Apresentação de Henrique Raposo: “Tanta democracia na boca e pouca no comportamento”

107 páginas e toneladas de polémica. Alentejo prometido, de Henrique Raposo entrou já no top das obras que gerou mais polémica per capita. A apresentação decorreu ao final da tarde na Bertrand do Picoas Plaza, com a presença de um conjunto de personalidades, da área cultural e politica, mas também com vários seguranças privados, policias à paisana e PSP’s bem equipados.

15m antes do inicio do evento, o cenário na sala já era este

15m antes do inicio do evento, o cenário na sala já era este

Numa livraria em que 15 minutos antes do inicio do evento já estava cheia, a apresentação do livro publicado pela Fundação Francisco Manuel dos Santos começou também ela antes do tempo. A primeira intervenção foi do escritor José Rentes de Carvalho que manteve o tom polémico do principio ao fim. Rentes de Carvalho começou por referir que Henrique Raposo “que tanto bate nas gentes do Alentejo, muito alegra as gentes do norte”, mas referindo que “se o alentejano se suicida, o transmontano pega na caçadeira e mata o vizinho”, extrapolando o exemplo do livro para um contexto nacional.

Para o escritor que só a partir de 2008 viu as suas obras publicadas em Portugal, é de lamentar “tanta democracia na boca e pouca no comportamento”, referindo-se à polémica à volta deste Alentejo prometido, que considerou um livro apenas para “quem sabe ler e pensar”. Ainda assim José Rentes de Carvalho também se considerou “filho de uma migração que saiu do Alentejo, mas que não quer ser alentejano”, acrescentando que a sua “sede de viver não se acomodava aquela terra”. Ainda assim, foi nesse momento que Rentes de Carvalho lembrou a Henrique Raposo que “a marca que os antepassados deixam na alma é indelével e nunca descartável”.

Foi após a intervenção de José Rentes de Carvalho que o grupo de cantar alentejano Cantores do Desassossego interrompeu a sessão para cantar Alentejo Alentejo, um imprevisto de 3m que marcou o único sinal de protesto ao longo da apresentação da obra de Henrique Raposo.

O ex-director do Expresso, Henrique Monteiro, protagonizou a segunda intervenção da tarde, afirmando que Henrique Raposo “não ataca o Alentejo, a não ser na cabeça de alguns lunáticos”, mas ressalvando que falta ao autor “ver o norte como viu o sul”. O agora cronista do semanário Expresso disse ainda que “o erro é de quem na cidade vê a aldeia como poço de virtudes”, acrescentando que “onde há miséria material é mais fácil haver miséria moral”. Henrique Monteiro disse ainda na apresentação de Alentejo prometido que “a migração é um meio de libertação” e que a “imagem da aldeia portuguesa é uma construção de Salazar”.

Já o autor do livro, Henrique Raposo, justificou a polémica à volta do livro com o seu “olhar camiliano num país dominado pelos clichés queirosianos”, acusando os portugueses de quererem “criar um país mole” e onde não existe “tradição em falar dos nossos traumas”, referindo como exemplo a “falta de filmes e livros sobre a guerra colonial ou as FP25”.

Desfile de personalidades na apresentação de mais um livro da Fundação Francisco Manuel dos Santos

A polémica à volta do Alentejo prometido, gerou um interesse por parte da opinião pública esmagador. Na apresentação do livro passaram dezenas de personalidades de todas as áreas, da politica à cultura, passando pelo representante máximo da Igreja Católica.

D. Manuel ClementeD. Manuel Clemente, Cardial-Patriarca de Lisboa marcou presença nesta apresentação, onde estiveram também o ex-Secretário de Estado da Cultura, Francisco José Viegas e vários deputados, entre eles, José Eduardo Martins e Miguel Morgado.

Quem também esteve presente foi Pedro Mexia, comentador do Governo Sombra e recém-escolhido como assessor para a área cultural por Marcelo Rebelo de Sousa. Os humoristas Ricardo Araújo Pereira e José Diogo Quintela também marcaram presença, bem como o director de canais temáticos da SIC e apresentador do programa que popularizou o livro, Pedro Boucherie Mendes.

Na fila da frente estava também o patrono da Fundação Francisco Manuel dos Santos, Alexandre Soares dos Santos, dono da Jerónimo Martins. Mais tarde chegou também o recém-empossado CEO do grupo Impresa, Francisco Pedro Balsemão.

Descomplicador:

Henrique Raposo apresentou hoje o seu polémico livro, Alentejo prometido, numa sessão bem policiada e marcada pela presença inesperada de um grupo de Cante Alentejano. Ainda assim a apresentação decorreu sem problemas de maior.

Publicado por: Miguel Dias

Licenciado em Jornalismo pela Escola Superior de Comunicação Social. Assessor de comunicação numa federação desportiva, colabora com a imprensa regional na sua cidade, Almeirim e criou um conjunto de projectos temporários sobre politica local e nacional. Fundou ainda uma rádio regional e é comentador convidado de ténis da Eurosport.

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