Passos Coelho recupera a social-democracia na recandidatura ao PSD

O ex-Primeiro-Ministro Pedro Passos Coelho quer “virar à esquerda” na sua recandidatura à liderança do Partido Social Democrata. Sob o slogan “Social-Democracia Sempre”, Passos Coelho vai apresentar a sua candidatura na Quinta-Feira embora tenha já dado conta do seu avanço num vídeo publicado no Facebook.

Pedro Passos Coelho2016 é ano de organização interna dos partidos, tal como o Panorama deu já conta. Ao mesmo tempo que o CDS procura um sucessor para Paulo Portas, o PSD deverá manter-se com as mesmas caras embora com uma mudança de estratégia. Pedro Passos Coelho quer recuperar a social-democracia, a génese do PSD, procurando segundo os analistas o eleitorado mais ao centro.

O líder do PSD anunciou a sua recandidatura num vídeo publicado no Facebook, numa nova página criada para o efeito, dizendo que “é muito importante poder contar com a vossa participação nesse momento em que criaremos, julgo eu, uma oportunidade para mostrar que o PSD continua a ser um partido social-democrata, com a capacidade de fazer, transformar o país, mobilizar os portugueses e oferecer do país uma visão ambiciosa que todos precisamos de concretizar”.

Passos Coelho cumpre o seu terceiro mandato à frente do PSD, depois de ter sido eleito pela primeira vez em 2010 e reeleito em 2012 e 2014, embora se tivesse candidato pela primeira vez em 2008, onde perdeu para Manuela Ferreira Leite. As directas do partido estão marcadas para 5 de Março e Pedro Passos Coelho deverá mesmo ser o único candidato a apresentar-se a eleições.

Alguns militantes do PSD vêem esta recandidatura como a grande oportunidade de Pedro Passos Coelho para alterar o seu discurso para um “modo de oposição”, aguardando assim o congresso dos sociais-democratas para conhecer a nova estratégia do ex-Primeiro-Ministro.

Para já um dos primeiros apoios foi Miguel Albuquerque, presidente do PSD Madeira que disse ter já subscrito a candidatura e garantiu entre sorrisos que da Madeira não se irá apresentar nenhum candidato à liderança do Partido Social Democrata.

Passos Coelho faz campanha dentro e fora do partido

O líder social-democrata vai fazer campanha para estas eleições internas não só dentro da estrutura, como também junto de algumas instituições. Passos Coelho vai estar em todos os distritos do país, em sessões para militantes mas vai também visitar Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS) e estruturas do movimento associativo.

A ideia é conduzir uma campanha muito idêntica à de uma eleição geral, que sirva também como palco para a aproximação ao tal eleitorado do centro, mostrando mais preocupação com os assuntos sociais em busca da social-democracia.

Descomplicador:

Pedro Passos Coelho vai recandidatar-se à liderança do PSD. O ex-primeiro-ministro já anunciou esta intenção num vídeo publicado no Facebook, mas só vai apresentar a sua candidatura na quinta-feira. Pelo slogan escolhido – “Social-democracia sempre” – pode concluir-se que o líder do PSD irá adotar uma nova estratégia, mais “à esquerda”.

Publicado por: Miguel Dias

Licenciado em Jornalismo pela Escola Superior de Comunicação Social. Assessor de comunicação numa federação desportiva, colabora com a imprensa regional na sua cidade, Almeirim e criou um conjunto de projectos temporários sobre politica local e nacional. Fundou ainda uma rádio regional e é comentador convidado de ténis da Eurosport.

Há 1 comentário neste artigo
  1. zedaburra@sapo.pt'
    zé da burra o alentejano at 16:00

    SOCIAL-DEMOCRACIA SEMPRE, diz agora Pedro Passos Coelho
    Este senhor, depois de ter estado no poder durante duas legislaturas em que levou avante políticas de direita ultra neoliberais, que em nada se identificam com a social democracia, anuncia agora o slogan “SOCIAL-DEMOCRACIA SEMPRE”, depois de ter perdido 25 deputados, apesar de ter ido a eleições coligado com o CDS, e de, em consequência, ter perdido o governo, pretende enganar uma vez mais os portugueses que se identificam com a social-democracia, que votavam PSD e que lhe fugiram durante as últimas eleições de 2015.
    Vejamos exemplos das políticas do seu governo:
    – Reduziu os salários através de cortes diretos nas remunerações, introduziu o que denominou de banco de horas para evitar o pagamento de horas extraordinárias ao patronato e a reduziu o preço das horas extraordinárias, que fomentou ao invés da admissão de novos trabalhadores o que se justificaria dado o elevado número de desempregados, muito superior ao indicado pelas estatísticas oficiais. Introduziu uma sobretaxa que se acumulou à taxa de IRS para trabalhadores e pensionistas, reduzindo-lhes desta forma também o seu rendimento;
    – Eliminou 4 feriados para além do dia de Carnaval e aumentou o número de horas de trabalho para 40 de quem tinha 35, compensando por isso apenas algumas classes específicas pela mudança;
    – Aumentou os salários de alguns altos cargos, como Juízes e técnicos superiores, mas apenas do Instituto Nacional de Estatística e aproveitou para nomear partidários para altos cargos da função pública, com salários iniciais que ultrapassam em muito o que se atingia ao longo de décadas de uma carreira de trabalho e experiência;
    – Eliminou direitos adquiridos a diversos trabalhadores reformados e no ativo das empresas públicas;
    – Reduziu o número de escalões de IRS por forma a penalizar a classe média baixa, o que foi complementado com benefícios fiscais que beneficiaram os mais abastados;
    – Aumentou para todos os trabalhadores a idade da reforma, que continua a subir 2 meses por cada ano que passa e não se sabe qual será o limite. Será 70 anos de idade? Preparava-se para apenas conceder a reforma por invalidez a quem tivesse uma doença grave cuja esperança de vida não ultrapassasse os dois anos.
    – Reduziu anualmente as reformas e pensões a atribuir a quem se foi retirando, cálculo que se sobrepos às alterações já feitas antes durante o governo anterior de José Sócrates, que, porém, tinha respeitado os direitos adquiridos e as pensões em pagamento. Preparava-se para reduzir ainda mais as pensões em pagamento com o orçamento de estado de 2016, caso tivesse sido governo, mas promete voltar à carga quando voltar.
    – Criou a caducidade dos contratos coletivos de trabalho e facilitou o despedimento com reduzidas indemnizações, que deixam de ser pagas pela entidade que despede o trabalhador e passam a ser menores e pagas por um fundo especialmente criado para o efeito onde a segurança social também participa;
    – Criou estágios em meio laboral pagos pela segurança social, inserindo os trabalhadores em empresas que nem garantem a contratação de pelo menos de uma parte desses trabalhadores no fim dos estágios. Não! os trabalhadores são pagos por todos nós e quando terminam esses estágios são substituídos por uma nova vaga de outros estagiários. Esta é apenas mais uma maneira da segurança social ajudar o patronato a aumentar os lucros. Os desempregados, enquanto estão nos estágios forçados não contam nas estatísticas de desempregados;
    – Vendeu desenfreadamente todas as Empresas Públicas que conseguiu e tudo por tuta e meia, como parte da CGD (área de Seguros), a EDP, a REN, a GALP, CTT, concluindo negócios ou acordando a sua venda depois mesmo de ter perdido as eleições e sabendo que o partido que lhe sucederia estava contra essas vendas. Estão aqui incluídas a TAP, a CARRIS e o Metro de Lisboa e Porto. Já pouco resta, mas outras lhe seguiriam: a Transtejo, a CP Lisboa-Cascais, CP Lisboa-Sintra, CP Carga;
    – Reduziu ao mínimo as funções sociais do Estado na saúde, na educação, nos apoios sociais, no apoio aos desempregados, no apoio à habitação social;
    – O Serviço Nacional de Saúde entrou em colapso nos Centros de Saúde e nos Hospitais públicos, tendo havido já diversas mortes confirmadas por falta de resposta, onde se inclui o transporte dos doentes e feridos em acidentes de viação;
    – Reduziu o apoio aos alunos com deficiências várias, prescindindo do apoio técnico próprio de que muitos necessitam;
    – Criou um sistema de justiça que impede os portugueses de menores recursos de lhe acederem, aumentando drásticamente as custas dos Tribunais e afastou-os dos cidadãos;
    – Facilitou o funcionamento de procedimentos que levaram a penhoras sem a intervenção de qualquer juíz, muitas delas por erro e ilegais mas cuja correção não se consegue porque nem sequer passaram pelo Tribunal;
    – Reduziu as contribuições para a segurança social das maiores empresas;
    – Criou uma forma dos contribuintes passivos entregarem informaticamente as suas declarações de IRS, sem ter em consideração que muitos deles não estão preparados para o fazer e isso vai criar tratamento diferenciado entre os contribuintes passivos com prejuízo para quem não tem computador, internet ou que não sabe lidar com as novas tecnologias;
    As alterações feitas foram tantas que não consigo indicá-las todas, mas não se podem enquadrar no que é uma Social-Democracia.
    O resultado das políticas da governação de Pedro Passos Coelho foram: o aumento das grandes fortunas e da quantidade dos muito pobres (aumento das desigualdades sociais) a par do disparar do número de portugueses que emigraram, muitos deles com formações técnicas elevadas que custaram ao país muito caro formar. Como pode este senhor dizer-se social democrata?

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