“Temos tempo. Não temos pressa”. Passos falou um pouco de tudo

Pedro Passos Coelho falou durante mais de uma hora no encerramento do 36º congresso do PSD em Espinho e falou do passado, do presente e do futuro; da Europa e do país, numa intervenção onde tocou em todos os assuntos da actualidade.

Pedro Passos Coelho“Temos tempo. Não temos pressa” disse Pedro Passos Coelho, acrescentando que “olhamos para o futuro pensando que nos devemos preparar continuamente para dar aos portugueses a possibilidade de terem um melhor futuro”, depois de ter abordado a necessária reforma da Segurança Social, que “está construída para um mundo que já não existe e por isso gera sempre desconfiança para o futuro” e um “debate sério sobre a Lei Eleitoral”, com o líder do partido a dizer que não antevê eleições nos próximos anos.

Quanto à reforma da Lei Eleitoral, Pedro Passos Coelho defendeu a possibilidade de “poder escolher os deputados para além dos partidos que preferem”, dizendo ainda que “as pessoas querem ter mais confiança em que o seu voto é respeitado. Em que a sua vontade é traduzida na vontade do que nos representam no Parlamento” e acreditando que actualmente “é a escolha do cidadão que conta, não a ideologia que queremos pôr na testa uns dos outros. O voto partidário há muitos anos que está em remissão”, defendeu o recém-eleito presidente dos Sociais-Democratas.
Quanto aos próximos desafios, Pedro Passos Coelho colocou a fasquia alta nas eleições autárquicas, afirmando que “o PSD é um partido de grande implantação autárquica” e que por isso quer assim “eleger o maior número de presidências de Câmara e de Juntas de Freguesia”. Os Açores também foram visados por Passos Coelho, que disse que “Duarte Freitas, nos Açores, vai propor aos açorianos que possam ambicionar mais para a região nos próximos quatro anos”, não esquecendo a vitória conquistada na Madeira por Miguel Albuquerque.

“A Europa tem de retribuir para com aqueles que são responsáveis”

A Europa foi alvo de uma parte grande da intervenção de Passos Coelho, que entre os desafios europeus abordou também o seu passado enquanto Primeiro-Ministro. O líder social-democrata disse que o PSD “não tem uma perspectiva federalista da Europa, mas temos uma perspectiva europeísta”, garantindo que o futuro de Portugal “está ligado à Europa”.

Pedro Passos CoelhoAssim, o ex-Primeiro-Ministro defendeu que “se não podemos desvalorizar a moeda, podemos então reclamar mecanismos para resolver problemas de ajustamento, que os países hoje não têm. Se não conseguirmos dar este salto, a Europa implodirá”, garantiu.

Sempre com a Europa como motor de evolução para o país, Passos Coelho recordou que “só a falta de isenção e rigor pode impedir de ver (…) que o país tem hoje a possibilidade de olhar para o futuro de forma diferente e bem mais esperançosa do que tinha em 2011”, referindo ainda que o país continua a ter “problemas graves ao nível da sustentabilidade financeira” e que “o crescimento a 2,5% não nos permite pagar as dívidas a um ritmo adequado nem crescer para o futuro”.

Quanto à reestruturação da dívida, defendida ao longo dos últimos quatro anos, Pedro Passos Coelho recordou que o PSD quis antecipar os pagamentos ao FMI “porque podíamos ir buscar dinheiro mais barato no futuro, não era para satisfazer o FMI”, salientou, dizendo ainda que sabia que “no dia em que se falasse em reestruturar a dívida, caminharíamos para um segundo resgate”. Para o líder social-democrata, “a Europa tem de retribuir para com aqueles que são responsáveis e capazes de atingir os seus objectivos”.

Para o fim, uma certeza: “Não concordamos com este governo e com esta maioria. Este governo e esta maioria não precisam de nós” e “quem tem o ónus de garantir a estabilidade no país são o PS, o Bloco e o PCP”, garantindo ainda o líder reeleito com 95% dos votos, com a Comissão Politica a ser eleita com 80% que o PSD saiu hoje de Espinho, “reforçado” e que “Portugal continua a contar connosco”.

Descomplicador:

Pedro Passos Coelho abordou a reforma da Segurança Social e um “debate sério” sobre a Lei Eleitoral como as grandes bandeiras para o futuro do PSD, um partido que diz “não ter pressa”, não antevendo eleições nos próximos anos.

Publicado por: Miguel Dias

Licenciado em Jornalismo pela Escola Superior de Comunicação Social. Assessor de comunicação numa federação desportiva, colabora com a imprensa regional na sua cidade, Almeirim e criou um conjunto de projectos temporários sobre politica local e nacional. Fundou ainda uma rádio regional e é comentador convidado de ténis da Eurosport.

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