Campanha anti-brexit ganha força

brexitO Reino Unido está a pouco mais de duas semanas de saber se continua ou não na União Europeia. As sondagens continuam a dar a vitória ao “Sim” com 51%, mas o “Não” está a ganhar força e conta cada vez com mais apoios.

JP Morgan, Morgan Stanley, Citigroup, e Goldman Sachs são os grupos financeiros que estão contra o brexit e por esse motivo doaram contribuições milionárias a favor da campanha do “Não”. O banco norte americano JP ameaça mesmo reduzir o número de funcionários caso o Reino Unido saia da comunidade europeia. “Se o Reino Unido abandonar a UE, não temos outro remédio senão reorganizar o nosso modelo de negócio, o que significa menos empregados do banco no Reino Unido e mais na Europa”, disse o CEO do banco, Jamie Dimon.

Vote Leave ou Vote Remain?

Os atores Jude Law, Keira Knightley e Benedict Cumberbatch são três das mais de 300 personalidades que subscreveram uma carta aberta a apelar à permanência da Grã-Bretanha na União Europeia.

Os assinantes da carta dizem que “deixar a Europa seria um salto para o desconhecido para milhões de pessoas espalhadas pelo Reino Unidodavid cameron que trabalham nas indústrias criativas e para milhões de outras que beneficiam do crescimento e vibração do setor cultural britânico”.

O primeiro-ministro britânico, David Cameron, voltou a reforçar o seu apoio ao “Sim” e afirmou que o “brexit seria uma bomba debaixo da economia” do país.

Do outro lado está o conservador Boris Johnson, a principal figura que apoia a saída britânica. Numa recente ação de campanha da plataforma “Vote Leave”, o antigo mayor de Londres acusou os “defensores da permanência” de recorrerem a argumentos económicos porque “entendem que têm vantagem nesse campo”. Ainda assim, admite uma desvalorização imediata da libra se o brexit acabar por acontecer mas acredita que“a longo prazo” o Reino Unido “terá um sucesso tremendo”.

Quais são as consequências do brexit?

O Reino Unido contribui anualmente com 25 mil milhões de euros para a União Europeia. Em sentido contrário, os britânicos usufruem de 12 mil milhões de euros anuais vindos dos fundos regionais e do cheque compensatório a que o país tem direito desde 1984, quando Margaret Thatcher – primeira-ministra de então – convenceu os parceiros europeus de que o governo britânico tinha de ser compensado pelas falhas da política agrícola comum.

A curto prazo, o Reino Unido sofria com o aumento descontrolado da inflação e dos custos do trabalho. Acompanhando o aumento galopante dos preços, chega a desvalorização de 15 a 20% da libra estrelina face ao euro.

Mas há mais. Segundo um estudo da Euler Hermes (empresa de seguros de crédito), o Produto Interno Bruto (PIB) britânico pode cair 4,3 pontos percentuais e as exportações podem vir a sofrer uma quebra de 23,5 mil milhões de euros. Quanto aos países da comunidade europeia, Holanda, Irlanda e Bélgica serão os mais afetados. Os irlandeses podem ser os mais penalizados com o PIB do país a poder ser penalizado em 0,9 pontos percentuais.

E Portugal? Entre 2017 e 2019 pode perder 300 milhões de euros em exportações. Ou seja, com a quebra do acordo comercial entre os dois países, o impacto negativo no PIB português pode chegar aos 0,3 %.

Em abril, a OCDE já tinha alertado para as consequências de uma eventual saída do Reino Unido da União Europeia. Se o brexit se confirmar, a organização prevê que até 2020 o impacto para a economia britânica seria de uma perda de 3% do PIB.

Descomplicador:

O Reino Unido vai referendar a sua permanência na União Europeia no próximo dia 23 de Junho. O referendo foi uma promessa eleitoral do atual primeiro-ministro, David Cameron, afirmando a necessidade de reforçar a presença britânica na união económica e monetária.

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Publicado por: Gonçalo Nuno Cabral

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