Escola Pública? Sim, mas só se for privada…

Defender o Lobby

No passado dia 11 de maio, a Comissão de Cultura, Comunicação Social, Juventude e Desporto recebeu o Ministro da Educação Tiago Brandão Rodrigues, trazido ao Parlamento por um agendamento potestativo do PSD para que o próprio se pronunciasse sobre a demissão do ex-Secretário de Estado João Meneses. Num agendamento fora de tempo por parte da Direita, a intervenção final do PSD em jeito de pergunta ao Governo fugiu completamente ao tema do debate marcado pela própria Direita. Amadeu Albergaria, deputado do PSD da Comissão de Educação e Ciência, decidiu perguntar ao Ministro da Educação Tiago Brandão Rodrigues como iria resolver o problema dos professores dos colégios privados.

contratos de associaçaoEste episódio é o espelho do nervosismo da Direita num momento em que se põe em causa toda uma estratégia de esvaziamento de recursos da Escola Pública e aposta nos Privados. Foi esse o caminho de Nuno Crato – cortou na escola pública e abriu turmas no privado. Quando o esquema é interrompido por uma política que realmente defende a Escola Pública e uma oferta universal para todos, então a política do favorecimento tem os dias contados.

Onde ficou a teoria do Estado mínimo?

Durante quatro anos, o discurso da Direita baseou-se num argumento assente na premissa da necessidade e da falta de alternativas. Serviu de justificação para cortes no Estado Social, nos serviços públicos, nos salários e nas pensões, no ataque aos direitos laborais – nomeadamente à contratação coletiva, na privatização de setores estratégicos da economia, como são exemplo os CTT, os transportes públicos da STCP e Carris, a EDP e a REN. Porém, o mesmo argumento é agora insuficiente para defender o corte no financiamento dos colégios privados a onde existe oferta pública. Não há qualquer razão de continuar a financiar o ensino privado em territórios onde o público oferece condições, muito menos em sítios onde o público carece de alunos, onde temos escolas públicas vazias exatamente porque os privados receberam dinheiro e os alunos foram transferidos.

A Direita diz: Escola pública? Sim, mas só se for privada.

Bertol Brecht resumiu muito bem a pertença liberdade que a Direita tanto reclama:

«Privatizaram a tua vida, o teu trabalho, a tua hora de amar e o teu direito de pensar. Pertence às empresas privadas o teu passo em frente, o teu pão e o teu salário. E agora não contente querem privatizar o conhecimento, a sabedoria, o pensamento, que só à humanidade pertence.»

Publicado por: Luis Monteiro

Deputado pelo Bloco de Esquerdo eleito pelo circulo eleitoral do Porto. Estudante de mestrado em Museologia. Foi vice-presidente da Associação de Estudantes da Faculdade de Letras da Universidade do Porto e está ligado a inúmeros movimentos de associativismo juvenil pelo fim da precariedade.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *