Eutanásia: O dito por não dito e o Ministério Público já disse querer tudo esclarecido

Depois de uma entrevista à Rádio Renascença, onde a bastonária da Ordem dos Enfermeiros lançou suspeitas sobre a prática de eutanásia em serviços médicos do Serviço Nacional de Saúde, o Ministério Público avançou já que vai abrir um inquérito para esclarecer as declarações de Ana Rita Cavaco.

Ana Rita Cavaco disse aos microfones da Renascença que já assistiu a médicos a sugerirem injecções de insulina para provocarem um como, acrescentando que não “chocou ninguém, porque quem nos está a ouvir e trabalha no SNS sabe que estas coisas acontecem por debaixo do pano” e pedindo assim que se fale “abertamente sobre isto”.

Ana Rita Cavaco Ordem dos EnfermeirosAssim que o Ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes, tomou conhecimento da situação, pediu à Inspecção-Geral das Actividades em Saúde uma clarificação da situação com “sentido de urgência e para um esclarecimento cabal dos utentes”. Também a Ordem dos Médicos reagiu dizendo que enviará às entidades competentes as declarações da bastonária para que sejam lançados os “procedimentos tidos por convenientes”.

Com as movimentações do Ministro da Saúde e da Ordem dos Médicos, o Ministério Público deu já conta da abertura de um processo. No entanto, nas últimas horas, ao Observador, Ana Rita Cavaco esclareceu que “nunca disse que se praticava eutanásia ou que tinha visto praticar”, mas sim que “este assunto está dentro dos corredores. Estava-me a referir à discussão que é feita no seio das equipas”, justificou a bastonária.

Apesar de agora justificar as suas declarações, Ana Rita Cavaco mostra-se ainda assim agradada com a abertura do processo por parte do Ministério Público, esperando que “quando começarmos a divulgar casos de hospitais em que não se cumprem os mínimos para a segurança dos doentes” o Ministério Público também vá intervir.

Descomplicador:

Ana Rita Cavaco, bastonária da Ordem dos Enfermeiros disse à Renascença que já assistiu a médicos a sugerirem injecções de insulina para provocarem um como, acrescentando que não “chocou ninguém, porque quem nos está a ouvir e trabalha no SNS sabe que estas coisas acontecem por debaixo do pano”. Após estas declarações, o Ministério Público anunciou a abertura de um inquérito.

Publicado por: Miguel Dias

Licenciado em Jornalismo pela Escola Superior de Comunicação Social. Assessor de comunicação numa federação desportiva, colabora com a imprensa regional na sua cidade, Almeirim e criou um conjunto de projectos temporários sobre politica local e nacional. Fundou ainda uma rádio regional e é comentador convidado de ténis da Eurosport.

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