Angola divide Bloco de Esquerda e PCP

O chumbo no parlamento português dos votos de condenação à prisão dos 17 ativistas angolanos pôs Bloco de Esquerda (BE) e PCP em lados diferentes da barricada. Os bloquistas, assim como o PS, votaram a favor do voto de condenação e pediram a libertação imediata dos ativistas. Já os comunistas votaram contra por considerar que Portugal não deve deliberar sobre assuntos da competência das autoridades angolanas.

Catarina MartinsEsta divergência rapidamente passou do sufrágio na Assembleia da República para as acusações nas redes sociais. A própria líder do BE, Catarina Martins, publicou nas redes sociais um pequeno texto em que criticava indiretamente o PCP: “Se um dia formos chamados a defender 17 jovens comunistas presos na Hungria ou Ucrânia por lerem um livro, também não ficaremos em silêncio”.

Esta publicação não agradou aos comunistas, que não tardaram em reagir à polémica. Miguel Tiago respondeu diretamente a Catarina Martins e utilizou também as redes sociais para o fazer.  O deputado do PCP fez questão de relembrar “o dia em que o BE e a Catarina [Martins] não quiseram condenar na AR o ataque dos nazis aos comunistas e sindicalistas a quem foi deitado fogo na Ucrânia”, acusando mesmo os bloquistas de só defenderem comunistas se forem presos por ler um livro e não se forem “assassinados por serem comunistas”.

Para além desta divergência entre Catarina Martins e Miguel Tiago, houve ainda mais membros tanto do Bloco de Esquerda como do PCP a trocar acusações. O tema de Angola criou assim uma divergência entre BE e PCP poucos dias depois de ambos os partidos terem cotado lado a lado o Orçamento do Estado para 2016.

Recorde-se que, na segunda-feira, os ativistas ficaram a conhecer as suas sentença que foram de dois anos e três meses até aos oito anos e meio. O luso-angolano Luaty Beirão foi condenado a uma pena de cinco anos e meio de prisão.

Descomplicador:

Bloco de Esquerda e PCP não votaram no mesmo sentido quanto à condenação da prisão dos 17 ativistas angolanos, entre os quais se encontra Luaty Beirão. Este tema dividiu assim dois dos partidos que compõem a maioria parlamentar que suporta o Governo de António Costa.

Publicado por: José Pedro Mozos

22 anos, natural de Lisboa. Aos dezasseis anos percebeu que a sua vocação era o jornalismo. Licenciado em jornalismo pela Escola Superior de Comunicação Socia e pós graduado em Jornalismo Multiplataforma pela FCSH - Universidade Nova de Lisboa. Foi comentador num programa da rádio da sua faculdade sobre actualidade política; editor de música da ESCS Magazine e escreveu para o site Bola na Rede. Acredita no jornalismo como sendo um dos pilares de qualquer democracia. Atualmente, é jornalista na SIC Notícias.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *