Moções para todos os gostos e um modelo de Congresso para ser repensado

De manhã até à noite. Hoje foi o dia de apresentação, discussão e votação das moções sectoriais e da moção global. As moções sectoriais, 58 no seu total, ocuparam grande parte do dia. Começaram de manhã e atravessaram o almoço para só terminar no final da tarde, começou de “casa vazia” para terminar de casa cheia e atenta para ouvir o discurso de Simão Ribeiro, que apresentou a sua moção, “Direito ao Futuro”.

Simão Cristóvão Ribeiro Congresso JSD“O dia de hoje foi um dia bastante intenso”, disse Simão Ribeiro ao Panorama. E realmente foi, no 24º Congresso Nacional da JSD as moções foram 58, quase o dobro das do último Congresso da Juventude Social Democrata. “Um dia extremamente rico em debate e reflexão política”, diz Gonçalo Gaspar, vice-presidente da estrutura. Pelos corredores uns diziam que “eram moções a mais”, outros que “muitas delas deviam ser tratadas em congresso distrital” e não em nacional. Para o presidente da JSD “registou-se uma evolução bastante grande quer em termos de número, quer em termos de qualidade naquilo que foi a produção política da estrutura”. Resultado do investimento da JSD na formação política dos seus militantes, concluiu Simão Ribeiro. Gonçalo Gaspar olha para as moções sectoriais como “a principal riqueza destes congressos” apesar de abrir o debate à possibilidade de outro modelo de discussão das mesmas, um modelo mais objectivo relembrando um modelo passado baseado em grupos de trabalhos e na redacção de um documento único que englobasse as várias moções a serem discutidas. Apesar disso o vice-presidente da JSD Nacional denota “que não é pela quantidade que a qualidade se dispersa” e reitera que é importante “que haja esta liberdade para que todas as pessoas que queiram apresentar uma moção, uma ideia o possam fazer com alguma facilidade”.

Congresso JSDO contributo destas moções era outro “tema de corredor”. Falava-se que muitas vezes não davam em nada. Gonçalo Gaspar diz entender a “frustração” que pode ocorrer ao ver uma moção perder-se na discussão política, especialmente depois de todo o trabalho que é escrevê-la, debatê-la e levá-la a Congresso, mas diz que é uma situação perfeitamente normal uma vez que “as moções não são vinculativas” servindo sobretudo para “o debate interno da JSD”. “Não me parece viável a JSD falar de tudo, mas sim seleccionar duas ou três bandeiras como no último mandato do Simão”, concluiu Gonçalo Gaspar. Simão pareceu adivinhar as palavras do seu “vice” e contou-nos que terá “uma preocupação enorme em lê-las, avaliá-las e em tentar torná-las o mais possível compatíveis com aquilo que é a moção de estratégia global”. “A estratégia de abrir mais a JSD funcionou e está a dar frutos”, disse o presidente da JSD que apresenta hoje a sua recandidatura.

A “sala vazia” foi outro algo que também marcou o dia. Durante a manhã e depois de almoço a sala esteve muito longe de estar cheia e as apresentações de moções deram lugar a algumas palavras inflamadas por parte dos assinantes assim como a algumas notas paralelas por parte de Joana Barata Lopes, Presidente da Mesa do Congresso, que lamentava o atraso e dispersão do conjunto de congressistas. Simão Ribeiro não desvia o olhar ao problema e afirma que “começa a ser tempo de repensarmos o modelo de congresso e nomeadamente”, ao mesmo tempo que lembrava que tal não “aconteceu por ausência de discussão política ou posicionamentos, mas sim com horários e outros afazeres”.

No final ficou a apresentação da moção “Direito ao Futuro”, o projecto político de Simão Ribeiro para a próxima legislatura. Os militantes responderam com agrado às palavras de mudança nos sectores da educação e da lei autárquica e o presidente da JSD saiu do palco sobre fortes aplausos. Amanhã é o dia da votação da sua reeleição, ao Panorama disse esperar “uma votação expressiva e um apoio que reflicta isso na votação”, deixando ainda votos de que a actualidade política do país possa ser discutida na sessão de encerramento.

O Panorama marca presença este fim-de-semana no congresso nacional da Juventude Social Democrata, na Batalha

Descomplicador:

O Panorama está a acompanhar o congresso nacional da JSD e no primeiro dia falou com o presidente e recandidato à liderança da estrutura, Simão Cristóvão Ribeiro. As moções e o funcionamento do congresso são os temas em destaque.

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Publicado por: Tomás Gomes

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