Depois do “Micha”, o João e a Rita representaram a juventude no 25 de Abril

São ainda raros os casos de deputados que nasceram depois do 25 de Abril de 1974 que têm a possibilidade de falar na sessão solene comemorativa na Assembleia da República. O ano passado, Michael Seufert, nascido em 1983, fê-lo pelo CDS, este ano foi a vez de João Torres (1986) pelo Partido Socialista e de Rita Rato (1983) pelo Partido Comunista Português. O Panorama falou com alguns dos protagonistas.

Michael SeufertEm 2015, Michael Seufert, ex-deputado do CDS, disse que “menos dívida é mais liberdade”, recusando o paternalismo acerca da efeméride e refazendo a questão de “onde estavas no 25 de Abril?” para “onde é que tu estavas quando Portugal foi conduzido à bancarrota?”, reafirmando à época, a importância de Portugal ter “recuperado a soberania”.

Este ano, João Torres, líder da Juventude Socialista e deputado, disse que “os jovens emigrantes são os refugiados da nossa incapacidade económica e social” e que “cumprir Abril é proporcionar a todos a oportunidade de superar as desigualdades de partida que nos deparamos quando nascemos, independentemente de onde vivemos, de quem amamos e daquilo em que acreditamos”.

Já Rita Rato, deputada do PCP, disse que a derrota do PSD e do CDS era “uma vitória da Constituição no caminho da reposição de valores essenciais que a política de direita tão profundamente desprezou” e que os portugueses não podem “desaproveitar nenhuma oportunidade para recuperar dignidade e direitos”.

Ao Panorama, Michael Seufert considera que “quem faz o discurso do 25 de Abril dificilmente foge a uma perspectiva histórica“, acrescentando que “sendo que é verdade que já tudo foi dito, é também verdade que quando se comemora uma data, o conteúdo dessa data é importante“, apesar de não “acrescentar valor andar a debitar factos históricos que assim como assim ou estão já devidamente escrutinados ou continuarão a ser polémicos“.

Joao TorresJoão Torres, do Partido Socialista diz ao Panorama que a decisão do PS e do grupo parlamentar, liderado por Carlos César é acima de tudo um sinal de “inequívoca vontade de continuar e renovar os valores de Abril” e que por isso procurou fazer “mais do que uma intervenção de circunstância, em que porventura teriam cabimento mais referências político-partidárias“, optando assim por “fazer uma intervenção à esquerda, de acordo com as minhas próprias convicções, mas que reflectisse com abrangência o sentimento dos jovens da minha geração“. Já Michael Seufert admite ter procurado como “valor acrescentado, uma perspectiva geracional sem que – frisei isso – tivesse especial mandato para isso“.

Assim e se João Torres optou por abordar a “trilogia de sonegação de direitos sociais – como designei na minha intervenção – que afecta as novas gerações de portugueses. O desemprego, a precariedade e a emigração são realidades que urge combater a cada instante, no Governo e na oposição“, Michael Seufert considerou que “o 25 de Abril abriu imensas portas mas a verdade é que o regime constitucional que se segui aos processo revolucionários esquece sempre o futuro em detrimento do presente“, concordando com o deputado socialista na questão da juventude “pagar” a falta de pensamento no futuro com “desemprego e emigração e já que estamos a pagar – e estou apenas a constatar um facto, não atiro culpas a ninguém – então acho que temos de lutar para que os nossos filhos tenham melhores perspectivas que nós“, conclui.

Para o líder da Juventude Socialista, eleito deputado nas legislativas de 2015, “celebrar o 25 de Abril exigirá sempre que unamos o passado, o presente e o futuro“, sendo uma responsabilidade da sua geração, segundo diz o próprio, acrescentando que “a Revolução dos Cravos representará sempre um ponto de encontro para todos os portugueses“.

Descomplicador:

Michael Seufert, do CDS, João Torres, do PS e Rita Rato, do PCP foram os “representantes da juventude” nas sessões solenes do 25 de Abril dos últimos dois anos. O Panorama falou com alguns dos protagonistas sobre o significado do momento.

Publicado por: Miguel Dias

Licenciado em Jornalismo pela Escola Superior de Comunicação Social. Assessor de comunicação numa federação desportiva, colabora com a imprensa regional na sua cidade, Almeirim e criou um conjunto de projectos temporários sobre politica local e nacional. Fundou ainda uma rádio regional e é comentador convidado de ténis da Eurosport.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *