Espanha longe da estabilidade: Corrupção faz nova vítima no PP. Podemos exige referendo ao PSOE

Espanha está longe de garantir a estabilidade politica que ambiciona desde as eleições de 20 de Dezembro. Depois de Mariano Rajoy ter recusado a nomeação para Primeiro-Ministro por parte do Rei Filipe VI, Pedro Sanchez foi chamado a assumir o cargo, tendo até 2 de Março para garantir condições de governabilidade. O problema é que à esquerda, o Podemos e Pablo Iglesias apresentaram 98 páginas de exigências e à direita a corrupção voltou a fazer mais uma vítima, levando à demissão da líder do PP de Madrid, uma das caras fortes do partido.

Pablo IglesiasO Podemos não se fez rogado em exigências ao PSOE de Pedro Sanchez. O partido liderado por Pablo Iglesias exige o referendo pela independência da Catalunha, bem como o lugar de vice-presidente do executivo para Iglesias. O PSOE respondeu rapidamente, mostrando-se “preocupado, decepcionado e perplexo”, segundo o porta-voz do partido no Congresso.

Para o PSOE de Pedro Sanchez, não é ao Podemos que compete liderar o processo de negociação, mas o partido de Pablo Iglesias enviou já o documento a todos os partidos com assento parlamentar, incluindo ao Partido Popular de Mariano Rajoy.

Na proposta, o Podemos diz que “só um governo de coligação PSOE/Podemos/Esquerda Unida pode oferecer a estabilidade imprescindível para cumprir um programa de mudança da envergadura necessária para afrontar os problemas que nos compete resolver”, acrescentando que Pedro Sanchez “tem de levar a cabo uma série de correcções urgentes na estrutura do estado”, propondo a criação de um “Ministério da Plurinacionalidade”.

O Podemos aborda mesmo a questão do referendo na Catalunha, mostrando-se defensor desta solução, algo que o PSOE rejeitou logo à partida. Pablo Iglesias não abdica também de ser vice-presidente do executivo, por forma a manter controlo sobre as iniciativas governamentais e sugeriu também a criação de uma secretaria de estado contra a corrupção.

Alternativa a Mariano Rajoy é mais uma vítima da corrupção no PP

Esperanza AguirreEntretanto, Esperanza Aguirre, líder do Partido Popular de Madrid e um dos nomes apontados a substituir Mariano Rajoy como figura de proa de um governo à direita, pediu a sua demissão devido ao escândalo da corrupção no partido. Aguirre demitiu-se dias depois da policia espanhola ter realizado buscas na sede do partido em Madrid.

Esperanza Aguirre disse na sua declaração de saída que “a corrupção está a matar-nos”, assumindo assim as suas “responsabilidades politicas”, pela escolha de Francisco Granados, secretário-geral da estrutura madrilena e que se encontra preso preventivamente desde Outubro de 2014. Aguirre disse que “há que ter em conta que por muito que eu o tenha destituído em 2011, Granados foi secretário-geral do PP de Madrid porque eu o quis e o facto de que um juiz o mantenha tanto tempo na prisão leva-nos a pensar que deve ter feito algo de grave”.

Quanto ao papel de Mariano Rajoy, a candidata à liderança da capital espanhola disse que “ele saberá o que tem de fazer”, acrescentando que “este não é o tempo de afirmação de personalidades, mas sim o tempo de sacrifícios e de renúncia”. Esperanza Aguirre tem actualmente 64 anos e vai manter-se como porta-voz do PP na Assembleia Municipal de Madrid. Aguirre foi já Ministra da Educação e da Cultura no governo de José Maria Aznar entre 1996 e 1999, tendo sido presidente do Senado e da Comunidade de Madrid. Em 2015 perdeu as eleições para liderar a autarquia de Madrid para a candidata do Podemos.

Descomplicador:

Está dificil de alcançar a desejada estabilidade em Espanha. O Podemos enviou um documento de 98 páginas ao PSOE com as suas exigências para viabilizar o governo, entre elas a de que Pablo Iglesias seja vice-presidente do executivo. À direita, Esperanza Aguirre, líder do PP de Madrid foi mais uma vítima da corrupção no partido.

Publicado por: Miguel Dias

Licenciado em Jornalismo pela Escola Superior de Comunicação Social. Assessor de comunicação numa federação desportiva, colabora com a imprensa regional na sua cidade, Almeirim e criou um conjunto de projectos temporários sobre politica local e nacional. Fundou ainda uma rádio regional e é comentador convidado de ténis da Eurosport.

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