As primeiras notas do congresso do CDS: o passado, o presente e o futuro

O congresso do CDS decorre desde esta manhã em Gondomar e apesar de começar agora o período de intervenções dos notáveis, que decorre a partir da hora de jantar até às 23h, por norma, podem ser já tiradas algumas conclusões das primeiras horas da reunião magna dos centristas, em especial porque foram já apresentadas as dez moções de estratégia global.

O passado: “finito” Portas e o choro do CDS

Paulo PortasDos mais de mil congressistas que marcam presença na reunião magna do CDS, muitos foram os que nos últimos minutos da intervenção de Paulo Portas não caíram em lágrimas. O discurso de aproximadamente uma hora marcou a despedida do líder centrista.

O discurso de Paulo Portas dividiu-se em três partes: uma primeira dedicada à actualidade nacional, onde sugeriu a Carlos Costa, governador do Banco de Portugal que apresente a sua demissão; uma segunda dedicado à politica internacional, onde falou das relações com Angola, da problemática com os refugiados e da guerra na Síria e uma terceira e última mais emotiva, onde agradeceu aos militantes centristas, que o aplaudiram de pé durante largos minutos, à sua família e ao seu gabinete durante todos estes anos. Quanto ao futuro, Portas disse apenas que “fazer previsões a mais de seis meses é um atrevimento”.

Quanto a Assunção Cristas, o líder centrista disse que “Portugal espera que seja um par de mãos seguras”, recordando ainda que durante a sua liderança “viu passar” sete presidentes do PSD, cinco secretários-gerais do PS, quatro Presidentes da Republica e cinco Primeiros-Ministros.

O presente: a oposição interna liderada por Filipe Lobo D’Ávila

Filipe Lobo D'ÁvilaO ex-porta-voz do CDS, Filipe Lobo D’Ávila, foi um dos primeiros a assumir o seu apoio público a Nuno Melo quando Paulo Portas anunciou a sua saída da liderança. Afastada a hipótese da candidatura de Nuno Melo, o deputado centrista optou ainda assim por apresentar uma moção de estratégia global e na verdade tem sido uma das vozes mais cépticas quanto à liderança de Assunção Cristas.

As noites de Sábado para Domingo são sempre incertas no que toca aos acordos firmados entre as tendências, sendo que ao longo do dia tem vindo a ganhar força a hipótese de Filipe Lobo D’Ávila encabeçar uma lista ao Conselho Nacional. No entanto, ao que o Panorama sabe nas últimas horas essa hipótese perdeu algum fulgor, não sendo para já expectável que o ex-porta-voz venha mesmo a avançar.

Ainda assim a moção “Juntos pelo Futuro” tem vindo ao longo do dia a assumir-se como a tendência mais distante da liderança de Assunção Cristas, não se sabendo ainda se chegarão a acordo com a candidata à liderança para incluir algumas das suas propostas na estratégia para o partido.

O futuro: ex-Secretários de Estado do Turismo serão os nomes fortes de Assunção

Adolfo Mesquita NunesCuriosamente foram ambos Secretários de Estado do Turismo no governo de Pedro Passos Coelho, primeiro Cecília Meireles e depois Adolfo Mesquita Nunes, e serão segundo o jornal Expresso os dois vice-presidentes de Assunção Cristas a par de Nuno Melo que deverá manter-se como nº2 do partido.

Numa estrutura mais reduzida, que passará de sete para três vice-presidentes, ao qual se acrescenta o nome de Nuno Magalhães, como líder parlamentar, serão então Nuno Melo, Adolfo Mesquita Nunes e Cecília Meireles, os “braços-direitos” de Assunção Cristas. O Expresso adianta ainda que João Almeida, que lidera a moção que Adolfo Mesquita Nunes e Cecília Meireles integram, será o porta-voz do partido, substituindo assim Filipe Lobo D’Ávila.

Diogo Feio foi já anunciado como o líder do gabinete de estudos do CDS, uma área que constituiu uma aposta pessoal de Assunção Cristas, deixando assim de ser vice-presidente. Na comissão executiva deverão manter-se Paulo Núncio e Pedro Mota Soares, entrando ainda como novidades, Ana Rita Bessa, Teresa Anjinho e João Rebelo.

Pedro Morais Soares, que liderou a campanha interna de Assunção Cristas será o novo Secretário-Geral de Assunção Cristas, em substituição de António Carlos Monteiro.

No entanto, se em politica “o que hoje é verdade, amanhã é mentira”, em congresso “o que agora é verdade, daqui a uma hora pode ser mentira”, pelo que a noite em Gondomar pode ainda trazer algumas surpresas.

Descomplicador:

Paulo Portas despediu-se já do CDS, voltando amanhã para votar na nova direcção nacional. Para já, Filipe Lobo D’Ávila parece encabeçar a tendência mais céptica face à liderança de Assunção Cristas. Adolfo Mesquita Nunes e Cecília Meireles serão os nomes fortes da direcção da nova presidente.

 

Publicado por: Miguel Dias

Licenciado em Jornalismo pela Escola Superior de Comunicação Social. Assessor de comunicação numa federação desportiva, colabora com a imprensa regional na sua cidade, Almeirim e criou um conjunto de projectos temporários sobre politica local e nacional. Fundou ainda uma rádio regional e é comentador convidado de ténis da Eurosport.

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