“O que está a acontecer agora em muitos sectores, aconteceu em primeiro lugar aos professores”

António Sampaio da Nóvoa apresentou na Terça-Feira ao final da tarde o livro “08/03/2008 – Memórias da grande marcha dos professores”, escrito por Paulo Guinote, autor do blog “A Educação do Meu Umbigo”. O professor universitário, numa das primeiras intervenções públicas após as Presidenciais, disse que “o que queriam fazer aos professores é o que está agora a acontecer em muitos outros sectores da sociedade”.

Paulo Guinote Professores António Sampaio da NóvoaSampaio da Nóvoa considera que não foi “justo dizer que daqui resultou pouca coisa”, salientando as redes de contactos informais que neste manifestação foram criadas e que perduram até aos dias de hoje. A par disso, António Sampaio da Nóvoa diz que nesta marcha nacional dos professores se “anteciparam coisas que aconteceram a seguir”, nomeadamente a “hiper-burocracia que está hoje a atingir as universidades”.

E foi precisamente com a “hiper-burocracia” que o ex-candidato presidencial estabeleceu uma relação com os dias de hoje, dizendo que “o mau estar no Ensino Superior tem a ver com estes mecanismos de controlo muito mais apertados” e acrescentando que “o mal estar que se vive em muitos sectores, começou com o que queriam fazer aos professores”.

António Sampaio da Nóvoa deixou ainda elogios ao autor do livro, Paulo Guinote, por ser “uma voz informada a falar de educação, algo que raramente acontece”, tendo em conta que “há muita gente a opinar, mas sem ser professor e a gabar-se de não saber nada do assunto”, lamentando ainda o ataque à classe docente na época.

“A marcha era mais do que a avaliação e os professores titulares”

O autor do livro, mostrou-se desanimado ao fim destes oito anos, com “os factos e o sentido da marcha”, algo que notou também nos contributos que recolheu. O professor de história afirmou que a “marcha era mais do que a avaliação dos professores e os professores titulares”, lamentando que tenha sido vista apenas dessa forma.

Professores Paulo Guinote Paulo Guinote acrescentou também que não tem problemas com as acusações de corporativismo, dizendo que “as profissões de maior prestígio são corporativas” e sublinhando que este é um livro com a visão dos professores, “apenas e só”, à excepção de alguns jornalistas contactos para contextualizar os acontecimentos.

O autor do livro “08/03/2008 – Memórias da grande marcha dos professores” mostrou-se desanimado pela “quebra da confiança entre pessoas que não se conheciam” que na opinião do autor atingiu o seu pico nesta marcha, onde “o exemplo de civismo dificilmente se repetia com outras profissões”. Guinote recordou ainda que antes desta marcha a maior manifestação de professores era de 25 mil pessoas e que neste dia os números apontavam para 100 mil professores.

Descomplicador:

Paulo Guinote, professor, apresentou ontem um livro que recorda a marcha nacional dos professores em Março de 2008 que juntou mais de 100 mil docentes. A apresentação esteve a cargo do ex-candidato presidencial, Sampaio da Nóvoa.

Publicado por: Miguel Dias

Licenciado em Jornalismo pela Escola Superior de Comunicação Social. Assessor de comunicação numa federação desportiva, colabora com a imprensa regional na sua cidade, Almeirim e criou um conjunto de projectos temporários sobre politica local e nacional. Fundou ainda uma rádio regional e é comentador convidado de ténis da Eurosport.

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