Ex-director do CCB acusado de deixar buraco de 6 milhões

António Lamas, que deixou recentemente de ser director do Centro Cultural de Belém, debaixo de muita polémica, foi acusado pelo gabinete do Ministro da Cultura, João Soares de ter deixado um buraco financeiro de 6 milhões de euros, ao utilizar fundos comunitários que não estavam assegurados.

João SoaresA noticia foi avançada ao semanário Expresso e tem origem no gabinete de João Soares, que foi o responsável pela demissão de António Lamas depois de ter aberto uma “guerra publica” com o ex-director do CCB. Ao que diz o gabinete do ministro, António Lamas candidatou uma série de projectos a um fundo comunitário que se encontrava já em “overbooking” (valor dos projectos ultrapassa o valor dos fundos), e executou esses mesmos projectos sem ter garantias.

Assim, diz o gabinete, o Centro Cultural de Belém encontra-se numa situação de ruptura financeira, estando a funcionar em “serviços mínimos” e obrigando o Fundo de Fomento Cultural, uma “espécie de SOS para qualquer entidade tutelada pelo Ministério da Cultura” a ter que ser activado para dar resposta às necessidades da organização.

Os projectos apresentados eram na área de actuação do Eixo Ajuda-Belém, relacionados com o Jardim Botânico da Ajuda, com o Jardim Cientifico e Tropical. Contactado pelo Expresso, António Lamas diz não saber “do que está o gabinete do ministro a falar”.

António Lamas foi chamado ao Parlamento

António Lamas CCBO ex-director do CCB, agora substituído por Elisio Summavielle, foi chamado à Assembleia da Republica pelo PSD para dar a sua versão dos factos acerca da sua demissão assinada pelo Ministro da Cultura, João Soares. No Parlamento, Lamas defendeu que era falsa a tese de que a autarquia de Lisboa não tinha sido ouvida na questão do Eixo Belém-Ajuda.

“Fui conduzido na praça pública a um empurrão para me demitir. Eu achei que não o devia fazer porque não concordei com as razões”, disse António Lamas, reforçando o “orgulho” no projecto do Eixo Belém-Ajuda que foi classificado por João Soares como “um disparate”.

Já pelo Partido Socialista, Gabriela Canavilhas saiu em defesa de Soares, afirmando que não existiram “motivações politicas” por trás da saída de Lamas do CCB. O ex-presidente do centro disse ainda que “o que está aqui em causa é a substituição de uma pessoa pura e simplesmente por outra pessoa”, acrescentando que não existem “diferenças de fundo” e que lamenta que “o CCB tenha de mudar de direcção sempre que muda o governo”.

Descomplicador:

O gabinete de João Soares acusou o ex-director do Centro Cultura de Belém de deixar um buraco de 6 milhões de euros, devido a ter executado projectos cujos fundos comunitários não estavam ainda garantidos. No Parlamento, António Lamas reforçou o “orgulho” no projecto do Eixo Belém-Ajuda.

Publicado por: Miguel Dias

Licenciado em Jornalismo pela Escola Superior de Comunicação Social. Assessor de comunicação numa federação desportiva, colabora com a imprensa regional na sua cidade, Almeirim e criou um conjunto de projectos temporários sobre politica local e nacional. Fundou ainda uma rádio regional e é comentador convidado de ténis da Eurosport.

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