PS e direita não estão com Dilma

O processo de destituição da presidente brasileira, Dilma Rousseff, e a sua substituição temporária pelo vice, Michel Temer, constituem um golpe de Estado? O PCP e o Bloco de Esquerda acham que sim, mas neste ponto o PS não concorda com o resto da maioria parlamentar.

António CostaFalamos do voto de solidariedade do PCP para com os povos da América Latina, que foi esta sexta-feira votado na Assembleia da República em sessão plenária. O texto, que aborda cinco tópicos, “repudia o processo que procura levar à destituição da presidente Dilma Rousseff no Brasil” no segundo ponto, aprovado por PCP, BE, PAN, PEV e nove deputados socialistas.

Importa recordar que em março, quando Lula era e deixava de ser ministro numa questão de horas, o gabinete de imprensa comunista já tinha divulgado um texto em que defendia existir “uma ação montada contra Lula da Silva” e que esta se tratava de “uma intensa operação de desestabilização e de cariz golpista”, protagonizada pelos “sectores mais retrógrados e antidemocráticos” do Brasil.

Na altura, o dirigente bloquista Jorge Costa afirmava, citado pelo Expresso, que “direita e extrema-direita brasileiras apoiam-se nos sucesivos escândalos para desencadear um golpe de Estado no estilo do século XXI, articulado a partir do sistema judicial e de grandes empórios financeiros”. No entanto, para o Bloco de Esquerda há críticas a apontar à atuação de Lula: “Não se vence a corrupção suspendendo a legalidade, nem se defende a democracia com abuso de poder”.

Consenso no apoio à comunidade portuguesa

No caso de outro dos pontos mais polémicos, o que “repudia ações que visam a desestabilização política, económica e social, como as exercidas sobre a República Bolivariana da Venezuela” – uma vez que a Venezuela atravessa uma grave crise social e económica e que muitas organizações de defesa dos direitos humanos apontam o dedo ao presidente Nicolás Maduro -, a bancada do PS voltou a seguir maioritariamente a mesma direção dos partidos de direita.

Mas a direita também apresentou as suas iniciativas. PSD propôs um voto de solidariedade para com a comunidade portuguesa que vive na Venezuela, tendo em conta a instabilidade que o país atravessa, e conseguiu no primeiro ponto a aprovação por unanimidade, uma vez que se referia o “integral apoio para a superação das dificuldades” e se pedia ao Governo português que ajudasse “os mais necessitados”.

No segundo ponto já não houve consenso: quando apelou a que as autoridades locais encontrassem “os adequados caminhos para a rápida e consolidada recuperação da economia”, todas as bancadas aprovaram o texto menos a dos comunistas, que se absteve.

Descomplicador:

Em dia de votação dos votos de solidariedade, a esquerda sem o PS voltou a confirmar que considera que o processo de destituição de Dilma se trata de um golpe. A única votação que reuniu consenso foi a do voto de solidariedade para com a comunidade portuguesa radicada na Venezuela.

 

Publicado por: Mariana Lima Cunha

21 anos, natural de Oeiras. Licenciada em Jornalismo pela Escola Superior de Comunicação Social e pós-graduada em Comunicação e Marketing Político pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas. Jornalista online do Expresso

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