Espanha: três dias para saber se há ou não novo Governo

Pedro Sánchez investiduraAs eleições legislativas em Espanha aconteceram a 20 de dezembro mas ainda não há Governo. Os resultados não deram a maioria absoluta a nenhum partido, o que obrigou a que as diferentes forças políticas dialogassem para atingir essa meta. Mais de dois meses depois, chegou a altura de decidir se há ou não Governo e nenhum partido conseguiu garantir o apoio dos 176 deputados que dariam essa garantia. Hoje foi o primeiro dia do debate de investidura, que continua amanhã, e Pedro Sánchez não deverá ver a sua investidura como presidente de Governo concretizada. Mas ainda há esperança nas hostes socialistas.

Depois de Rajoy ter recusado o convite do Rei de Espanha para tentar formar Governo, Pedro Sánchez, líder do PSOE, foi chamado por Felipe VI para o mesmo efeito. E aceitou. A missão era difícil à partida, já que os 90 deputados socialistas estavam ainda longe, muito longe, da maioria absoluta. Mas Sánchez avançou para a mesa das negociações. O único pacto que conseguiu assinar foi com o partido centrista Ciudadanos. Mesmo com o apoio dos 40 deputados eleitos por este partido, o PSOE precisava de mais 46 deputados que votassem favoravelmente a investidura de Pedro Sánchez para formar Governo.

Os socialistas espanhóis tinham de tentar garantir o apoio do PP, que foi o partido mais votado nas eleições, ou dos partidos à esquerda, nomeadamente do Podemos, que ficou em terceiro lugar e elegeu 69 deputados. O entendimento entre PP e PSOE era impossível de alcançar desde o primeiro momento, como tinham avisado as duas partes. Restava apenas uma opção a Pedro Sánchez: estender a mão ao partido de Pablo Iglesias e, se possível, das restantes forças políticas de esquerda presentes no Congresso.

Numa fase inicial, o PSOE reuniu com todos os partidos em simultâneo para perceber quais as linhas vermelhas dePablo Iglesias e Errejón cada um. O Podemos exigiu a vice-presidência de um eventual Governo e um referendo sobre a independência da Catalunha. O Ciudadanos avisou que recusaria qualquer proposta que envolvesse esse mesmo referendo. O impasse era óbvio. Um dos dois teria de ceder para que Pedro Sánchez conseguisse garantir o apoio de ambos e, claro, a maioria absoluta.

Depois de semanas marcadas por reuniões entre os vários partidos, o PSOE assinou um pacto com o Ciudadanos, garantindo assim o apoio dos 40 deputados do partido de Albert Rivera. Este fator fez com que o Podemos se afastasse das negociações e anunciasse que não apoiaria a investidura de Pedro Sánchez por entender que o pacto assinado com os centristas deitava por terra as hipóteses de formar um “Governo de mudança”.

Apesar da recusa anunciada do partido de Pablo Iglesias, os socialistas fizeram uma derradeira proposta para alcançar o entendimento nesta segunda-feira. O Podemos não achou a proposta suficiente e manteve a posição de votar contra a investidura de Sánchez.

Pedro Sánchez não desiste

A primeira sessão do debate de investidura foi esta terça-feira. Na agenda, havia apenas uma intervenção: a de Pedro Sánchez, que apresentou as principais linhas do programa de Governo. As reações dos partidos acontecerão ao longo de quarta-feira, antes de, à noite, ser finalmente votada a investidura do líder socialista.

No discurso, Sánchez agradeceu “a coragem” do Ciudadanos “e em particular do seu líder, Albert Rivera” por ambos os partidos terem alcançado um entendimento. O líder socialista referiu ainda estar disponível para estabelecer pontes com todos os partidos, já que para formar Governo com o quadro parlamentar espanhol é necessário “que haja uma mistura ideológica”. Ou seja, é necessário que os partidos de esquerda e de direita confluam num eventual apoio a um Executivo.

Albert riveraApesar do apoio do Ciudadanos, o PSOE não vai obter o apoio dos 176 deputados necessários para garantir a investidura de Pedro Sánchez. No entanto, a lei espanhola prevê esta situação: caso a maioria absoluta não seja alcançada haverá uma segunda votação 48 horas depois, onde bastará uma maioria simples para se aprovar a investidura. Ou seja, o PSOE terá uma última oportunidade na sexta-feira para garantir a investidura de Sánchez.

Neste cenário, as abstenções jogam um papel maior, já que bastará ao líder socialista ter mais votos pelo “sim” do que pelo “não”. Ainda assim, os socialistas não devem conseguir garantir uma única abstenção que faça pender a balança para o lado do “sim” mas Pedro Sánchez não deixará de tentar conseguir acordos, como referiu hoje na sua intervenção no Congresso.

O tempo está a esgotar-se e a investidura de Sánchez parece mais distante do que próxima. Caso se confirme esta situação, os eleitores podem vir a ser chamados a votar novamente.

Descomplicador:

Espanha está mais perto de saber se esta semana terá ou não Governo. Mais de dois meses depois das eleições legislativas espanholas, o Congresso de Deputados vai votar favoravelmente ou não a investidura de Pedro Sánchez como presidente de Governo. Caso não alcance o apoio à investidura com maioria absoluta na primeira votação – amanhã -, o líder do PSOE terá uma segunda oportunidade numa votação esta sexta-feira. Neste caso, serão apenas necessários mais votos pelo “sim” do que pelo “não”. Nenhum dos cenários parece favorável para Pedro Sánchez, mas o socialista não deixará de tentar garantir apoios até ao último dia.

 

Publicado por: José Pedro Mozos

23 anos, natural de Lisboa. Aos dezasseis anos percebeu que a sua vocação era o jornalismo. Licenciado em jornalismo pela Escola Superior de Comunicação Social e pós graduado em Jornalismo Multiplataforma pela FCSH - Universidade Nova de Lisboa. Entre março de 2016 e junho de 2017 passou pela SIC Notícias. Faz parte da editoria de política da Revista VISÃO desde julho de 2017. Acredita no jornalismo como sendo um dos pilares de qualquer democracia. Atualmente, faz parte do Conselho Editorial do Panorama.

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