O(s) ano(s) em que a direita saiu à rua

Na verdade tudo começou em 2015 com uma manifestação anti-rejeição do programa de governo da coligação Portugal à Frente (PSD/CDS) que resultou na queda do executivo de Passos Coelho e Paulo Portas, mas este ano a direita volta a sair à rua ao lado dos movimentos de apoio às escolas com contrato de associação. Quando a esquerda é que era vista na rua, o que tem levado os partidos da direita a aderir a manifestações?

Para Mário Gonçalves, promotor da manifestação de apoio ao governo de direita em Novembro, “a esquerda não tem o monopólio das ruas e vai percebendo isso a cada dia“, acrescentando ainda que este tipo de presença junto dos movimentos da sociedade civil não é algo “conjuntural” mas sim que “veio para ficar“.

Portugal à Frente ManifestaçãoEm Novembro, o líder parlamentar do PSD, Luís Montenegro e do CDS, Nuno Magalhães, marcaram presença nos protestos para agradecer o apoio daqueles que lado-a-lado com um protesto da CGTP defendiam a aprovação do programa de governo da coligação Portugal à Frente. No Domingo passado, deputados como João Almeida do CDS ou Manuel Frexes do PSD marcaram também presença na manifestação em defesa das escolas com contrato de associação.

Ao Panorama, o comentador Pedro Marques Lopes considera que a participação nestes protestos é “prova de alguma falta de estratégia dos dois partidos da oposição, o que faz com que andem a reboque de movimentos sociais e não sejam eles a criar agenda“, deixando aí mais criticas ao PSD que “podemos dizer que estar em minoria pode ter perturbado a sua acção política“, salientando a falta de estratégia sobretudo na Assembleia da República.

Para o comentador a presença de deputados do PSD no protesto em defesa dos contratos de associação é até sinal de  “uma espécie de dessintonia entre o eleitorado e quem dirige o partido“, considerando assim “natural que alguns deputados compareçam a manifestações e outros não, pela simples razão de que não há matéria consensual no partido“.

João Almeida ManifestaçãoNo protesto em defesa dos contratos de associação, a esquerda tem acusado a direita de defender a escola privada e de não se colocar ao lado da escola pública (com um protesto marcado para o dia 18 de Junho). Apesar da forte presença de deputados e dirigentes distritais e locais ligados ao CDS e PSD nestes protestos, Mário Gonçalves salvaguarda que “nenhum partido apoiou formalmente qualquer manifestação, os deputados que nelas participaram fizeram-no enquanto cidadãos” e que “ninguém perde os seus direitos cívicos por ser eleito pelo povo, pelo que cada um toma, em consciência, as decisões sobre as manifestações em que quer ou não participar“.

Ainda assim, para Pedro Marques Lopes, devido à imagem actual dos partidos, “não me parece que seja positivo para esses movimentos” a presença de deputados nestes protestos. Pedro Marques Lopes diz ainda que “os valores que essa manifestação defende [dos contratos de associação], nem a questão em causa, sejam defendidos pela maioria do eleitorado do PSD, nem sequer pela maioria esmagadora maioria dos deputados“, justificando assim a presença destas figuras mais com “a deriva do PSD e menos com a composição do Parlamento“.

Depois do apoio à coligação Portugal à Frente e da defesa dos contratos de associação, será que a direita vai voltar a sair à rua nos próximos meses, ou este tipo de iniciativas são passageiras? Depois de alguns dirigentes terem confessado que esta seria a primeira manifestação em que participaram, será que ficaram com o “bichinho”? Os próximos meses certamente poderão dar um retrato mais abrangente.

Descomplicador:

A direita tem saído à rua em manifestações desde o final do ano passado. Primeiro em defesa da coligação Portugal à Frente, agora em defesa dos contratos de associação. Esta participação, pouco frequente, em protestos é para o comentador Pedro Marques Lopesprova de alguma falta de estratégia dos dois partidos da oposição, o que faz com que andem a reboque de movimentos sociais e não sejam eles a criar agenda” e para Mário Gonçalves, promotor de um dos protestos, a prova de que “a esquerda não tem o monopólio das ruas“.

Publicado por: Miguel Dias

Licenciado em Jornalismo pela Escola Superior de Comunicação Social. Assessor de comunicação numa federação desportiva, colabora com a imprensa regional na sua cidade, Almeirim e criou um conjunto de projectos temporários sobre politica local e nacional. Fundou ainda uma rádio regional e é comentador convidado de ténis da Eurosport.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *