O debate quinzenal com dois Primeiros-Ministros

Desde que António Costa iniciou funções como Primeiro-Ministro o debate quinzenal de hoje seria aquele que mais dissabores podia provocar ao líder socialista. No entanto, ao final da manhã o balanço para as hostes socialistas foi positivo, com o acordo parlamentar a dar sinais de coesão e com António Costa a passar o “teste”, onde por mais do que uma vez chamou Primeiro-Ministro ao “deputado Pedro Passos Coelho”.

António CostaAntónio Costa começou o debate quinzenal a citar Sérgio Godinho e a garantir que a estratégia para o país mudou mesmo, abordando na fase inicial as medidas de modernização administrativa para o país, entre elas o regresso do programa Simplex.

Pela oposição, o primeiro a intervir foi Pedro Passos Coelho que pediu esclarecimentos sobre o Orçamento de Estado pedindo a António Costa que “tranquilizasse” o país. O Primeiro-Ministro, no activo, respondeu que “não iria alimentar um debate sobre o passado”, mas foi o próprio António Costa que por mais do que uma vez chamou “sr. Primeiro-Ministro a Pedro Passos Coelho”, erro que só corrigiu após o rebuliço nas bancadas sociais-democratas.

Assim, o “deputado Pedro Passos Coelho” continuou dizendo que nunca passou “pelo embaraço” de ver os números criticados pela UTAO, acusando as previsões de “falta de realismo”. Para António Costa o problema foi provocado por Passos Coelho que alegadamente terá dito à União Europeia que “as medidas temporárias eram definitivas, levando a UE a pensar agora que queremos pôr fim a medidas definitivas, quando são temporárias”.

Isto aconteceu hoje… António Costa chama Primeiro-Ministro a Passos Coelho… quantas vezes?José Coimbra

Publicado por RFM em Sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Acusação para cá, acusação para lá e está passado o primeiro teste. Segue-se o parceiro parlamentar, Bloco de Esquerda que lança ataques à Comissão Europeia, que diz “estar a assaltar o país”. Os avisos a António Costa foram lançados na entrevista de ontem à TVI24 e para hoje estão apenas sinais de coesão.

O CDS esteve ao ataque por intermédio de Nuno Magalhães que acusou o governo de fazer o orçamento com “base numa fezada e não numa proposta realista”, com António Costa a dizer que a diferença face aos dados avançados pela coligação PSD e CDS é de “uma décima”.

O PCP esteve também mais critico com o anterior governo do que com o actual, acusando Pedro Passos Coelho de “mentir aos portugueses”, pegando na “narrativa” que António Costa lançou de o anterior Primeiro-Ministro ter dito à Comissão Europeia que as medidas “temporárias eram afinal definitivas”.

Por parte do Partido Socialista, foi o líder parlamentar, Carlos César que esteve a defender o executivo liderado por António Costa e a atacar o executivo de Passos Coelho e Paulo Portas, dizendo que “gato escaldado de água fria tem medo” e dizendo que o papel levado a cabo pelo governo do Partido Socialista é o “aproximação” para que “possa ser a maior possível sem comprometer os nossos objectivos assumidos com os portugueses de melhorar os rendimentos, criar emprego e dinamizar a economia”.

Descomplicador:

António Costa passou hoje com sucesso a prova do debate quinzenal acerca do esboço do Orçamento para 2016. O actual Primeiro-Ministro acusou Passos Coelho de ter prometido em Bruxelas que “medidas temporárias seriam definitivas”, num debate onde por duas vezes chamou Primeiro-Ministro ao actual líder da oposição.

Publicado por: Miguel Dias

Licenciado em Jornalismo pela Escola Superior de Comunicação Social. Assessor de comunicação numa federação desportiva, colabora com a imprensa regional na sua cidade, Almeirim e criou um conjunto de projectos temporários sobre politica local e nacional. Fundou ainda uma rádio regional e é comentador convidado de ténis da Eurosport.

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