Elas foram ao Parlamento falar da igualdade que ainda não existe

É um “dia que devia existir para os homens também”, dizem os críticos do dia da Mulher. É um dia que serve para “homenagear as namoradas, mães e avós”, diz parte dos seus defensores. Mas, na sua origem, é um dia para relembrar que a desigualdade de género é um problema por resolver e que historicamente tem a ver com a luta delas por melhores condições de trabalho e de igualdade salarial que ainda hoje continuam a nível global por cumprir.

Assunção CristasO Parlamento quis assinalar a data e foi pela mão do CDS, o partido que se prepara agora para ser liderado por uma mulher, Assunção Cristas, que o hemiciclo foi invadido pelas mulheres que lideram e falam em nome próprio de independência e trabalho árduo. Para a iniciativa “Liderança no Feminino. Quando elas Fazem” o elenco de convidadas tocou várias áreas e contou com a presença da enóloga Sandra Tavares Silva, a maestrina Joana Carneiro, a administradora da Caixa Geral de Depósitos, Maria João Carioca, e a apresentadora de televisão e empresária Cristina Ferreira.

“A minha mãe foi uma líder. Ela é o meu maior exemplo. A minha mãe desistiu do trabalho dela para viver ao lado do meu pai.” Cristina Ferreira, a convidada mais mediática do dia, aproveitou a deixa para falar de um lado mais pessoal que poucos conhecem, até porque quem a vê na televisão não faz ideia do “muito trabalho” que uma mulher precisa de levar a cabo para construir o seu próprio caminho: “Às vezes dizem-me que eu sou um exemplo, mas eu não sou um exemplo para ninguém. Cada um deve fazer o seu caminho.”

Esclarecendo que trabalha num meio onde a desigualdade salarial não se faz sentir, a apresentadora e empresária explicou que isto se deve, ironicamente, a outro problema por corrigir: a ditadura da imagem, que afeta sobretudo as mulheres. “Em termos de remuneração possivelmente as mulheres até recebem mais do que os homens. A televisão é uma ditadura da imagem e há mais mulheres a aparecer”.

Convidada a falar sobre a carreira de sucesso que vem construindo, Cristina Ferreira acrescentou: “Liderança não é poder e quem não o entende estraga tudo. Liderança é capacidade, capacidade de mobilizar, de subir degraus, de os descer quando tiver de ser”.

Também Assunção Cristas interveio para falar das diferenças que sente entre os seus filhos, que são duas meninas e dois meninos :“A minha filha disse-me: ‘Oh mãe, só deviam ir para deputados as mulheres que não têm filhos ou os homens’. E eu pensei: mas que mundo é este?”. Para a candidata a líder dos centristas, a desigualdade de género é um problema demasiado atual que se faz notar em vários ambientes, de casa ao trabalho: “Os rapazes foram os mais ativos a dizer ‘força mãe, avance, faz muito bem”, revelou Cristas, falando da possibilidade de suceder a Portas.

Longe do Parlamento, no hemiciclo de Bruxelas, a eurodeputada Marisa Matias Marisa Matiastambém tomou a palavra para falar do dia da Mulher e do que falta por conquistar. “Gostamos de flores, mas queremos direitos”, sublinhou a ex-candidata à Presidência da República, lembrando que em Portugal morreram no ano passado 29 mulheres vítimas de violência doméstica. “É um problema político”, rematou Marisa Matias.

Descomplicador:

O Parlamento assinalou o dia da Mulher com a iniciativa “Liderança no Feminino. Quando elas Fazem”, promovida pelo CDS. No Parlamento Europeu, a eurodeputada Marisa Matias sublinhou que ainda há muito a fazer para alcançar a igualdade de género, em Portugal e lá fora

Publicado por: Mariana Lima Cunha

21 anos, natural de Oeiras. Licenciada em Jornalismo pela Escola Superior de Comunicação Social e pós-graduada em Comunicação e Marketing Político pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas. Jornalista online do Expresso

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