Extrema-direita austríaca quer anular eleições presidenciais

O partido de extrema-direita FPO (Partido da Liberdade da Áustria) quer anular o resultado das presidências de 22 de maio que deram a vitória ao atual chefe de estado, Alexander Van der Bellen.

13407627_1021208947928022_1384334753_nDepois de contados os votos, Van der Bellen venceu com 50,03% dos votos, mais 31 mil votos do que o candidato do partido nacionalista, Norbert Hofer. Uma reviravolta nos resultados, depois de Hofer ter vencido a primeira volta das eleições com 35%. Apesar de reconhecer a derrota, o FPO contestou a contagem final depois de contabilizados os votos por correspondência dos emigrantes.

A impugnação foi entregue esta quarta-feira no Tribunal Constitucional, que tem agora cerca de um mês para decidir se houve irregularidades na contagem dos votos.

“Se estas irregularidades forem confirmadas pelos peritos jurídicos então teremos uma responsabilidade em relação à democracia”, disse o líder do FPO, Heinz-Christian Strache, numa conferencia de imprensa dada esta quarta-feira. “Os votos por correspondência no seu formato actual devem ser abolidos. Não temos mau perder. Há fundamentos na democracia e no Estado de direito”, concluiu.

Há motivos para alarme?

Ao contrário do que aconteceu em França com a Frente Nacional (partido de extrema-direita francês), na Áustria, o sistema político nunca excluiu partidos nacionalistas como é o caso do FPO. “É um alívio ver que os austríacos rejeitaram o populismo e o extremismo. Toda a Europa deve retirar aqui lições”, escreveu no Twitter o primeiro-ministro, Manuel Valls.

O certo é que mais de metade dos eleitores austríacos confiaram o voto no partido de extrema-direita o que deixa os partidos “tradicionais” em alerta. Nem o candidato do Partido Social-Democrata (SPO), nem os conservadores do Partido do Povo (OVP) conseguiram chegar à segunda volta das eleições. O resultado eleitoral fez rolar cabeças no governo. O primeiro-ministro social-democrata , Werner Faymann, demitiu-se entre as duas voltas.

A crise dos refugiados foi a questão central da campanha eleitoral e que penalizou os partidos a favor da entrada de migrantes no país. Só no ano passado, houve 90 mil pedidos de asilo num país com 8,5 milhões de habitantes. Isto porque as sondagens revelam que a imigração é uma das maiores preocupações dos austríacos. Com um discurso assumidamente racista e xenófobo, o Partido da Liberdade captou os votos de 49,5% dos austríacos, apontando baterias para as Legislativas de 2018.

 

Descomplicador

 

O Partido da Liberdade austríaco foi derrotado na segunda volta das eleições presidenciais de 22 de maio depois de vencer a primeira volta. Menos de um mês depois, o FPO pediu ao Tribunal Constitucional a impugnação dos resultados eleitorais.

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Publicado por: Gonçalo Nuno Cabral

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