Voluntário na Sexta, Militante no Domingo

Por entre congressistas e delegados adivinhavam-se algumas pessoas de t-shirt preta e fita laranja ao pescoço. Eram 40, andavam sempre apressados, eram os primeiros a chegar e os últimos a sair. Os voluntários eram a grande base que susteve este evento de dimensão nacional da JSD. O Panorama conseguiu acompanhar a rápida passada de quatros destes voluntários e conversar um pouco com eles. Estes que são um pouco diferentes. Porquê? Porque ao contrário da maioria, são voluntários no evento de um partido onde não estão inscritos, nem como militantes, nem como simpatizantes.

Congresso JSDVer de perto para compreender e conhecer. Foi deste mote que Alexandra Frazão, Mafalda Monteiro, João Pinheiro e Margot Oliveira abraçaram o desafio de participar no 24º Congresso Nacional da JSD na qualidade de voluntários. Até dia 29 de abril não tinham nenhuma ligação directa ao partido, apenas o João já tinha trabalhado, pontualmente, com a concelhia da JSD Batalha por obra de uma ligação entre a juventude partidária e a Associação de Estudantes da Escola Secundária da Batalha, onde é membro do conselho fiscal.

Os quatro tinham um objectivo em comum: perceber se esta era a juventude certa para eles. Dizem gostar de política e que chegaram a uma altura em que se sentem preparados para escolher um rumo, mas esse caminho nem sempre é fácil e há a percepção nestes jovens de que essa escolha lhes pode mudar a vida, seja para melhor ou para pior.

Durante o Congresso contaram votos, distribuíram pastas e acreditações, guiaram pessoas e ajudaram os mais perdidos, mas a verdadeira vontade é de um dia subir a um palco e deixar uma sala de pé, como nos confessa Mafalda Monteiro logo depois do entusiástico discurso de Joana Barata Lopes que acendeu os ânimos da noite de Sábado.

Congresso JSDJoão e Mafalda são dos quatro os que fazem actualmente política. O João na AE da sua escola secundária e a Mafalda na AE, recentemente eleita, da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra. Mas neste campo há uma grande diferença entre os dois. A AE do João é apoiada pela JSD e ele mesmo confessa que desde o primeiro contacto ficou com o ‘bichinho’ da política atrás da orelha. Já a lista que concorreu à Faculdade de Direito onde estuda a Mafalda recusou sempre qualquer ligação ou apoio discriminado de uma juventude política. Talvez daí decorra que no sábado, quando me deparei com os dois, que o João dizia entusiasticamente que no domingo iria “assinar a folha” e Mafalda não, mantendo-se indecisa e afirmando ao Panorama que ainda ia ter de passar mais algum tempo a explorar o mundo da política antes de tomar uma decisão.

A Margot Oliveira foi a única deste pequeno grupo de apátridas ‘laranjinhas’ que não se fez rogada, não esperou que o convite viesse, ela mesmo dirigiu-se a um amigo seu, militante da JSD, e perguntou como podia ajudar. Daí até ao primeiro dia do Congresso foram poucos os passos. Nos seus 20 anos acha-se pronta para escolher um caminho político. Depois de alguns anos de reflexão sentiu que para ingressar na juventude social-democrata lhe faltava ver as coisas a acontecer, estar perto da acção. Muitas vezes me cruzei com ela a ir do balcão da entrada para o espaço de discussão política do Congresso, nas suas poucas pausas.  “Queria ter a certeza de que queria ser militante deste partido, e para isso é importante conhecer as pessoas certas”. No Domingo confessou ter a sua decisão tomada. Seria a nova militante da concelhia de Porto de Mós .

Congresso JSD“Fui convidada por uma amiga da minha turma que é militante”, dizendo que a política nunca foi um dos seus interesses principais, limitando-se a consumir o que os noticiários da noite transmitiam durante a hora de jantar. Por isso, encarou a participação neste Congresso como um desafio e com um quê de curiosidade que a deixaram fascinada com o que se ali se fez e discutiu. Mais uma que ficou ao lado do João e da Margot, “no domingo serei militante”.

Estes jovens destacavam-se em relação aos outros. Pareciam mais curiosos e eram os que aproveitavam períodos de menor actividade para espreitar os discursos e a discussão das moções. São quatro jovens que fogem ao estereótipo do jovem desinteressado e que não quer saber de política “para nada”.

Uma oportunidade de aprender e conhecer, uma escola política improvisada, mascarada com um cartão de voluntário. Vieram com a promessa de uma ficha de militante no último dia do Congresso. Primeiro fizeram-se difíceis, mas ao longo dos dias foram percebendo que aquela era também “a casa deles” e no Domingo três deles cederam a sua assinatura à JSD.

O Panorama marca presença este fim-de-semana no congresso nacional da Juventude Social Democrata, na Batalha

Descomplicador:

O Panorama acompanhou o trabalho de quatro voluntários no congresso nacional da JSD. Os quatro aproveitaram o fim-de-semana para conhecer a Juventude Social Democrata por dentro e pelo menos três ficaram rendidos à estrutura.

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Publicado por: Tomás Gomes

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