Passos Coelho: “Só há-de haver outro resgate em Portugal se o Governo quiser”

O último dia do 24º Congresso Nacional da JSD teve direito a um convidado de honra. Pedro Passos Coelho, antigo líder da JSD e actual Presidente do PSD, discursou na sessão de encerramento do Congresso da JSD na ExpoSalão, na Batalha. Um dia depois de ter dito que não havia motivos para que se comemorasse o 1º de Maio, o líder social-democrata, enunciou factores negativos da governação de António Costa, falou das “forças retrogradas” e falou de uma Europa aberta.

Congresso JSDA sala estava cheia de jovens preparados para gritar e saudar o antigo Primeiro-Ministro. Quando chegou ao púlpito a sala levantou-se para o aplaudir, mas as palavras de Passos Coelho foram bem térreas, de pés bem assentes no chão, sobretudo para com o Governo socialista: “esta nova abordagem política económica trouxe a destruição de 20 mil empregos em Portugal”. Para o líder do principal partido da oposição esta deveria ser uma fase de “crescimento mais intenso” e de “combate às desigualdades sociais”. Por isso, e relembrando as palavras ontem proferidas em Viseu, acrescentou que as celebrações do 1º de maio, dia do trabalhador, ficam marcadas “pelas situações negativas dos últimos meses”.

“Não há motivos para estarmos entusiasmados”, continuou. “Irrealista”, foi a palavra utilizada para definir as últimas perspectivas do Governo de António Costa, acusando as políticas do actual Governo de terem conduzido Portugal para uma situação de estabilização da queda do desemprego. No púlpito, lembrou o final do ano de 2015 que “não foi nada brilhante”, mas livrando-se de responsabilidades das suas duas últimas governações, atirou culpas para “as escolhas politicas que o Governo começou a fazer no último trimestre”.

E deixou o recado: “Só há-de haver outro resgate em Portugal se o Governo quiser. Mas o défice não vai ser o que eles dizem, nem o crescimento. E para não haver resgate vão ter de ser tomadas medidas e isso não teria de acontecer se o Governo assumisse as suas responsabilidades”.

Pedro Passos Coelho acusou ainda o actual executivo de estar a discutir os pilares estruturais da nossa economia para se “vincar uma posição ideológica”. Esses pilares que, segundo o antigo primeiro-ministro, foram os grandes baluartes param a melhoria da economia do país no tempo em que estava à frente do Governo. Sem eles “ a queda do desemprego será menor, assim como a mobilidade social, o crescimento económico e a justiça”, concluiu o líder do PSD.

Pedro Passos CoelhoO Bloco de Esquerda e o Partido Comunista, os partidos que sustentam o Governo socialista, também não escaparam às palavras de Passos Coelho: “só alguém muito ideologicamente retrógrado pode achar que a ausência de mercado resolveria os problemas económicos da sociedade”. Para o convidado de honra deste último dia de Congresso, “pagámos durante muito tempo um preço muito elevado por haver forças políticas que queriam nacionalizar tudo”, disse após uma analogia com o contragolpe de 25 de novembro. Para o líder da oposição, “o Estado é hoje imprescindível para que haja uma economia regrada”. E relembrou que não há nenhum exemplo democrático de uma economia de sucesso baseada, totalmente, na nacionalização.

A plateia era jovem e depois de afinada a revisão à Geringonça, foi altura de um discurso voltado para a sustentabilidade das políticas do país, das dos últimos anos e das de agora, “quem achava que se podia crescer hipotecando as gerações do futuro teve de bater com a cabeça na parede para perceber que estava errado”. Pedro Passo Coelho afirmou que “todas as sociedades têm o direito a resolver os seus problemas nos seus dias” e que por ele não ter “empurrado os problemas com a barriga”, como outros fizeram, nas palavras do ex-primeiro-ministro, nem todos teriam conseguido “tomar as decisões que nós (antigo Governo liderado por Pedro Passos Coelho) tomámos nos últimos anos”; classificando a actual maioria que governa como “uma maioria que está a deitar tudo fora sem respeitar o futuro”.

Um olhar sobre a Europa

“A Europa por que lutamos não é uma Europa de nacionalismos bacocos”. Passos Coelho, também ele outrora líder da JSD, afirmou que a “A Europa precisa de mais jovens de outros países e de outras sociedades”, defendendo um espaço europeu “aberto, cosmopolita em que os jovens se sintam cidadão europeus”.

O presidente do PSD alertou para uma Europa “muito condicionada por populismos e radicalismos”. Desses países o resultado político não pode augurar nada de bom, continuou. O antigo-primeiro-ministro rejeitou os argumentos de que a “Europa tem que se fechar para proteger o emprego”, como rejeitou também uma total “porta aberta”.

“Muitas vezes julgamos ser o centro do mundo, mas a Europa está a ficar mais periférica do que se pensa”,  continuou o líder social-democrata. E concluiu: “se a Europa se quiser fechar cada vez mais” o seu futuro “será muito mais marginal do que já é hoje”.

A terminar ficou o apelo para a sua jovem plateia: “Nunca deixem que o populismo e a demagogia tome conta dos debates”.

O Panorama marca presença este fim-de-semana no congresso nacional da Juventude Social Democrata, na Batalha

Descomplicador:

Pedro Passos Coelho encerrou o 24º congresso da JSD que marcou a reeleição de Simão Ribeiro como presidente da estrutura. Na sua intervenção, o ex-líder da jota social-democrata criticou os números do desemprego e deixou notas sobre a posição da Europa na conjuntura actual.

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Publicado por: Tomás Gomes

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