As dores de cabeça do Rei Filipe VI de Espanha

Filipe VI de Espanha não tem tido vida fácil no primeiro ano e meio de reinado no país de nuestros hermanos. O Rei tem passado por um período conturbado, especialmente relacionado com questões independentistas e agora a indefinição eleitoral é apenas mais um capitulo de uma história que se prevê longa. Vaias em locais públicos, responsáveis políticos a não reconhecerem publicamente a sua soberania e a tratarem-no por tu em pleno Palácio da Zarzuela são algumas das coisas a que Filipe VI teve de se habituar.

Filipe VI Rei de EspanhaO caso da infanta Cristina é apenas mais uma das polémicas a juntar a tantas outras que têm afectado o reinado de Filipe VI, embora o filho de Juan Carlos procure estar sempre acima de qualquer polémica. O seu papel neste período pós-eleitoral tem sido aliás elogiado, pelo facto de ter sabido manter a sua independência, mas a verdade é que Filipe de Bourbon teve que se adaptar nos últimos meses a um conjunto de situações inesperados.

A recolha é feita pelo jornal Expresso e adianta que Filipe VI teve nos últimos meses de se habituar a ser vaiado em público, algo que raramente acontecia e que agora acontece com frequências nas suas visitas a Camp Nou ou no Teatro Liceu, em Barcelona. As visitas à Catalunha são agora verdadeiras surpresas para a “corte” no que toca às reacções dos espanhóis.

A par disso, muitos municípios espanhóis têm aprovado regulamentos municipais para retirar os retratos e menções ao Rei, bem como o facto de Girona, cidade de onde saiu o mais recente líder da Catalunha, ter retirar os títulos à sua filha infanta Leonor, herdeira da coroa espanhola. Em Breda, província a poucos quilómetros de Girona, os vereadores municipais declararam-no persona non grata.

Também ao nível protocolar, Filipe VI teve de se adaptar a especificidades pelas quais o seu pai nunca havia passado. O visual dos mais proeminentes líderes políticos mudou e o Rei de Espanha tem recebido na Zarzuela protagonistas como Pablo Iglesias que se apresentam de calças de ganga, camisa e ténis, tratando o monarca publicamente por “tu”, uma situação que embaraça o staff da Zarzuela.

Mais desafiante que Pablo Iglesias do Podemos, só mesmo Alberto Garzón, líder do Esquerda Unida-Unidade Popular, que se dirige a Filipe VI como “cidadão Filipe de Bourbon”, não reconhecendo a sua soberania e afirmando o seu republicanismo até mesmo nos encontros com o chefe de estado espanhol. Existem ainda partidos como o Esquerda Republicana da Catalunha ou o Bildo, o braço politico da ETA, que recusam encontros com o Rei por não se sentirem súbditos do mesmo.

Descomplicador:

Filipe VI de Espanha tem tido vida difícil nos primeiros tempos do seu reinado. O julgamento da infanta Cristina, mas também as questões independentistas na Catalunha obrigaram Filipe VI a adaptar-se a situações que a Zarzuela não tinha vivido nas últimas décadas. As mudanças protocolares são também reflexo dos novos tempos no país vizinho.

Publicado por: Miguel Dias

Licenciado em Jornalismo pela Escola Superior de Comunicação Social. Assessor de comunicação numa federação desportiva, colabora com a imprensa regional na sua cidade, Almeirim e criou um conjunto de projectos temporários sobre politica local e nacional. Fundou ainda uma rádio regional e é comentador convidado de ténis da Eurosport.

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