Almeida Santos: as reacções à morte

A morte de António Almeida Santos levou a uma vaga de reacções ao falecimento de um dos mais históricos dirigentes socialistas. De todos os quadrantes políticos as mensagens são de elogio à capacidade de gerar consensos e ao trabalho desenvolvido no âmbito da divulgação cultural.

Cavaco SilvaA Presidência da Republica em comunicado disse que Almeida Santos foi um “homem de causas, causídico da liberdade, António de Almeida Santos distinguiu-se pelas suas qualidades como jurista, sendo autor de vários diplomas estruturantes do nosso regime democrático”, tendo-se sempre mantido “fiel ao ideário e aos princípios que marcaram a sua trajectória de vida, na qual exerceu as mais altas funções do Estado, com destaque para a Presidência da Assembleia da República” e classificando-o como um “cidadão exemplar pelo seu empenho na defesa do modelo democrático europeu, Almeida Santos deixa, em todos os que tiveram o privilégio de o conhecer, a memória afectuosa da cordialidade e da afabilidade de trato, da sua admirável cultura humanista e dos seus invulgares dotes de orador e cultor da Língua Portuguesa”.

O Primeiro-Ministro, António Costa, em viagem de estado a Cabo Verde, disse que “o António Almeida Santos era uma daquelas pessoas que nos fazia acreditar que a vida na terra é eterna”, destacando ainda o seu papel como “construtor do Estado de Direito democrático em Portugal após o 25 de Abril” e ainda “o seu papel incontornável no processo de descolonização portuguesa”. Augusto Santos Silva, também nesta deslocação com António Costa lamentou também a perda.

António Costa Jorge Sampaio Almeida Santos Vera Jardim Manuel AlegreMário Soares, reagiu apenas através de comunicado à Agência Lusa assinado por uma fonte próxima, que disse que “Mário Soares está profundamente triste com a morte do seu amigo Almeida Santos”. Mais expressivo na declaração foi Manuel Alegre que disse que Almeida Santos “preencheu muito tempo da nossa história e do nosso imaginário”, referindo ainda que parecia “não ter a idade que tinha”, recordando as descidas do Chiado que fez ainda recentemente nas legislativas em campanha eleitoral.

Manuel Alegre disse ainda que Almeida Santos foi um “construtor de pontes, um homem de diálogo com grande sentido de camaradagem e de solidariedade”, para além de “um grande patriota, muitas vezes incompreendido” e dizendo ainda que só “não foi Presidente da República porque não quis. Tinha tido condições para o ter sido. E grande”.

O ex-Primeiro-Ministro, José Sócrates disse que “todos aqueles que conheceram o Almeida Santos estão certamente mergulhados num grande vazio e numa grande tristeza, porque a sua morte causa-nos estes sentimentos, esta vontade de nos recolhermos em silêncio, porque temos consciência de que qualquer coisa de raro se perdeu e que já não pode ser dita: a vida do Almeida Santos”, classificando-o como “o legislador da liberdade”.

O ex-Presidente da Republica, Jorge Sampaio salienta a forma como “Almeida Santos marcou, como poucos, a vida política portuguesa. Foi um pilar sólido, não só do PS, mas da nossa democracia, pela sua brilhante inteligência; pela sua capacidade de análise e visão estratégica; pela sua palavra certa; pela habilidade em esvaziar conflitos e gerar consensos, agregar pessoas e também de criar afectos”.

Mota AmaralO ex-Presidente da Assembleia da Republica, Mota Amaral, do PSD reconhece que Almeida Santos foi “um dos seus fundadores e figura de referência”, referindo-se à democracia portuguesa, acrescentando ainda que foi um “combatente de primeira linha contra o regime autoritário e a sua lastimosa política colonial e distinguiu-se na defesa dos nacionalistas moçambicanos perante a repressão”. Mota Amaral sucedeu a Almeida Santos na presidência do Parlamento português.

Entretanto, também o Secretário-Geral da Juventude Socialista, João Torres, reagiu à noticia, dizendo que Almeida Santos era um “homem generoso e de plena sabedoria” e que “deixa boas memórias e uma inestimável saudade. Em nome pessoal e em nome da Juventude Socialista, transmito, aos seus familiares e amigos, sinceras condolências. Portugal ficou agora mais pobre. E o PS jamais será como dantes”.

Descomplicador:

Várias figuras de todos os quadrantes politicos nacionais lamentaram nas últimas horas o falecimento de Almeida Santos. O Presidente da Republica e o Primeiro-Ministro enviaram já notas de condolências à família do ex-Presidente da Assembleia da Republica.

Publicado por: Miguel Dias

Licenciado em Jornalismo pela Escola Superior de Comunicação Social. Assessor de comunicação numa federação desportiva, colabora com a imprensa regional na sua cidade, Almeirim e criou um conjunto de projectos temporários sobre politica local e nacional. Fundou ainda uma rádio regional e é comentador convidado de ténis da Eurosport.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *