Os dias agitados do Exército português

As Forças Armadas estão em “ebulição” desde a demissão do Chefe de Estado Maior do Exército. Ao longo dos últimos dias têm sido mais que muitas as informações de descontentamento dentro das forças militares, das intenções de demissão e de pedidos de demissão do Ministro da Defesa, Azeredo Lopes.

 1 – A demissão do Chefe de Estado Maior

Carlos Jerónimo ExércitoDia 7 de Abril, o General Carlos Jerónimo pediu a sua demissão do cargo de Chefe de Estado Maior do Exército, alegando “razões pessoais”, mas que surgiu no seguimento da reportagem publicada pelo Observador, onde o sub-director, António Grilo abordou a temática da homossexualidade dentro da instituição.

Na mensagem enviada ao Presidente da República, Carlos Jerónimo justificou a demissão com o “dever de defender princípios da ética e da honra”, bem como para cumprir “deveres militares como os de tutela e de responsabilidade”. Dias antes, Azeredo Lopes, Ministro da Defesa, tinha pedido mais detalhes sobre esta denúncia do Observador às estruturas militares.

2 – Ministro pediu demissão do subdirector do Colégio Militar

Colégio MilitarTrês dias depois da demissão de Carlos Jerónimo, o Diário de Noticias adiantou que Azeredo Lopes tinha pedido a demissão de António Grilo, subdirector do Colégio Militar, situação que motivou a demissão do Chefe de Estado Maior do Exército, que considerou este pedido uma ingerência na estrutura do Exército.

Para tal demissão ter lugar, teria que ser aberto um inquérito disciplinar, dizendo ainda Miguel Machado, responsável do site Operacional, ao DN, que “as movimentações de pessoal e a disciplina no ramo não são competência do ministro”.

Dias mais tarde, o Observador avançou também que a direcção do Colégio Militar chegou a pedir a demissão, que foi recusada pelo Chefe de Estado Maior do Exército, mantendo-se assim em funções o coronel José Sardinha Dias e o tenente-coronel António Grilo, director e subdirector, respectivamente. A saída dos dois responsáveis do CM acabou por não acontecer, não sendo também conhecida a abertura de qualquer inquérito disciplinar.

3 – Vice-Chefe do Estado Maior pediu a demissão quatro dias depois

Quatro dias depois da demissão de Carlos Jerónimo, foi o vice-chefe do Exército a pedir a sua saída. António Pereira Agostinho em solidariedade com o seu superior e descontente também com a atitude de Azeredo Lopes pediu a sua saída da estrutura do Exército português.

Hoje, António Campos Gil, ex-vice-Chefe do Estado Miaor do Exército, pediu em entrevista à Rádio Renascença, a demissão de Azeredo Lopes, afirmando que “quando ele perdeu a confiança no general-chefe e fez o que fez, ele já não tem a confiança de nenhum militar”.

4 – Rovisco Duarte substitui Carlos Jerónimo

Frederico Rovisco DuarteNa Sexta-Feira, Frederico Rovisco Duarte foi investido por Marcelo Rebelo de Sousa como novo Chefe de Estado Maior do Exército. Este cargo tem a duração de três anos, podendo ser estendido para mais dois anos. Rovisco Duarte tem actualmente 56 anos e desempenhava as funções de Inspector Geral do Exército.

Entre Setembro de 2013 e Julho de 2015 foi Comandante do Comando de Instrução e Doutrina onde desempenhou um papel importante na reforma do sistema de ensino militar, seguindo as instruções do ex-ministro, José Pedro Aguiar Branco para unir o Colégio Militar ao Instituto de Odivelas.

Descomplicador:

Desde o dia 7 de Abril que o Exército português está em “ebulição”. Tudo começou na reportagem do Observador onde o subdirector do Colégio Militar falou da homossexualidade dentro da instituição e resultou num conjunto de demissões e de pedidos de demissão do Ministro da Defesa, Azeredo Lopes.

Publicado por: Miguel Dias

Licenciado em Jornalismo pela Escola Superior de Comunicação Social. Assessor de comunicação numa federação desportiva, colabora com a imprensa regional na sua cidade, Almeirim e criou um conjunto de projectos temporários sobre politica local e nacional. Fundou ainda uma rádio regional e é comentador convidado de ténis da Eurosport.

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