Portugal obrigado a ceder na CPLP

Portugal foi mesmo obrigado a ceder nas suas intenções no seio da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) e vai dividir o seu mandato de quatro anos com São Tomé e Príncipe. O país africano vai liderar a estrutura durante os dois primeiros anos e Portugal nos dois anos finais, dividindo assim o mandato de quatro anos previsto nos estatutos.

CPLPAugusto Santos Silva, Ministro dos Negócios Estrangeiros disse ao lado do seu homólogo angolano que “as decisões na CPLP são tomadas por consenso, essa é a regra de consenso”, acrescentando que “foi muito fácil chegar a consenso”. Angola foi um dos países que acusou Portugal de “se estar a impor” no seio da organização.

Hernâni Coelho, Ministro dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação de Timor foi o primeiro a anunciar a solução encontrada. Em conferência de imprensa o responsável timorense explicou que “a candidatura para os próximos anos será dividida em duas partes distintas. Nos primeiros dois anos será dada a oportunidade a São Tomé e depois será Portugal”.

Os responsáveis dos países acordaram também rever os estatutos por forma a garantir no futuro uma melhor forma de escolha do secretário-executivo da CPLP, devido à confusão que se gerou nestas últimas semanas com a intenção portuguesa de avançar para a liderança.

A confusão gerou-se, segundo o responsável angolano, devido ao facto de existir uma “interpretação dos dois lados que era diferente já que uns pensavam que era por ordem alfabética, omitindo Portugal que era sede e outros que pensavam que a ordem alfabética era directa”, disse Georges Chikoti. No entanto, uns países não consideraram que Portugal não pudesse liderar a estrutura, enquanto outros afirmavam que o país onde se localiza a sede não pode escolher o secretário-executivo.

Descomplicador:

Portugal vai dividir a liderança da CPLP com São Tomé e Principe, ficando cada país com dois anos do mandato de quatro previsto nos estatutos. A confusão com a liderança portuguesa ficou assim resolvida “por consenso”, segundo adiantou o Ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva.

Publicado por: Miguel Dias

Licenciado em Jornalismo pela Escola Superior de Comunicação Social. Assessor de comunicação numa federação desportiva, colabora com a imprensa regional na sua cidade, Almeirim e criou um conjunto de projectos temporários sobre politica local e nacional. Fundou ainda uma rádio regional e é comentador convidado de ténis da Eurosport.

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