A derrocada: aprovado o parecer para o “impeachment” de Dilma

A comissão especial convocada especialmente para votar o parecer acerca do impeachment para a atual presidente considerou aprovada a necessidade para uma nova reunião. Para quem apoiava o governo federal de Dilma Roussef, tudo isto não passava de um golpe. «Não existe impeachment para a impopularidade» dizia o líder do Partido Humanista da Solidariedade, Marcelo Aro, e assim foi. Por 38 votos, contra 27, inicia-se o processo de avaliação para a destituição.

Brasil Dilma Roussef ImpeachmentFeita a avaliação do relatório elaborado pelo deputado Jovair Arantes, do PTB (Partido Trabalhista brasileiro), que era a base da proposta para a destituição de Dilma, segue-se agora a votação no plenário da Câmara dos Deputados. A atual presidente necessita de 171 votos, um terço do número de deputados (513) para que não seja efetivamente afastada. Contudo, as contas complicaram-se depois da debandada do PMDB para fora do governo, já que o Partido do Movimento Democrático Brasileiro é o maior movimento político do país.

Durante várias horas consecutivas, mais de 25 partidos deram voz à sua opinião, ainda que cruzada com momentos atribulados que daí derivaram. A nova fase do processo, ou seja, a ida a plenário, pode já acontecer neste fim de semana. Caso não consiga o terço necessário para barrar o «impedimento», a presidente tem até 180 dias para apresentar uma defesa. Enquanto isso, Michel Themer, o vice-presidente, assume o cargo interinamente. Nessa fase, é convocado o presidente do Supremo Tribunal de Justiça que vai avaliar a defesa. Para ser destituída, o parecer teria de conseguir 2/3 dos votos necessários, ou seja, ter 54 senadores a favor. Se assim for, Dilma Roussef será definitivamente afastada. Até lá, resta esperar pelo fim de semana.

O áudio do Vice-Presidente

Michel Temer BrasilOs últimos momentos antes da votação ficaram marcados pelo lançamento de um ficheiro de áudio gravado por Michel Themer que tinha os parlamentares como único destinatário. Contudo, acabou por chegar às páginas da imprensa brasileira. Na gravação, que conta com uma duração de 15 minutos, o ainda vice-presidente do Brasil antecipa a destituição de Dilma Roussef, falando como se o impeachment já tivesse sido aprovado. É uma espécie de ‘pronunciamento à nação’, como dizem os jornais do país, e que deveria ter sido lançada entre a aprovação do impeachment e o início do processo no senado: «Aconteça o que acontecer, no futuro, é preciso um governo de salvação nacional e, portanto, de União Nacional. É preciso que se reúna todos os partidos políticos e todos aqueles que estejam dispostos à colaboração para tirar o país da crise», diz.

Fica ainda mais claro que Michel Temer se assume diretamente como «substituto constitucional da Presidente da República» e acrescenta ainda que: «Vamos ter muitos sacrifícios pela frente. Sem sacrifícios, não conseguiremos avançar para retomar o crescimento e o desenvolvimento que pautaram o nosso país nos últimos tempos, antes desta última gestão».

O novelo de lã da corrupção

Uma sondagem realizada pela Datafolha, um instituto de estatística brasileiro, concluiu que 61% dos brasileiros está a favor da destituição de Dilma Roussef. O número pode parecer elevado, mas ainda no mês passado rondava os 70%. Por outro lado, 58% dos entrevistados diziam aprovar um impeachment ao vice-presidente Michel Themer. Feitas as contas, os números revelam o panorama da política brasileira, que é pode parecer no fundo um gato, com o seu novelo de lã que é a corrupção. E acrescenta-se uma caixa de areia infindável, de onde não parece fácil o animal sair.

A metáfora parece robusta, mas representa a forma como muitos olham para a cúpula do Planalto. E os dados deixam margens para poucas dúvidas. Por exemplo: Eduardo Cunha, presidente do congresso, tem também um processo de destituição com que lidar, por suspeitas de corrupção.  Ou ainda outro exemplo: dos 65 membros do colégio que vão apreciar o processo contra Dilma Roussef, 8 têm processos crime em curso no supremo tribunal. A estes números juntam-se mais 25, que têm casos em tribunais de instâncias inferiores.

Em pleno horário nobre da SIC, o comentador Miguel Sousa Tavares destacou outra figura polémica no meio disto tudo: Paulo Maluf foi Perfeito da cidade de São Paulo e ex-governador desse Estado e que foi detido durante 40 dias no Brasil. É ainda alvo de um mandato internacional, por parte da Interpol, por branqueamento de capitais e corrupção, mas apesar disto tudo, faz parte do grupo que vai decidir o futuro da Presidente.

Descomplicador:

Numa reunião especial, um grupo de deputados destacados votaram a favor do avanço para a próxima fase do processo: a avaliação e votação para o afastamento de Dilma Roussef. A votação pode ter lugar este fim de semana.

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Publicado por: Luís Fernandes

19 anos. Estudante de jornalismo na Escola Superior de Comunicação Social em Lisboa. Desde cedo que soube o caminho que queria trilhar e que passava, sem qualquer dúvida, pela comunicação: o jornalismo – a vontade de informar, a forma de oferecer a quem lê, ouve ou vê, uma oportunidade para mudar e fazer mudar.

Atualmente é coordenador dos Noticiários da ESCS FM e colabora com a ESCS Magazine.

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