“País à beira-mar plantado de origem humilde e de grandes feitos, eis os Lusitanos”

Este título poderia significar o início de uma epopeia de exaltação da nação portuguesa, dos seus heróis e dos seus feitos, mas não, deixamos essa perspectiva camoniana a quem de direito pois a nossa versão da história é outra.

Segundo um general romano de nome Sérvio Sulpício Galba, no séc. I a.C., existiana parte mais ocidental da Ibéria, um povo muito estranho que não se governava nem se deixava governar. Seria tal general um visionário ou profeta da desgraça? Certamente não, mas tal consideração mantém-se plenamente válida e lúcida no séc. XXI.

Parlamento Assembleia da Republica

Chegados ao ano de 2016 é de fácil constatação que o atual sistema político português encontra-se profundamente deteriorado. Isto é, numa perspectiva interna, os agentes políticos estão descredibilizados por editos pretorianos, leia-se programas eleitorais, não cumpridos e pelo constante rotativismo anémico típico do sistema em que estamos inseridos, que podemos rotular de constantes “mudanças na continuidade”. Do ponto de vista externo, a geração que se diz mãe e pai da liberdade, que brada aos quatro ventos ter conquistado a liberdade e inerente direito ao voto, em cada ato eleitoral, esquece-se dos ensinamentos de Platão, opta pela penalização da sua não participação na política, em suma, acaba governada pelos seus inferiores.

Numa vertente lapaliciana da análise, podemos proclamar que D. Sebastião certamente não voltou numa manha de nevoeiro, proclamar igualmente que a espera inerte e comodista de que chegasse um dia também não se revelou o caminho acertado, assim como acreditar que voltará nada mais é do que autismo típico de opinador de sofá. Opinador esse que aguarda que chegue o grande salvador da pátria enquanto efetua zapping televisivo e pragueja simultaneamente o lastimável estado a que o país chegou, procurando ser o novo-velho do Restelo.

Quando se sente a cada recanto que a palavra “querer”, palavra que deslumbra a sombra indecisa, foi substituída, materialmente, pela palavra “descrer”, isto é, quando hoje se sente que existe um vazio de causas/convicções e que as atuais instituições à muito perderam parte significativa da sua credibilidade, algo vai profundamente errado no caminho trilhado.

Eleições Votações Voto

Desengane-se quem acha que o problema de Portugal é puramente económico. Por de trás de cada ciência ou instituição estão pessoas, pessoas essas que são o núcleo basilar da criação e tomada de decisão das mais variadas vertentes ou matérias, empresas ou entes públicos, Constituição ou Código Civil, em suma, o substrato de tudo.

Assuma-se de uma vez por todas uma cultura de responsabilização, basta de paternalismos utópicos. O povo que elege políticos menos competentes não é vítima, é cúmplice.

Ainda há tempo para um grande Portugal, um quinto império espiritual. A verdadeira mudança reside aí, na base, no substrato, na mentalidade, na forma de estar e ser, mudando a base, tudo o que dela ramifica significará um verdadeiro novo paradigma.

Publicado por: Fábio Seguro Joaquim

Advogado. Vice-Presidente da Comissão Politica Nacional da Juventude Popular. Membro da Assembleia Municipal de Leiria.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *