Presidenciais: os comentários do “painel de presidentes” do Panorama

Ao longo da noite eleitoral das eleições presidenciais o Panorama contou com os comentários de um “painel de presidentes” composto por Rosina Pereira, presidente da Associação de Politica Apartidária (APA) da Universidade do Porto, por Nuno Cárcomo Lobo, presidente da Associação de Futebol de Lisboa e de Daniel Monteiro, presidente da Federação Académica de Desporto Universitário.

Rosina Pereira, Nuno Cárcomo Lobo, Daniel Monteiro

Rosina Pereira, Nuno Cárcomo Lobo, Daniel Monteiro

A abstenção

Nuno Cárcomo Lobo – “Projecções de abstenção muito elevada. Comparativamente com todas as eleições presidenciais onde não existiram recandidaturas. Reflexo de uma campanha que não mobilizou os portugueses”.

Rosina Pereira – “Cerca de 50%, foi esta a percentagem de abstenção verificada nestas eleições presidenciais, à semelhança dos números a que assistíamos nas reeleições de anteriores Presidentes da República. O que pode estar relacionado com o estilo de campanha do candidato mais popular. Neste caso, Marcelo Rebelo de Sousa, que optou por um estilo de campanha mais emocional e de forte contacto com os eleitores e não tão conotado politicamente”.

Os primeiros dados

Nuno Cárcomo Lobo – “Pelas projecções, temos dois grandes vencedores: Marcelo Rebelo de Sousa e Marisa Matias. E uma estrondosa derrota da ex Presidente do Partido Socialista, Maria de Belém. Mas, vamos ter um longa noite eleitoral”.

Daniel Monteiro – “Tal como expectável, e de acordo com as sondagens, Marcelo Rebelo de Sousa deve mesmo garantir a vitória nas Presidenciais 2016 sem se sujeitar a uma segunda volta. Marisa Matias, candidata do BE, é a grande surpresa da noite e Maria de Belém a grande derrotada”.

A desilusão que foi Maria de Belém

Nuno Cárcomo Lobo – “No Partido Socialista, o ajuste de contas começará agora. Maria de Belém foi  vítima de um Partido que renegou o apoio a uma sua ex Presidente. Maria de Belém fez um discurso triste, depois de uma campanha que não lhe podia ter corrido pior”

Maria de Belém

Rosina Pereira – “Maria de Belém teve uma grande quebra da preferência por parte do eleitorado, desde as primeiras sondagens durante a campanha. Sem duvida que o eleitorado de centro esquerda se dividiu e se inicialmente essa divisão não desfavorecia tanto Maria de Belém, hoje verificamos que desfavoreceu imenso. A ex-Presidente do Partido Socialista saiu prejudicada pela posição que tomou relativamente às subvenções vitalícias mas também “perdeu” sem dúvida para Sampaio da Nóvoa, o seu rival mais direto na luta por este espaço político. A campanha ter começado tarde e a falta ao debate com todos os candidatos são factores que também podem ter prejudicado. Em contraponto, Marisa Matias foi a grande surpresa da noite, ao posicionar-se no terceiro lugar”.

Daniel Monteiro – “Se dúvidas existiam que Sampaio da Nóvoa era o preferido de entre a ala socialista, o caso das subvenções vitalícias veio dissipar qualquer dúvida. Uma amargura que se tornou fatal para Maria de Belém na reta final da campanha”.

Sobre a surpresa que foi Marisa Matias

Nuno Cárcomo Lobo – “Com este resultado, o Bloco de Esquerda consolida o seu eleitorado e aspira a ultrapassar definitivamente o PCP. Prova que um discurso novo e reformista reduz a cinzas um discurso velho e repetitivo. António Costa terá, a partir de hoje, que olhar da mesma forma para o PCP e para o BE”

Rosina Pereira – “Apesar do primeiro slogan não ter sido o mais acertado, sem dúvida que o resultado de Marisa Matias é surpreendente. A candidata mais feminista conseguiu o terceiro lugar. Este resultado mostra não só o crescimento de preferência pelo bloco de esquerda, dado que esta candidata tinha o apoio deste partido, como também revela uma maior abertura para a participação da mulher na atividade política e poderá ver ainda mais reforçada a sua posição dentro do Bloco de Esquerda”

“Uma coisa é clara – este resultado vem cimentar ainda mais a força à Esquerda que o BE tem vindo a conquistar e reforçar. A par com isto, vem o desapontante resultado do candidato do PCP. De tudo isto, resulta um novo equilíbrio à Esquerda, onde o BE surge como um parceiro privilegiado, minorando o PCP e, consequentemente, as decisões que os comunistas venham a tomar quanto ao suporte parlamentar ao Governo do PS.”

Daniel Monteiro – “Na “relação” de suporte ao Governo socialista, o BE reforça a sua posição e ganha peso e espaço à esquerda. Conquista o espaço que era do PCP e começa a ameaçar os terrenos mais à esquerda do PS”

O discurso de Sampaio da Nóvoa

Nuno Cárcomo Lobo – “Sampaio da Nóvoa a fazer um bom discurso. A olhar já para o futuro. E a fazer crer que entrará, em definitivo, na cena política portuguesa. Veremos onde e de que modo…”

Rosina Pereira – “Sampaio da Nóvoa admite a derrota e considera o Marcelo o seu presidente. Apesar de ter falhado o seu grande objetivo, a segunda volta, é o primeiro candidato independente a ficar em segundo lugar e a ter mais de 20% dos votos. (…) Tratou-se de um candidato fugaz: apareceu com um objetivo e com uma carta de princípios que, como não foram cumpridos, retornará à sua “vida civil” como o próprio afirmou”.

Daniel Monteiro – “Um discurso sério, responsável e comprometido. Na política, mais importante que ganhar é saber perder. Sampaio da Nóvoa perde no número de votos, mas ganha na atitude e no comportamento exemplar e genuíno que teve desde o primeiro momento em que assumiu a candidatura”.

Discurso de Marcelo e reacção final:

Marcelo Rebelo de Sousa

Nuno Cárcomo Lobo – “Marcelo foi igual a… Marcelo! Um grande discurso! Discurso de Estado! Sem surpresas e sem desvios. Dirigido a Portugal e aos portugueses. Um discurso de Presidente do grande vencedor destas eleições”.

Rosina Pereira – “Marcelo, como nos habituou na sua campanha, escolhe os locais que, de certa forma, estão relacionados com a sua “origem” para marcar os momentos mais importantes de todo o processo desta eleição. Teve o discurso que era esperado de um presidente, valorizando todas as candidaturas e todas as pessoas que participaram neste processo eleitoral, mostrando a atenção para com o futuro e a valorização da história do país. Temos um presidente da república que, certamente, marcará um novo tempo”

Por fim, é de valorizar a candidatura de Vitorino Silva que conseguiu um excelente resultado. A coragem, a ousadia e a humildade foram as marcas desta candidatura. Assistimos a uma candidatura do povo, que demonstra que qualquer pessoa pode e deve ter participação política, independentemente da sua formação académica ou percurso político. Uma campanha extremamente emocional e de grande proximidade com a população que realçou bastante as desigualdades existentes no país”.

Daniel Monteiro – “Os resultados eleitorais não deixam mesmo margem para dúvidas. Marcelo Rebelo de Sousa foi desde o primeiro dia o preferido dos portugueses. Beneficiou do facto de ser uma figura conhecida, carismática e na altura de ir para o “terreno” soube “jogar” tanto à direita como à esquerda. O PS não soube nem conseguiu lidar com o favoritismo de Marcelo e olhou para esta primeira volta como se de umas Primárias se tratasse, querendo que fossem os portugueses a escolher o candidato socialista para uma segunda volta… que não acontecerá. Marcelo limitou-se assim a aparecer e a deixar correr uma campanha que jogou sempre a seu favor. Na reação aos resultados, limitou-se a ser ele mesmo. Um discurso motivante e contagiante, com enorme sentido de Estado! Habemus Presidente”.

Descomplicador:

Nuno Cárcomo Lobo, da AFL; Rosina Pereira, da APA e Daniel Monteiro da FADU constituíram o “painel de presidentes” que comentou a noite eleitoral para o Panorama, reagindo aos resultados e aos principais momentos da noite.

Publicado por: Miguel Dias

Licenciado em Jornalismo pela Escola Superior de Comunicação Social. Assessor de comunicação numa federação desportiva, colabora com a imprensa regional na sua cidade, Almeirim e criou um conjunto de projectos temporários sobre politica local e nacional. Fundou ainda uma rádio regional e é comentador convidado de ténis da Eurosport.

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