«Não abdicar de nenhum direito»

Ontem, Maria de Belém, falou para ninguém. O Comício da sua candidatura, em Lisboa, começou uma hora mais tarde. Não foi suficiente para esconder a vergonha alheia, numa sala que contou com praticamente todas as cadeiras vazias.

Maria de Belém Presidenciais ComícioNo passado dia 19 de janeiro ficámos a conhecer quem foram os trinta subscritores do documento que pediu a manutenção do privilégio das subvenções vitalícias para ex-titulares de cargos políticos, que o OE 2015 tinha cortado. Entre os nomes, figura Maria de Belém Roseira, candidata socialista à Presidência da República.

Tornou-se, depois deste episódio, ainda mais árdua a tarefa de caracterizar a candidatura da Ex-Ministra (BES) Saúde. Começa uma campanha abrindo a possibilidade de dissolver o atual Governo se este não transmitir confiança (entenda-se cumprir todos os ditames de Berlim). Utilizando, do avesso, a expressão que Marcelo Rebelo de Sousa utilizou para se apresentar e correndo o risco de utilizar uma categoria política inexistente em Maria de Belém, esta Direita da Esquerda consumiu os portugueses com justificações vazias sobre a ligação da candidata a negócios ruinosos do BES Saúde e, agora, com a sua subscrição em defesa das subvenções vitalícias. Uma campanha vazia de conteúdo, de ideias, de propostas para o país, autocentrada na figura que, ainda por cima, não colhe grande empatia popular depois da caça aos privilégios.

«Não abdicar de nenhum direito» disse Maria de Belém, em defesa das subvenções vitalícias. Revelou-se a frase mais suicida desta campanha eleitoral. A coisa implodiu e, essa sim, será vitalícia.

Publicado por: Luis Monteiro

Deputado pelo Bloco de Esquerdo eleito pelo circulo eleitoral do Porto. Estudante de mestrado em Museologia. Foi vice-presidente da Associação de Estudantes da Faculdade de Letras da Universidade do Porto e está ligado a inúmeros movimentos de associativismo juvenil pelo fim da precariedade.

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