“A China e a Alemanha estão fartas de ter o dólar como moeda dominante”

“Reconfigurações geoeconómicas” era o nome do segundo painel do dia nas Conferências de Lisboa, que decorrem hoje e amanhã na Fundação Calouste Gulbenkian. A forma como a crise afectou o mundo e as mudanças dos próximos tempos foram os temas em destaque neste painel, onde José Félix Ribeiro, membro do Instituto Português de Relações Internacionais acabou por explicar quais as mudanças que os Estados Unidos, a Rússia e a China estão a tentar implementar no mundo.

José Félix Ribeiro Conferências de Lisboa Para o economista a “China e a Alemanha estão cansadas que o dólar seja a moeda dominante”, procurando assim em especial a China construir um pensamento a longo prazo que “permita ganhar a guerra e não as batalhas”. Félix Ribeiro falou ainda na unidade de medida vigente actualmente: o dólar-oil, que se baseia no preço do petróleo e que é “muito mais eficaz do que o ouro, porque o ouro não serve para nada”.

Numa intervenção carregada de ironia, José Manuel Félix Ribeiro foi arrancando gargalhadas à plateia, onde explicou que a China “pretende construir uma grande força económica asiática sem os Estados Unidos”, isto quando os Estados Unidos “vão acumulando défices com todos, como grande supremacia mundial que são, enquanto a União Europeia acumula um excedente, embora sem saber bem para o que serve”, disse.

O economista especializado em relações internacionais disse ainda que “a crise de 2009 não foi nada de especial.

As intervenções eram acompanhadas em "live-sketching"

As intervenções eram acompanhadas em “live-sketching”

Outro dos intervenientes neste painel foi António Costa e Silva, presidente da Comissão Executiva do Grupo Partex Oil and Gas falou sobre os problemas do Estado Islâmico no mundo, referindo que “apesar de ficarmos consternados com os atentados na Belgica e em Paris, os muçulmanos sofrem atentados diariamente”, mostrando-se ainda preocupado com a “medievalização da paisagem do médio oriente”.

Costa e Silva explicou ainda que o Estado Islâmico “nasceu da saída dos Estados Unidos do Afeganistão, da Primavera Árabe, da Guerra Civil na Síria e com a morte de Bin Laden”, elogiando ainda a politica de Obama “em trazer o Irão para o centro das decisões”, tendo em conta que “é altura das potências asiáticas assumirem o seu papel” e concluindo ao dizer que “para a paz ser possível é preciso mudar o sistema de governance no mundo”.

Descomplicador:

O economista José Félix Ribeiro disse nas Conferências de Lisboa que a China quer “construir uma grande zona económica sem os Estados Unidos” e que a “China e a Alemanha estão fartas de ter o dólar como moeda dominante”. Costa e Silva, outro dos oradores, abordou a problemática do Estado Islâmico na economia mundial.

Publicado por: Miguel Dias

Licenciado em Jornalismo pela Escola Superior de Comunicação Social. Assessor de comunicação numa federação desportiva, colabora com a imprensa regional na sua cidade, Almeirim e criou um conjunto de projectos temporários sobre politica local e nacional. Fundou ainda uma rádio regional e é comentador convidado de ténis da Eurosport.

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