Marcelo Rebelo de Sousa convida os “heróicos” jovens jornalistas a “sonhar”

Marcelo Rebelo de SousaDia 29 de fevereiro é um dia especial. Não só porque apenas acontece de quatro em quatro anos, mas também porque é a data de aniversário da TSF. “Até no aniversário a TSF é singular”, disse o Presidente eleito Marcelo Rebelo de Sousa, convidado a abrir a conferência “Comunicação Social: de Emídio Rangel aos tempos de hoje”.

O palco do 28º aniversário da TSF foi o Auditório Vítor Macieira, na Escola Superior de Comunicação Social. Com um painel de ilustres convidados, no qual se incluía o director da TSF Paulo Baldaia, o futuro director da TSF David Dinis e personalidades como Carlos Magno, Presidente da ERC e José Pacheco Pereira, comentador politico, salientava-se o primeiro nome: Marcelo Rebelo de Sousa. As câmaras das diferentes televisões não o largaram um segundo, assim como os disparos dos vários fotógrafos, que nem durante os cumprimentos iniciais entre o novo Presidente da Republica e o antigo director da TSF Carlos Andrade deram tréguas.

O antigo professor catedrático da Universidade de Direito de Lisboa não poupou elogios a Emídio Rangel, que considerou ser “um radical na vida” e um “apaixonado” por tudo o que fazia. Um homem idóneo capaz de “ir até ao fim do mundo para defender uma ideia”; acima de tudo, foi o primeiro a ver que era necessário uma mudança na comunicação social em Portugal. A passagem da TSF não foi esquecida numa altura em que Marcelo se confessou “apaixonado pela comunicação social”. Um meio que ele “muito muito dificilmente iria regressar”.

Marcelo Rebelo de SousaE que momento para confessar esta paixão e para passar o testemunho. Por entre as câmaras e os jornalistas de caderno da mão os jovens estudantes de comunicação social erguiam telemóveis, outros erguiam canetas e outros ‘escavavam’ blocos de notas com as ideias do professor, titulo a que ele tanto nos habituou e a que tanto nos custa desabituar. E foi para os jovens que ele se dirigiu: “vocês são o futuro”. Mas o novo PR não se limitou ao cliché de lembrar as futuras gerações das suas responsabilidades. Deixou-lhes a pergunta (que provavelmente muitos deles repercutem todos os dias na cabeça quando olham para o mercado de trabalho): “Valerá a pena a comunicação social nestes tempos?”. Tempos que Marcelo Rebelo de Sousa declarou como sendo muito difíceis, em que a “componente económica é um factor poderosíssimo”. Mas isso não esmoreceu o discurso do novo Presidente da República que tomará posse na próxima semana, dia 9 de março: “É preciso heroísmo para continuar o percurso na comunicação social.” Pedindo assim que ficassem, “Não vos convido a ir para fora, inevitavelmente”. Uma frase que soltou algumas gargalhadas entre o público. E assim que relembra Passos Coelho, Marcelo avança na cronologia e passa para Costa, trocando o discurso do primeiro-ministro pelas suas palavras: “O papel da comunicação social é essencial para a democracia”.

Um exercício cronológico que se seguiu imediatamente por um convite. Um convite a sonhar, “Se na minha idade há o dever de sonhar, na vossa idade há o imperativo ético. Têm de sonhar!”. E depois de passar o testemunho da sua paixão pela comunicação pela comunicação social, não hesitou, diante de Paulo Baldaia e de David Dinis, em passar o sonho da estação televisiva criada por Emídio Rangel: A TSF nasceu de um sonho e no futuro será um sonho que estará nas vossas mãos”.

João Soares passou apressado pelo auditório da Escola Superior de Comunicação Social

João Soares“Admiração e respeito pela TSF”. Foi assim que João Soares se referiu à rádio que assinala 28 anos desde a sua criação por Emídio Rangel. Entre Marcelo Rebelo de Sousa, atuais e antigos diretores da TSF e várias personalidades do mundo da comunicação, também o ministro da cultura quis prestar uma homenagem a Emídio Rangel e lembrou a importância da revolução na comunicação social que o jornalista fez.

“Toda a gente achava impossível criar um canal de notícias como aquele”, contou João Soares, que diz não esquecer os conselhos que recebeu do jornalista, quando era presidente da Câmara de Lisboa. “Era profundamente amigo de Emídio Rangel. Devo-lhe muitas recomendações enquanto autarca de Lisboa”.

À saída da conferência, organizada na Escola Superior de Comunicação Social pela TSF, João Soares não quis prestar quaisquer declarações em relação à nomeação de Elísio Summavielle como novo presidente do Centro Cultural de Belém.

Com Rita Fernandes

Descomplicador:

O Presidente da Republica eleito esteve hoje na Escola Superior de Comunicação Social na Conferência de Aniversário da TSF. O antigo professor falou aos jovens estudantes de comunicação social, que o mesmo apelidou de “heróicos” e que convidou a sonhar em tempos tão difíceis como estes. João Soares, Ministro da Cultura, encerrou a tarde de trabalhos.

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Publicado por: Tomás Gomes

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