“A Trump-option não é uma opção muito racional”

No segundo painel do segundo dia das Conferências de Lisboa, dedicado às ameaças de segurança com a globalização, as eleições norte-americanas acabaram por estar na ordem do dia, sobretudo devido às ideias de Donald Trump. No painel estava Tariq Ramadan, que esteve proibido de entrar nos Estados Unidos durante vários anos e o português, Bruno Cardoso Reis.

Bruno Cardoso Reis Conferências de LisboaAs eleições nos Estados Unidos da América estiveram na ordem do dia, devido às ideias que têm vindo a ser defendidas por alguns dos candidatos, com maior destaque para Donald Trump. Depois de Roland Marchal, investigador do Centro Nacional de Investigação Científica da Science Po em Paris ter dito que o mundo “precisa de mais Espinosas e menos Trump”, foi Bruno Cardoso Reis a lembrar que as ideias de Trump não são assim tão efectivas.

“O fecho das fronteiras não teria evitado os atentados” disse o investigador português, acrescentando então que “a Trump-option não é assim uma opção muito racional”, ao defender que as autoridades francesas tinham interceptado Salah Abdeslam mas não tinham em sua posse informação que os permitiu detê-lo antes dos atentados.

A partilha de informação estratégica entre os vários países europeus tem sido aliás uma ideia defendida por praticamente todos os participantes nas Conferências de Lisboa. Para o investigador português do Instituto de Ciências Sociais, há que ter ainda em atenção que “apesar da propaganda poder ser global, os problemas são locais” e que muitas vezes não são as autoridades a querer por si só mais poder “mas sim os cidadãos a exigir mais das estruturas de segurança”.

Para Bruno Cardoso Reis a pergunta que a sociedade deve assim colocar é “até onde quer ir na limitação de liberdades para combater a globalização”, ou se “queremos mais liberdades, com mais riscos associados”.

Pergunta do público leva Tariq Ramadan a resposta mais inflamada

Tariq RamadanOutro dos participantes neste painel foi Tariq Ramadan, professor de estudos islâmicos na Universidade de Oxford e apontado como uma das 100 pessoas mais influentes do mundo pela Time em 2004. Ramadan esteve impedido de entrar nos Estados Unidos da América entre 2004 e 2010, quando Hillary Clinton assinou a sua autorização de entrada.

No período reservado às questões do público, Ramadan foi questionado sobre a sua posição quando ao movimento de libertação da Palestina e quanto ao seu alegado apoio a organizações terroristas, respondendo de forma mais inflamada ao dizer que apoia “a libertação e o fim da opressão na Palestina”, acrescentando ainda estar disposto a “pagar o preço por dizer que o povo palestiniano tem razão e que tem direito a um território”, dizendo ainda que “para ser honesto, foi uma honra ter sido banido de entrar nos Estados Unidos liderados por George W. Bush”.

Descomplicador:

Bruno Cardoso Reis, investigador do Instituto de Ciências Sociais, disse nas Conferências de Lisboa que a opção de Trump “não é assim tão racional”, defendendo que o encerramento das fronteiras não resolve as questões do terrorismo. No final do debate, um membro do público ouviu uma resposta mais inflamada de Tariq Ramadan.

Publicado por: Miguel Dias

Licenciado em Jornalismo pela Escola Superior de Comunicação Social. Assessor de comunicação numa federação desportiva, colabora com a imprensa regional na sua cidade, Almeirim e criou um conjunto de projectos temporários sobre politica local e nacional. Fundou ainda uma rádio regional e é comentador convidado de ténis da Eurosport.

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