A homenagem do “Presidente dos afectos” aos combatentes de “antes e de agora”

“É com elevado sentido de orgulho que como Comandante Supremo das Forças Armadas presto hoje a minha homenagem aos combatentes do passado, aos combatentes de sempre”, foi assim que Marcelo Rebelo de Sousa prestou tributo aos combatentes portugueses na 98ª comemoração do Dia do Combatente, que relembra também a participação na 1ª Guerra Mundial através da Batalha de La Lys. As comemorações ocorreram no Mosteiro de Santa Maria da Vitória, na Batalha e contou, como habitual, com a presença dos três ramos das forças armadas.

Forças Armadas O dia era de homenagem aos que outrora combateram e morreram pelo nosso país. Mas desta vez foi diferente. Desta vez veio o Presidente da República. Já fazia anos largos desde que o último presidente, Aníbal Cavaco Silva, tinha presidido às homenagens deste dia; tão importantes para quem envergou a bandeira de Portugal em zonas em que o som de tiros era mais comum que o silêncio. O dia começou com a missa de sufrágio pelos combatentes que morreram em combate. Sentado na segunda fila da igreja do Mosteiro da Batalha, Marcelo assistiu à missa ao lado de Paulo Baptista Santos, presidente da Câmara da Batalha, e António Lucas, presidente da Assembleia Municipal. A curiosidade em estar perto do Presidente, a que lá fora as muitas senhoras chamavam o ‘presidente dos afectos’, era enorme. A igreja estava bem composta, mas era notória a grande mancha de pessoas ao pé de Marcelo Rebelo de Sousa face a outras zonas da Igreja. Todos o queriam ver.

Terminada a missa foi tempo para os discursos; e para a primeira grande ‘chuvada’ da manhã. O primeiro a ter o direito da palavra foi o Presidente da Liga dos Combatentes, o tenente-general Joaquim Chito Rodrigues. Depois seguiu-se o momento mais esperado da manhã, entre as paradas militares e o entoar do hino nacional,: as palavras de Marcelo Rebelo de Sousa. O Presidente da República, também Chefe Supremo das Forças Armadas, evocou Nuno Álvares Pereira para elogiar o espírito dos que combatem por Portugal, “é com elevado sentido de orgulho que como Comandante Supremo das Forças Armadas presto hoje a minha homenagem aos combatentes do passado, aos combatentes de sempre, e assumo firme e convictamente a missão de apoiar os combatentes de hoje e asseguro tudo fazer para o espírito de D. Nuno Álvares Pereira se mantenha como modelo e guia dos combatentes no futuro”.

Marcelo Rebelo de SousaApesar disso os tempos mudaram. O que se combateu no século anterior não são as mesmas batalhas dos dias de hoje, as ameaças de antigamente são muito diferente das de hoje. Basta olhar para as movimentações do Daesh e perceber que não há um fio condutor, que as coisas acontecem onde menos se espera e sem nenhum indício disso. Marcelo não esqueceu isso. “Os tempos de hoje trouxeram novos paradigmas ao campo de Batalha os teatros de operações militares passaram a ocupar domínios cada vez mais vastos e rapidamente os conflitos regionais deram lugar aos conflitos globalizados. Existem actualmente diferentes ameaças, altamente versáteis, despidas de qualquer ética militar num mundo cada vez mais complexo em que as antigas certezas já não nos servem”.

Marcelo terminou e foi tempo para a ovação das centenas – ou milhares – de pessoas que foram lá para o ver, e começou mais uma parada. Rodeado por bandeiras de núcleos da Liga dos Combatentes, de norte a sul do país, seguiu para dentro do Mosteiro da Batalha para a Sala do Capitulo onde depositou uma coroa de flores sobre o túmulo do soldado desconhecido, relembrando, e prestando tributo, a batalha de La Lys onde 300 portugueses morreram e mais de 6000 foram feitos prisioneiros, na maior derrota de sempre de Portugal depois da batalha de Alcácer-Quibir.

Entre as pessoas

Forças ArmadasPor entre o público ouvia-se muitas palavras de afecto para com o Presidente da República, “foi a pé da pousada a pé até ao mosteiro”, “ele é tão simpático, tão perto de nós”. As senhoras derretiam-se para com o ‘presidente dos afectos’, os homens saudavam-no. Quem não se mostrou muito satisfeito foram alguns dos ex-combatentes a quem, inclusive, foi barrada a entrada na Sala do Capitulo a quando da cerimónia no túmulo do soldado desconhecido. Queixaram-se deste ano, “isto não costuma ser assim, nem ter tanta polícia. Já vi muita coisa que não gostei”, comentou um ex-oficial que não conseguiu entrar.

Descomplicador:

Marcelo Rebelo de Sousa marcou hoje presença no Dia do Combatente, algo que Cavaco Silva não fazia há vários anos. O entusiasmo à volta do “novo” Presidente da Republica foi a tónica do dia, com a população local a querer estar sempre perto de Marcelo Rebelo de Sousa.

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Publicado por: Tomás Gomes

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