Cristas com discurso em sprint para ganhar a “maratona”

A sessão de encerramento do 26º congresso do CDS estava agendada para as 12h30, mas a denominada “hora PP” ainda não foi posta para trás das costas e a nova presidente do partido, Assunção Cristas começou a sua intervenção apenas às 14h. No discurso, o adversário ficou bem patente: o Partido Socialista, e as primeiras propostas foram colocadas em “cima da mesa”.

Numa intervenção de 30 minutos, a contrastar com os longos discursos de Paulo Portas, Assunção Cristas reservou uma primeira parte para deixar um conjunto de elogios aos dirigentes do CDS, começando por Paulo Portas de quem “o exemplo é e continuará a ser muito inspirador”, mas também a dedicar minutos a Nuno Melo, Cecília Meireles e Adolfo Mesquita Nunes.

Assunção CristasPassando então para as propostas que pretende apresentar em primeira instância, lado-a-lado, com críticas ao governo liderado por António Costa, Assunção Cristas disse querer “um Portugal moderno, com economia dinâmica, que cria emprego, assente nas empresas e investimento privado”, para além de querer um país onde “o sistema de pensões permite construir a sua própria reforma – com previsibilidade”.

As pensões foram aliás um dos pontos em maior destaque, com a nova presidente do CDS a dizer que todos sabem que “o sistema de pensões irá falhar” e que é assim “demasiado relevante para ser ignorado”, garantindo então que “o CDS irá estudá-lo e proporá método de trabalho aos partidos, para acabar com o isolamento de posições que nada acrescentam”, afirmando ainda que o CDS aguarda pela disponibilidade do PS e que se “recusar, cairá a máscara a António Costa”.

Sobre Carlos Costa e o Banco de Portugal, aligeirando as declarações de Paulo Portas ontem, Assunção Cristas disse que “estamos cansados de ver bancos a cair e a regulação lamentar que não foi capaz de evitar”, mas acrescentando que “não é partidarizar, não é com o Governo a criticar as pessoas em concreto” que o problema se resolverá.

Sobre a função pública e o investimento privado, novo ataque às disparidades entre os dois sectores, afirmando que o CDS quer “uma Administração Pública motivada”, mas que não pode “aceitar dois países em matérias laborais”, prometendo ainda estudar uma forma de alargar a ADSE a todos, uma promessa que tinha feito já na apresentação da sua moção de estratégia global.

Assunção Cristas quer estabelecer as principais diferenças face ao Partido Socialista precisamente neste ponto, dizendo Assunção Cristas que os centristas querem “sector a sector, eliminar barreiras às empresas”, atraindo investimento estrangeiro e dizendo que se “os socialistas não acreditam nas empresas privadas, não acreditam nas pessoas, em tantos portugueses que dão o seu melhor para criar riqueza e empregos”.

A ponta final ficou reservada para o ataque final ao governo do PS e a António Costa, que acusou de “desbaratar” a confiança, “lançando Portugal desprotegido às intempéries”, utilizando o exemplo do Ministro da Economia que pediu para os portugueses não abastecerem em Espanha e criticando fortemente o Orçamento de Estado que disse ser “uma ilusão” e que considerou ser “orçamento ideal para entrar em vigor no dia 1 de Abril”. A líder centrista terminou debaixo de fortes aplausos ao dizer que o seu objectivo “não é uma liderença de 100 metros, mas sim uma maratona”.

Apoio imediato a Rui Moreira, com Manuel Pizarro a ver

As autárquicas foram também abordadas na primeira intervenção de Assunção Cristas, que classificou estas eleições como o “primeiro grande desafio nacional” e onde disse apoiar já inequivocamente Rui Moreira na recandidatura à Câmara Municipal do Porto, tal como o CDS fez em 2013.

Esta declaração teve ainda mais significado, tendo em conta que entre os convidados estava Manuel Pizarro, recém-eleito presidente da distrital do Porto do Partido Socialista e que pretende ter Rui Moreira como candidato do PS nas autárquicas de 2017, tendo em conta que Pizarro é vereador com pelouros no executivo do independente portuense.

Descomplicador:

Foi um discurso em “sprint” o primeiro de Assunção Cristas enquanto presidente do CDS. A reforma das pensões, a diferença laboral entre o público e o privado e as autárquicas foram os pontos abordados na primeira intervenção da presidente centrista.

Publicado por: Miguel Dias

Licenciado em Jornalismo pela Escola Superior de Comunicação Social. Assessor de comunicação numa federação desportiva, colabora com a imprensa regional na sua cidade, Almeirim e criou um conjunto de projectos temporários sobre politica local e nacional. Fundou ainda uma rádio regional e é comentador convidado de ténis da Eurosport.

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