Portas, Luís Amado e António Monteiro apadrinham criação do “Clube de Lisboa”

Luís Amado, Paulo Portas e António Monteiro apadrinharam hoje no encerramento do primeiro dia das Conferências de Lisboa a criação do “Clube de Lisboa”, uma plataforma de pensamento internacional que tem como objectivo tornar a capital portuguesa na base do pensamento politico mundial. A ideia partiu de Luís Amado e foi bem aceite por Paulo Portas e António Monteiro, num painel de ex-Ministros dos Negócios Estrangeiros.

Conferências de LisboaLuís Amado como presidente da Comissão de Organização das Conferências de Lisboa deu o mote e Paulo Portas e António Monteiro aceitaram bem a ideia. As Conferências de Lisboa devem ter assim este ano a sua edição final porque vão dar lugar ao “Clube de Lisboa”, uma ideia mais abrangente e com mais peso institucional que pretende transformar Lisboa na base do pensamento politico mundial para os desafios futuros.

O ex-Ministro dos Negócios Estrangeiros de José Sócrates disse ter “convidado alguns amigos e conhecidos para criar algo mais ambicioso” aproveitando o facto de Portugal ter “um leque vasto de figuras com projecção internacional como Jorge Sampaio, Durão Barroso ou António Guterres”, acrescentou o promotor deste clube, que quer assim que “Lisboa entre no debate sobre o futuro da humanidade”.

Paulo Portas, ex-Ministro dos Negócios Estrangeiros de Passos Coelho apoiou a ideia e disse esperar que o “Clube de Lisboa entre no roadmap do debate internacional” e que é “uma boa ideia quando o mundo está complexo e é preciso reflectir sobre ele”. Já o embaixador António Monteiro, ex-Ministro dos Negócios Estrangeiros de Santana Lopes viu como “muito positivo um clube em Lisboa que tenha alguma vantagem do ponto de vista do pensamento politico”. Ideia aprovada, o debate seguiu para as questões que afectam a União Europeia.

Luís Amado: “Os Estados já não têm poder para dar segurança às pessoas”

Luís AmadoAmado mostrou-se preocupado pelo facto de a Europa “dentro de muito pouco tempo ter de reagir a acontecimentos extraordinários, muito imprevisíveis”. Para o ex-governante, a Europa passa por verdadeiras provas de fogo com mudanças radicais, de onde destaca o facto de os Estados terem “deixado de ter poder para garantir segurança às pessoas, seja financeira, seja laboral”, criticando ainda a actuação de Mário Draghi ao dizer que “a politica monetária europeia está a esgotar-se”.

Luís Amado afirma ainda que a “politica europeia cedeu aos activismos, o que é bem diferente de politica, onde é preciso, ceder, recuar, pensar, ter alguma estratégia”, lamentando a não existência de uma politica externa europeia, que está agora a provocar “ressentimentos geopolíticos que se estão já a fazer sentir”.

Paulo Portas: “Não está nos direitos adquiridos que a Europa continue a ser o bloco económico mais forte”

Paulo PortasO ex-Ministro dos Negócios Estrangeiros e Vice-Primeiro-Ministro foi o que deixou mais alertas acerca do futuro da Europa, que disse ter “problemas urgentes com os refugiados, com o terrorismo e com o Reino Unido [Brexit]”, acrescentando que “mesmo que não queira falar a Europa tem um problema para resolver com a Rússia”.

Para Paulo Portas “não há uma solução militar na Síria, mas sim uma solução politica, se houver”, alertando no entanto para o facto de no âmbito da politica externa “muitas vezes não se faz o que se quer mas sim o que se pode” e avisando ainda que “o espaço Schengen já não é o que era”. Para o ainda deputado do CDS, a Europa “devia ter procurado com mais empenho uma solução politica para a Síria”.

O ex-ministro entende que “sem fazer concessões em matéria de inteligência não é possível combater o terrorismo”, afirmando ainda, “embora sem ter a certeza”, que “no caso da Ucrânia e da Líbia, a União Europeia fez o que os Estados Unidos queriam que fosse feito sem serem eles a fazer”.

O Brexit é para Paulo Portas um dos problemas que a Europa tem pela frente, “cujas consequências não conhece”, mas que na opinião do ex-governante “podem ter um efeito boomerang, tendo em conta que o Reino Unido é das democracias mais antigas do mundo”.

Outros dos pontos que Paulo Portas mais abordou foi a “quebra de competitividade” do bloco europeu, lamentando que “das dez maiores empresas mundiais nenhuma seja europeia” e avisando que “qualquer solução rígida provoca uma quebra de competitividade da União Europeia”. Portas que se tem dedicado sobretudo à diplomacia financeira afirmou que “muitos dos factos da globalização não são controláveis politicamente”, mas que Portugal deve aproveitar “a sua capacidade de compreender o Magrebe, de compreender o Mediterrâneo e de ter, sem julgar ninguém, uma maior compreensão religiosa”.

Portas terminou a sua intervenção ao dizer que “qualquer dia a União Europeia é fantástica para visitar e para viver mas não para investir”, alertando que “não está nos direitos adquiridos que a União Europeia continuará a ser o bloco económico mais forte do mundo”.

António Monteiro: “Já fomos o centro do mundo e estávamos no mesmo lugar que estamos hoje”

António MonteiroA questão da importância de Portugal no contexto europeu foi também abordada pelo embaixador António Monteiro, actual presidente do conselho de administração do Millennium BCP e que começou por se afirmar contra o facto de “portugal ser um país periférico. Já fomos o centro do mundo e estávamos no mesmo lugar que estamos hoje”, disse o diplomata português.

Portas corroborou esta ideia, dizendo que “não nos podem chamar periferia sem primeiro nos dizerem qual é o centro do novo mundo. É que atenção a vários factores, por exemplo, o aeroporto do Dubai já supera em passageiros o de Londres e de Frankfurt. Isto faz-nos reflectir”, disse Paulo Portas.

António Monteiro falou também da boa escola diplomática portuguesa, acrescentando que “independentemente do resultado da candidatura do Engenheiro Guterres, Portugal já sai reforçado, porque os países da ONU nos vêem como parceiros credíveis”. António Monteiro mostrou-se ainda agradado pelo facto de em Portugal “a linhas orientadoras da politica externa serem alvo de consenso politico”.

Descomplicador:

Luís Amado, Paulo Portas e António Monteiro apadrinharam hoje a criação do “Clube de Lisboa”, uma think-tank internacional que pretende colocar Lisboa como a base do pensamento politico mundial. Os problemas que a União Europeia enfrenta foram o tema de debate entre estes três ex-Ministros dos Negócios Estrangeiros.

Publicado por: Miguel Dias

Licenciado em Jornalismo pela Escola Superior de Comunicação Social. Assessor de comunicação numa federação desportiva, colabora com a imprensa regional na sua cidade, Almeirim e criou um conjunto de projectos temporários sobre politica local e nacional. Fundou ainda uma rádio regional e é comentador convidado de ténis da Eurosport.

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