Onde se colocam ideologicamente as 10 moções apresentadas no congresso do CDS?

São as dez as moções de estratégia global que estão a ser apresentadas no congresso do CDS. A moção de estratégia global é por norma o documento orientador da estratégia de um candidato ao partido. No entanto, no CDS, Assunção Cristas é candidata única mas pode ter que englobar ideias de dez moções, mais as sectoriais, caso sejam aprovadas em congresso. O Panorama esteve à procura da posição ideológica de cada uma.

Congresso CDSA moção A, apresentada pela Federação dos Trabalhadores Democratas-Cristãos, mostra receio caso o partido não continue a “respeitar os verdadeiros princípios da Democracia – Cristã e da Doutrina Social da Igreja”. Falando num discurso “não ideológico, mas sim doutrinário”, a moção pede assim ao partido que “resista  a  quaisquer  tentativas  de  afastamento  do  CDS – PP  do  seu património  histórico,  cultural  e  doutrinário,  da  Democracia – Cristã  ou  do caminho das preocupações sociais”.

A Juventude Popular apresentou também um conjunto global de estratégias, onde não toma partido por um dos três pilares ideológicos do CDS, preferindo assim englobar todos, até porque certamente terá jovens centristas das três sensibilidades. A moção dos jovens do CDS diz assim que: “Não escondemos que somos conservadores. Não  escondemos  que  somos  democratas – cristãos. Não escondemos que somos liberais”.

A moção C, de Filipe Lobo D’Ávila, porta-voz do partido até este congresso, segue a linha geral deste congresso e prefere não limitar ideologicamente o futuro do partido, dizendo que “um partido como o CDS tem de ter sempre   presente a sua matriz democrata-cristã e não pode deixar de continuar a ser um espaço que saiba incluir igualmente   conservadores e liberais”, acrescentando que o partido deve deixar de lado “disputas doutrinárias inúteis nem  qualquer predominância de uma qualquer tendência interna”.

A moção da corrente de oposição interna a Paulo Portas, liderada por Filipe Anacoreta Correia, refere que o CDS soube “protagonizar o maior movimento liberal português” e para o futuro aponta que “a identidade do CDS como partido personalista cristão nunca foi um impedimento do seu crescimento; pelo contrário, é também aquilo que nos diferencia e potencia o nosso crescimento”.

Congresso CDS 2Diogo Feio, embora próximo de Assunção Cristas, tendo sido o primeiro dirigente a declarar-lhe apoio, apresentou uma moção, mas onde segue as intenções da candidata à liderança centrista, dizendo que o partido “deve assumir – se como partido mais pragmático do que identitário”.

A moção de João Almeida, que integra vários nomes próximos de Paulo Portas, como Adolfo Mesquita Nunes, Cecília Meireles, Ana Rita Bessa e o seu assessor Diogo Belford Henriques, diz que o actual “desafio” do partido é “o  de  alargar  a base  de  eleitores,  afirmando  o  CDS como  o  partido referência  no  quadrante  ideológico  de  direita,  a  primeira  e  natural  escolha  de todos aqueles que acreditam na força do indivíduo e não acreditam na inércia do socialismo”, acrescentando que não se procura “um partido sem ideologia, pelo contrário, assumimos o  património ideológico do CDS”.

A moção J, assinada por João Maria Condeixa, afirma que o CDS tem como “lugar de origem o centro-direita” e que “o centro não é todo socialista e apresenta um território político que pode e deve ser ocupado por um CDS moderado  com forte potencial de crescimento nas três correntes ideológicas que lhe deram origem”, falando mais uma vez em “pragmatismo que lhe permitam responder às necessidades dos portugueses e aos principais problemas do país”.

Três das dez moções não referem qualquer posicionamento ideológico para o partido, entre elas a de Assunção Cristas, mas também a de Telmo Correia e a de Miguel Mattos Chaves.

A tendência:

A tendência verificada nas dez moções segue a linha de Assunção Cristas. O “pragmatismo” parece ser a palavra-chave do novo CDS que embora não renegando a sua base ideológica: o conservadorismo, o liberalismo e a democracia-cristã, não procura adoptar uma postura ideológica vincada, mas sim o “pragmatismo” que está na base para “alargar a base de apoiantes do CDS”, segundo Assunção Cristas.

As moções sectoriais

Para além das dez moções de estratégia global, ao congresso do CDS foram também apresentadas várias moções sectoriais que abordam temas como o poder local (Pedro Vidal e Manuel Maio), o serviço militar (João Paulo dos Santos), o desenvolvimento sustentável (João Pedro Lopes), a emigração (Paulo Freitas do Amaral), a educação (Helena Ribeiro e João Munoz), o desenvolvimento industrial (Jorge Condesso) e uma moção do distrito de Santarém.

No entanto, uma das moções sectoriais que estará debaixo dos holofotes será a de Isabel Galriça Neto que aborda o tema da eutanásia e que pede um desenvolvimento dos cuidados paliativos em Portugal, como resposta a um “fim de vida com dignidade”. A moção de Galriça Neto deverá ser a base do CDS para o debate futuro sobre a eutanásia.

Descomplicador:

Esta tarde estão a ser debatidas no congresso do CDS dez moções de estratégia global. O Panorama verificou as referências ideológicas presentes e o “pragmatismo” parece ser a palavra-chave do CDS do futuro.

Publicado por: Miguel Dias

Licenciado em Jornalismo pela Escola Superior de Comunicação Social. Assessor de comunicação numa federação desportiva, colabora com a imprensa regional na sua cidade, Almeirim e criou um conjunto de projectos temporários sobre politica local e nacional. Fundou ainda uma rádio regional e é comentador convidado de ténis da Eurosport.

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