Rui Moreira apresenta livro dias antes do “fim da TAP como a conhecemos”

Rui Moreira este na Livraria Almedina em Lisboa, um dia depois de ter enchido a Fundação Serralves para apresentar o livro “TAP – Caixa Negra” que relata os últimos meses de “luta” entra a Câmara Municipal do Porto e a companhia aérea. A apresentação esteve a cargo de Miguel Sousa Tavares e contou com uma plateia com figuras de todos os quadrantes políticos.

Rui Moreira Nuno Nogueira SantosO presidente da Câmara do Porto começou a sua intervenção por justificar que este livro “não é uma auto-justificação” mas sim um “argumentário” que tem como objectivo rebater tudo o que tem vindo a ser dito pela TAP em sua defesa e que para o autarca portuense cumpriu já uma parte do seu objectivo visto que “a TAP deixou de desmentir as noticias para passar a silenciá-las”.

Rui Moreira afirmou mais uma vez que “nesta guerra” a sua preocupação foram os portuenses e mostrou que mesmo vereadores da oposição, como Ricardo Valente do PSD também participaram neste livro que foi lançado por Rui Moreira e por Nuno Nogueira Santos, seu assessor para a comunicação e que contou com o prefácio de Luís Valente de Oliveira, ex-Ministro das Obras Públicas e “uma chancela de qualidade” para o presidente portista.

Quanto à actuação da TAP propriamente dita, Rui Moreira considera que “não é o estado nem o senhor Humberto Pedrosa que mandam na companhia, porque se o fizessem certamente outro galo cantaria”, deixando assim as suspeitas sobre David Neeleman que diz ter “uns aviões a hélices parados no Brasil que vai agora aproveitar para desviar passageiros do Porto”.

O presidente da autarquia do Porto revelou ainda que durante um mês foram colocadas várias questões a diversas entidades e que “ninguém soube dar respostas”, lamentando assim a forma como “se delapidou um activo” e mostrando-se também contra a forma como “foram privatizados os aeroportos”.

Rui Moreira diz que este livro encerra assim a sua argumentação contra a empresa e que a obra foi escrita em “contra-relógio” por ter de sair antes do inicio da ponte aérea entre Porto e Lisboa que será segundo Rui Moreira, “o fim da TAP como a conhecemos”.

Fora do domínio exclusivo da TAP mas sobre as dicotomias vividas entre Lisboa e o resto do país, Rui Moreira lamenta que Portugal seja “cada vez mais centralista”, dizendo em jeito de brincadeira que “cada governo que entra eu digo: pode ser mais ou menos competente, mas certamente será mais centralizado”, dizendo que essa é a tendência em Portugal.

Para o autarca, a regionalização é uma prioridade, bem como a reforma do sistema politica, dizendo não saber se a culpa é da “constituição sacro-santa” que Portugal tem e avançando que no futuro poderá escrever um livro semelhante sobre a destruição dos portos e da marinha mercante em Portugal.

“O Rui Moreira não foi entendido em Lisboa”

Miguel Sousa Tavares Rui Moreira Nuno Nogueira SantosMiguel Sousa Tavares acompanhou Rui Moreira no desígnio de um Portugal “a dois tempos”, dizendo que “Rui Moreira não foi entendido em Lisboa”, que só pelo facto de “ter mais habitantes e mais movimento internacional não pode querer que uns sejam tudo e outros sejam de uma segunda divisão”.

Apesar de se mostrar contra a regionalização, Miguel Sousa Tavares afirmou estar contra a privatização da TAP, falando da forma como a companhia era importante “sobretudo nos países de influência portuguesa”. Para Sousa Tavares, Portugal não pode “privatizar tudo e depois queixar-se dos capitais angolanos e espanhóis”. O escritor e cronista disse ainda ser a favor de uma redução do número de Câmaras Municipais para que “menos conquistem mais força”.

Por fim, e embora “estas questões não sejam best-seller”, como disse Rui Moreira, Nuno Nogueira Santos, co-autor da obra disse que ao longo do trabalho ambos sentiram que “tinham razão”, facilitando assim a escrita deste “TAP – Caixa Negra”.

Ex-membro do governo de Passos Coelho na primeira fila

Jorge Barreto XavierNa primeira fila da apresentação do livro em Lisboa estava o ex-Secretário de Estado da Cultura do governo de Pedro Passos Coelho, Jorge Barreto Xavier. O ex-governante que integrou o governo responsável pela privatização da TAP não se coibiu de marcar presença e de comprar o livro assinado por Rui Moreira e Nuno Santos.

Também presentes no evento estavam Jaime Nogueira Pinto e o deputado do Partido Socialista e presidente do PS Porto, Tiago Barbosa Ribeiro, que mais tarde no seu Facebook escreveu que “quando está em causa o Porto, nunca terei dúvidas sobre o lado em que estou”. O recém-nomeado presidente do Gabinete de Estudos do CDS, Diogo Feio, também marcou presença no lançamento.

Descomplicador:

Rui Moreira apresentou o seu livro sobre a TAP em Lisboa, com apresentação de Miguel Sousa Tavares e afirmou que “o inicio da ponte aérea é o fim da TAP como a conhecemos”. Na plateia estavam presentes desde deputados do PS a dirigentes do CDS, passando por um ex-Secretário de Estado de Pedro Passos Coelho.

Publicado por: Miguel Dias

Licenciado em Jornalismo pela Escola Superior de Comunicação Social. Assessor de comunicação numa federação desportiva, colabora com a imprensa regional na sua cidade, Almeirim e criou um conjunto de projectos temporários sobre politica local e nacional. Fundou ainda uma rádio regional e é comentador convidado de ténis da Eurosport.

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