a candidatar. O eurodeputado quer levar o seu mandato até ao fim, recordando que criticou Ribeiro e Castro por liderar o partido a partir de Bruxelas em 2005. Segundo o Expresso, Assunção Cristas deverá anunciar a sua candidatura ainda hoje.

Nuno Melo CDSO dirigente centrista repetiu muitas das mensagens da entrevista dada ontem à RTP de onde se destaca as suas “circunstâncias actuais” de eurodeputado, mandato que diz querer levar até ao fim por “não poder exigir menos a mim do que exijo aos outros” e recordando que criticou em 2005 o facto de Ribeiro e Castro liderar o partido a partir de Bruxelas, não estando assim disponível para o debate diário com o Primeiro-Ministro no Parlamento.

Apesar de dizer “ter vontade” em avançar para a liderança do CDS, Nuno Melo considera que “outras pessoas, neste momento, nestas circunstâncias darão melhores candidatos à presidência do CDS”, acrescentando ainda que “são estas pessoas que demonstram que o CDS nunca foi partido de um homem só” e declarando o seu apoio a Assunção Cristas caso a ex-Ministra da Agricultura pretenda avançar.

Assunção Cristas tem características que “garantem outro estado de graça”

Numa entrevista ontem à RTP, Nuno Melo não avançou se seria candidato, dizendo que a decisão seria tomada apenas hoje e que estaria ainda dependente de um conjunto de conversas que teria pela manhã, incluindo com Assunção Cristas.

Nuno Melo Assunção Cristas CDSAinda assim o eurodeputado disse que “o fim do ciclo Paulo Portas não tem que significar que o partido se vai radicalizar em conflitos”, garantindo que o partido é “um referencial de estabilidade em tudo”. Quanto a Assunção Cristas disse que não via a ex-Ministra da Agricultura “como uma adversária”, acrescentando até que sendo candidato gostaria de a ter na sua lista aos órgãos do partido.

No entender de Nuno Melo, Assunção Cristas “tem até circunstâncias que lhe podem dar um estado de graça maior que o meu” e que o facto de ser mulher “marca um factor distintivo face à liderança de Paulo Portas”.

Ainda assim, Nuno Melo fez questão de vincar que fez no partido “toda a escadaria, da base ao topo, desde candidato à Assembleia de Freguesia até ao Parlamento Europeu” e que por isso tem “noção das circunstâncias e das responsabilidades”.

“O CDS não é substituível na nossa democracia”

Nuno MeloQuanto ao futuro do partido sem Paulo Portas, Nuno Melo enviou recados a alguns comentadores políticos, segundo o próprio, dizendo que “por muito que outros queiram o CDS não é substituível na nossa democracia”, lembrando ainda que “todo o ciclo de Paulo Portas foi de crescimento”. O eurodeputado centrista lamenta que Paulo Portas tenha deixado a liderança do partido, algo que por sua vontade “não teria acontecido”.

Nuno Melo considera que “enquanto partido de centro-direita o CDS não deve ser um partido apenas de quadros, mas interclassista que consiga promover a elevação social” e não apenas uma “montra de elitismo”. Ainda assim os centristas não devem “desligar a ideologia do pragmatismo de resolver os problemas às pessoas”, diz o eurodeputado que coloca Paulo Portas ao lado de Adriano Moreira no que toca ao facto de o partido “poder continuar a contar com eles”.

Quanto à situação politica nacional, Nuno Melo voltou a falar da legitimidade de António Costa para formar governo, respondendo que a direita não está revoltada, mas sim “espantada porque o partido que perdeu governa sozinho e a direita está sentada na oposição” e acrescentando que é o “radicalismo ideológico e programático actual que faz notar ainda mais as marcas do CDS”.

Descomplicador:

Nuno Melo não avança para a liderança do CDS, abrindo caminho a Assunção Cristas a quem declarou apoio caso se pretenda candidatar. Ontem em entrevista à RTP, Nuno Melo tinha dito não ver Assunção Cristas “como uma adversária” e deixou um conjunto de notas sobre o futuro do CDS, dizendo que o partido “não deve ser apenas uma estrutura de quadros”.

Publicado por: Miguel Dias

Licenciado em Jornalismo pela Escola Superior de Comunicação Social. Assessor de comunicação numa federação desportiva, colabora com a imprensa regional na sua cidade, Almeirim e criou um conjunto de projectos temporários sobre politica local e nacional. Fundou ainda uma rádio regional e é comentador convidado de ténis da Eurosport.

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