Presidenciais: as reacções dos candidatos aos resultados

Ao longo da noite no live blog do Panorama fomos dando conta dos principais destaques dos discursos de Marcelo Rebelo de Sousa e de António Sampaio da Nóvoa (que pode recordar AQUI), os dois principais protagonistas. Mas ao longo da noite os restantes oito candidatos também reagiram aos resultados. O Panorama resume assim as intervenções dos candidatos presidenciais.

Marisa Matias

Marisa Matias“Não as esquecerei nem vou desistir”, afirma Marisa Matias, em reacção aos resultados, referindo-se às pessoas que encontrou na rua durante a campanha. Várias vezes interrompida por aplausos no Coliseu do Porto, Matias afirmou que os resultados mostram “enorme onda de esperança que está a crescer no nosso país”. A candidata que, de acordo com os resultados divulgados conquistou o terceiro lugar, à frente de Maria de Belém, já felicitou Marcelo Rebelo de Sousa. Apesar de admitir não ter conseguido alcançar o objectivo da segunda volta, Marisa Matias diz que “em democracia o mais precioso que temos é a decisão dos portugueses e das portuguesas”.

Maria de Belém

Numa muito curta declaração, e sem direito a perguntas por parte dos jornalistas, a ex-presidente do Partido Socialista chamou a atenção para os elevados valores da abstenção e destacou uma campanha “sem demagogia e populismo”; terminou afirmando “viva a constituição e viva a República”.

Anteriormente, o ministro da cultura, João Soares, não escondeu o descontentamento: “é, obviamente, uma grande derrota”. Logo depois, Vera Jardim reconheceu que a candidatura de Maria de Belém ficou aquém das expectativas; num tom crispado teceu ainda duras críticas ao que chamou de uma “vaga de populismo fácil”. O PS também foi alvo de duras críticas pelo antigo ministro da cultura no governo de António Guterres.

Edgar Silva

Edgar Silva“Resultado aquém do desejável”. Edgar Silva, e o Partido Comunista, foram, juntamente com Maria de Belém, os grandes derrotados da noite; 3,9% é um resultado bem longe do que era pretendido pelos comunistas. Se juntarmos a isto o facto de Marisa Matias ter tido cerca de 10% dos votos, percebe-se a dimensão da derrota comunista. O padre madeirense não conseguiu um resultado eleitoral nada bom.

Nota para as declarações de Jerónimo de Sousa que, e apesar de ter sido “interrompido” por Pedro Passos Coelho, colou o estilo de Marcelo a Cavaco e afirmou que a vitória de Marcelo é fruto de uma “construção mediática”, dizendo ainda que o PCP podia ter apresentado “um candidato ou uma candidata assim mais engraçadinha, portanto, enfim… Em que fosse fácil, com um discurso ajeitadamente populista, pudesse aumentar o número de votos”, declarações que têm vindo a gerar polémica no rescaldo destas presidenciais.

Vitorino Silva

O vencedor dos pequeninos. Vitorino de Silva, mais conhecido como Tino de Rans, não esperaria no início da sua candidatura ter mais de 3% dos votos. Tino, que obteve cerca de 60% dos votos na sua terra natal – Rans -, conseguiu mais de 140 mil votos no total nacional. “Não sou um homem de desistir”, disse Vitorino Silva na reacção aos resultados eleitorais. Referiu ainda que “esta é a prova de que o povo está livre e que está farto de quem nos governou”. Tino de Rans ligou ainda a Marcelo Rebelo de Sousa a dar os parabéns pela vitória e a convidar o agora Presidente da Republica a visitar a freguesia de Rans.

Vitorino Silva disse ainda que “estas eleições têm uma coisa muito engraçada, sou o sexto filho, no boletim de voto eu fui o sexto e fiquei em sexto na classificação”, afirmou o candidato de Rans, mostrando-se “muito contente com o resultado, muito contente, muito feliz” e acrescentando que “contava ir à Liga Europa, mas fica para a próxima”.

Paulo Morais

Paulo Morais“Um sucesso” – é assim que Paulo Morais classifica a sua campanha, com o facto de ter ficado à frente de Henrique Neto mas atrás de Vitorino Silva. Morais aparece assim como sétimo candidato mais votado. Paulo Morais afirma que esta campanha “demonstrou ao longo destes 10 meses que é possível em Portugal, sem apoios partidários, sem ligações empresariais, quase contra tudo e contra todos, criar uma campanha eleitoral baseada num conjunto de princípios que são claros”. O candidato que tinha como bastião o tema da corrupção, “a sua primeira causa”, teve mais de 2%, com mais de 80 mil votos.

Henrique Neto

No Hotel Roma, em Lisboa, o candidato Henrique Neto felicitou o próximo Presidente da República: “Quero cumprimentar Marcelo Rebelo de Sousa na esperança de que ele nos surpreenda”. Neto afirma que o país precisa de “mudanças profundas”, alertando que os próximos anos não vão ser fáceis”. Quanto a si, diz que “uma candidatura independente no contexto da política em Portugal” tem mais dificuldades.

Jorge Sequeira

Apelidou a votação de MRS de “excepcional”, dando-lhe largos elogios: “não andou a pedir apoio aos partidos, tentou-se desvincular dos partidos que o suportam, o que também lhe dá um enorme mérito a ele.” Quanto a si, Sequeira classifica como “realista” o seu último ou penúltimo lugar.

Cândido Ferreira

“Aquém das expectativas”. Cândido Ferreira com 0,23% foi o candidato presidencial menos votado. O independente, que se recusou a participar nos debates televisivos por considerar que o tratamento não era o mesmo para todos, afirmou em reacção ao resultado que “fica muito aquém das expectativas”. O candidato à Presidência da República voltou a criticar o funcionamento dos partidos e afirmou que “só é mesmo vencido quem deixa de acreditar em causas e em valores que são de toda a humanidade”.

Texto: Tiago Varzim e Duarte Pereira da Silva

Descomplicador:

Marisa Matias foi a grande surpresa da noite eleitoral e Maria de Belém a grande desilusão. Nas reacções aos resultados acabou por ser o secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa o mais polémico e Vitorino Silva voltou a fazer rir os seus apoiantes.

Publicado por: Panorama

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