As principais “keywords” de uma liderança de Assunção Cristas

A candidata à liderança do CDS, Assunção Cristas vai iniciar hoje a “tournée” pelas distritais do partido, bem como pelas regiões autónomas. Depois de ter anunciado a sua candidatura à liderança dos centristas, Assunção Cristas concedeu três entrevistas, ao Expresso, à TVI e à Rádio Renascença.

Nas três intervenções da ex-Ministra da Agricultura foram já perceptíveis algumas das linhas estratégicas da candidatura de Assunção Cristas ao CDS e daquilo que pretende para o futuro do partido. Também recentemente um dos dirigentes que apoiou Assunção desde a primeira hora, Diogo Feio, falou ao jornal i. O Panorama pegou nas quatro entrevistas e estabeleceu os pontos em comum.

O grande partido de centro direita

Assunção CristasUm dos principais destaques discursivos de Assunção Cristas é o combate frontal ao espaço eleitoral do PSD. Para a deputada centrista o CDS tem que estar em condições de disputar o eleitorado do PSD, vendo os sociais-democratas como adversários ao nível do PS.

Aliás, a capacidade de Assunção Cristas de alargar a base eleitoral do CDS é visto como um dos maiores trunfos da sua candidatura e também como um dos factores principais do afastamento de Nuno Melo. Assunção Cristas disse à RR que o CDS tem tudo para “ser o grande partido de centro-direita” e a ideia é aproveitar o desaparecimento do conceito de voto útil, que na opinião de Assunção Cristas praticamente desapareceu desde o acordo parlamentar PS-PCP-BE.

O fim dos nichos e a conquista das massas

Com Paulo Portas, o CDS adoptou certos nichos como “seus”: os pensionistas, os idosos, os agricultores, mas para o futuro e apesar de não renegar a defesa destes sectores específicos, o CDS de Assunção Cristas pretende alargar a base de eleitores. Não só com a aproximação ao centro como foi referido em cima mas também com o pragmatismo que a candidata quer imprimir nos centristas.

A ideia é que o CDS possa transformar-se no partido que “resolve problemas”, alargando assim a base de eleitores que olham para os centristas como o partido que de forma pragmática ajuda a resolver os problemas do dia-a-dia. Para isso não basta existir uma menor preocupação ideológica mas também conquistar algo mais palpável: autarquias.

As autárquicas de 2017 serão o primeiro grande desafio de Assunção Cristas caso acabe por vencer o congresso de Março e esse desígnio foi já assumido pela deputada numa das entrevistas. Ter mais autarcas do CDS, mais juntas de freguesia e mais câmaras com ligações aos centristas é um ponto essencial para este objectivo, tendo em conta que “são os autarcas os que conseguem mais facilmente resolver problemas às pessoas, porque estão mais junto delas”, segundo palavras da própria Assunção Cristas.

“Ninguém me perguntou por ideologias (…)”

Nuno Melo Assunção Cristas CDSTem sido uma frase várias vezes utilizada por Assunção Cristas e que foi também “ornamentada” na entrevista de Diogo Feio. Quanto questionada sobre o seu posicionamento ideológico, Assunção Cristas respondeu mais do que uma vez com o exemplo da sua participação em sessões do Parlamento dos Jovens, onde vai às escolas e onde diz que “ninguém me perguntou por ideologias, mas sim por problemas concretos”.

Embora se defenda com a alguns pilares da democracia-cristã, Assunção Cristas não tem para já intenção de atribuir grande cunho ideológico à sua liderança, precisamente para poder alargar a base de eleitores. Apesar de numa entrevista há anos atrás, à Anabela Mota Ribeiro, ter criticado o PSD por “não ter ideologia”, a deputada não pretende atribuir grande cunho ideológico à sua liderança.

A mesma ideia foi “ornamentada” por Diogo Feio, que em entrevista ao jornal i disse estar “mais ao centro” e ter defendido, à semelhança de Assunção Cristas uma prioridade em “estar preparado para resolver os problemas às pessoas”, falando ainda do papel de Paulo Portas na transformação de um CDS mais ao centro e menos radical com as questões europeias, entre outras.

“Preparados para assumir responsabilidades”

Por fim, a ideia de que o CDS “tem de estar preparado para assumir responsabilidades a qualquer momento”, foi também repetida mais do que uma vez. Assunção Cristas não se mostra preocupada com uma queda repentina do governo de António Costa, tendo dito até à Renascença que “para destruir como está a destruir, não é nada desejável que termine o mandato”.

CDS PPPara a candidata à sucessão de Paulo Portas, o CDS tem de se preparar o mais rápido possível para “assumir responsabilidades” e estar permanentemente preparado para as assumir, um papel que passará pelo grupo parlamentar e pelo gabinete de estudos do partido, através da preparação de documentos programáticos que respondam aos problemas do quotidiano português.

Diogo Feio corrobora também esta ideia, dizendo até que a grande “preocupação do CDS será apresentar criticas e propostas alternativas àquilo que está a fazer o governo”, acreditando que “o CDS pode vir a adaptar-se às novas circunstâncias de uma forma muito mais ágil e fléxivel do que está a acontecer com o PSD”.

Para já Assunção Cristas vai dar uma volta ao país, começando hoje em Leiria, distrito pelo qual foi eleita, amanhã em Lisboa, Quinta em Setúbal e Sexta no Porto. As moções de estratégia global para serem votadas em congresso têm de ser apresentadas até 26 de Fevereiro, precisamente daqui a um mês.

Descomplicador:

Assunção Cristas vai iniciar hoje a sua volta pelo país antes do congresso do CDS. O Panorama reuniu as suas ideias principais nas entrevistas que deu após ter apresentado a sua candidatura à liderança dos centristas.

Publicado por: Miguel Dias

Licenciado em Jornalismo pela Escola Superior de Comunicação Social. Assessor de comunicação numa federação desportiva, colabora com a imprensa regional na sua cidade, Almeirim e criou um conjunto de projectos temporários sobre politica local e nacional. Fundou ainda uma rádio regional e é comentador convidado de ténis da Eurosport.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *