3 dias depois de Cavaco, Portas abandona politica activa. O percurso de dois “ex-inimigos”

Cavaco Silva Paulo PortasCavaco Silva tornou-se presidente do PSD em Junho de 1985 e Primeiro-Ministro em Novembro desse mesmo ano. Paulo Portas tornou-se líder do CDS em 1998, 13 anos depois de Cavaco Silva. No entanto, o percurso de ambos “lado-a-lado” começou em 1988 quando Paulo Portas lançou o jornal Independente e começou ai uma década de ataque aos governos de maioria do social-democrata. 31 anos depois e com apenas três dias de diferença, Cavaco Silva e Paulo Portas abandonam a politica activa.

O ex-Primeiro-Ministro e ex-Presidente da República deixou de ser Chefe de Estado na Quarta-Feira, 9 de Março, onde deu lugar a Marcelo Rebelo de Sousa, enquanto Paulo Portas deixa hoje a liderança do CDS depois de a ter conquistado em 1998, com uma interrupção de dois anos, entre 2005 e 2007.

O Independente foi a forma como os caminhos de Paulo Portas e de Cavaco Silva se cruzaram a primeira vez, com o jovem jornalista a dar “dores de cabeça” ao executivo de Cavaco Silva, denunciando semanalmente escândalos com ministros de Cavaco, como Miguel Cadilhe, Braga de Macedo, João Deus Pinheiro, Oliveira e Costa, entre outros.

Dez anos depois da eleição de Cavaco Silva como Primeiro Ministro, Paulo Portas entra na vida politica activa, encabeçando a lista do CDS ao distrito de Aveiro. Dois anos mais tarde, Paulo Portas incompatibiliza-se com Manuel Monteiro e candidata-se à liderança dos centristas, corria o ano de 1998. Com uma interrupção de 2005 a 2007, só agora, 16 anos depois surge então uma nova liderança nos centristas.

Paulo PortasEntretanto, o inicio da liderança de Paulo Portas no CDS coincide com a “travessia no deserto” de Cavaco Silva, que dois anos antes se tinha candidato a Presidente da Republica tendo perdido para Jorge Sampaio. Quando dez anos depois, em 2006, Cavaco Silva decide candidatar-se a Presidente da Republica, era Ribeiro e Castro que liderava os centristas, que acabam por apoiar o social-democrata.

Em 2007 os caminhos de ambos voltam então a cruzar-se quando Paulo Portas ocupa novamente o lugar de presidente do CDS e Cavaco Silva exerce assim o seu mandato enquanto Presidente da Republica. Em 2011, já é com Paulo Portas a presidente do partido que o CDS apoia novamente Cavaco Silva para Presidente da Republica e cinco meses depois o líder centrista integra o governo numa coligação com o PSD de Pedro Passos Coelho, passando assim a trabalhar mais regularmente com Cavaco Silva.

Agora, com três dias de diferença, Paulo Portas deixa a liderança do CDS, depois de ter sido Ministro da Defesa, dos Negócios Estrangeiros e Vice-Primeiro-Ministro e Cavaco Silva deixa a politica activa após 10 anos enquanto Primeiro-Ministro e 10 anos enquanto Presidente da Republica. Curiosamente, apesar dos caminhos de ambos se cruzarem ao longo de mais de 30 anos, em funções executivas, Cavaco Silva e Paulo Portas coexistiram apenas entre 2011 e 2015.

Descomplicador:

Cavaco Silva e Paulo Portas são protagonistas da politica nacional há mais de 30 anos, no entanto em funções executivas as duas figuras coexistiram apenas entre 2011 e 2015. O Panorama resume o percurso de ambos.

Publicado por: Miguel Dias

Licenciado em Jornalismo pela Escola Superior de Comunicação Social. Assessor de comunicação numa federação desportiva, colabora com a imprensa regional na sua cidade, Almeirim e criou um conjunto de projectos temporários sobre politica local e nacional. Fundou ainda uma rádio regional e é comentador convidado de ténis da Eurosport.

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