Líder da distrital de Braga do CDS acusa Assunção Cristas de “terrorismo”

O Congresso do CDS aparenta não ter ocorrido da forma unânime que as capas dos jornais fizeram parecer. Três dias depois do congresso, Altino Bessa, presidente da distrital de Braga dos centristas, acusa a nova líder do partido de utilizar “os mesmos métodos que o anterior presidente”, chegando mesmo a classificar os actos como “terrorismo”.

Altino BessaO ex-deputado Altino Bessa mostra-se indignado com o “clima de intimidação junto das pessoas que subscreveram a lista encabeçada por Filipe Lobo d’Ávila ao Conselho Nacional”, ou seja, a lista alternativa à de Assunção Cristas ao Conselho Nacional.

“As pressões que foram feitas no sábado fizeram-me sentir como se eu fosse um terrorista no meu próprio partido, quando o que nós pretendíamos era apresentar uma lista”, criticando “os métodos” que o partido continua a praticar, “idênticos aos que eram usados no passado”.

O presidente da distrital de Braga declara ainda que “Assunção Cristas deveria estar acima deste tipo métodos, até porque nenhum de nós estava contra a sua escolha para líder do partido”. “Assunção Cristas não pode ficar refém de tiques que vêm do passado. Isso é um erro”, insiste Altino Bessa.

Em declarações ao Público, Bessa discorda com a posição tomada pela direcção do partido em ter escolhido Manuel Gonçalves, ex-vereador da Câmara do Porto, para ser secretário-geral adjunto do Norte. Tal acontece, porque as outras distritais não foram chamadas a opinar sobre a nomeação, numa atitude contraditória de Assunção Cristas que tinha como bandeira da sua candidatura “foi uma linha de maior diálogo com as distritais”. Para Altino Bessa, Assunção Cristas, deveria ter-se reunido com as distritais do norte e aí “fazer uma avaliação para a escolha de secretário-geral-adjunto do Norte”. Altino Bessa lamenta assim a oportunidade desperdiçada “para mostrar a abertura do partido para com as estruturas”.

Congresso CDSDeclarando-se contra um “partido centralizado no Largo do Caldas”, Altino Bessa desafia Assunção Cristas a “acabar com as estruturas distritais”. O dirigente distrital aproveitou ainda para criticar Paulo Portas pela forma como conduziu, em 2015, a escolha dos deputados pelo círculo eleitoral de Aveiro, manchado por situações como a substituição de Raul Almeida da lista para meter António Carlos Monteiro, o ex-secretário-geral do CDS, em terceiro lugar.

Do congresso não saiu um CDS unido como se esperava, e o grupo liderado por Filipe Lobo d’Ávila já provocou estragos. O primeiro foi Fernando Camelo que se demitiu da comissão política da concelhia de Ovar. O segundo foi o presidente da comissão política da concelhia de Águeda, Miguel Vida, a apresentar a demissão.

Contacto pelo Panorama, Filipe Lobo D’Ávila, que liderou a lista opositora a Assunção Cristas ao Conselho Nacional, recusou comentar estas declarações, dizendo que “o congresso do CDS acabou no passado dia 13 de Março” e que agora “é tempo de dar oportunidade à nova liderança para se afirmar”.

Descomplicador:

Altino Bessa, líder da distrital de Braga do CDS foi o primeiro a “abanar” a estabilidade conquistada por Assunção Cristas no congresso dos centristas. O líder de Braga acusa Assunção de imitar “tiques” do anterior presidente, Paulo Portas.

ygztbykr@eelmail.com'
Publicado por: Tomás Gomes

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *