Brexit: o que se sabe até agora?

brexitGrande parte dos portugueses deve ter ido dormir com a ideia de que a vitória da permanência no referendo britânico era o resultado mais provável. As televisões e os jornais citavam sondagens que davam vantagem ao “Bremain”. O número de resultados divulgados era muito curto para se tentar perceber se as sondagens eram ou não certas. À uma da manhã, apenas tinham sido apurados resultados de 10 das 382 regiões que votaram.

Esta manhã, menos não terão sido os portugueses que acordaram espantados com a notícia de que o “Brexit” tinha vencido. Era impossível ignorar. Nas redes sociais, televisões, jornais online a notícia era a mesma. O Reino Unido votou e o Brexit venceu. 52% contra 48%. As notícias seguiam imparáveis. Cameron vai reagir. Cameron já reagiu. Cameron demitiu-se. Mais reações. Marcelo Rebelo de Sousa, Angela Merkel, Jean-Claude Juncker, António Costa.

Como é habitual em situações semelhantes, as notícias não paravam de cair e a informação não parava de se multiplicar. Era praticamente impossível estar a par de tudo. Afinal, o que aconteceu até agora

Vitória do Brexit

A primeira informação que deixou muitos em choque foi o resultado em si. 52% dos eleitores britânicos votou a favor da saída do Reino Unido da UE. 48% votou contra. Uma diferença de 4% que espelha bem a divisão existente neste momento no país.

O Reino Unido tem agora um período longo de negociações para efetivar a saída da União Europeia (UE). No máximo, dois anos para que os 28 passem a ser os 27. As negociações visam não apenas negociar os termos da saída mas também estabelecer novos acordos com os diferentes países que compõem a UE.

Demissão de David Cameron

Com os resultados conhecidos eram esperadas as reações. A mais aguardada era a de David Cameron. O primeiro-ministro britânico tinha apostado muito neste referendo e se a vitória poderia consagrá-lo a derrota podia fazê-lo david-cameroncair. Isso foi precisamente o que aconteceu. Na reação aos resultados, Cameron foi claro e conciso: “o país precisa de uma nova liderança para conduzir esse caminho, não penso que seria correto ser eu o comandante a guiar o navio até ao próximo destino”. Mas para que não restassem dúvida, acrescentou que “a negociação com a UE tem de começar com um novo primeiro-ministro”.

Apesar de ser expectável, a demissão do ainda primeiro-ministro britânico não deixa de ser uma das maiores consequências imediatas do resultado do referendo.

Reações no Reino Unido

Depois da reação e demissão de Cameron eram esperadas as palavras dos defensores do Brexit. O mais aguardado era Boris Johnson. O ex-mayor de Londres, que já é apontado por muitos como um dos possíveis sucessores de Cameron, foi uma das figuras maiores da campanha a favor da saída.

Mas enquanto Boris Johnson não falava, outras figuras iam reagindo. Sadiq Khan, atual mayor de Londres e defensor da permanência, garantiu que a capital está preparada para continuar “a ter o sucesso que tem hoje” apesar da decisão dos britânicos.

boris johnsonO diretor do Banco de Inglaterra pronto reagiu para acalmar os mercados, assegurando que o sistema financeiro é sólido e que está pronto para fazer face às adversidades que vão surgir após a vitória do Brexit

Boris Johnson reagiu já depois das onze da manhã. O ex-mayor de Londres olhou para o trabalho que tem de ser feito a partir de agora: “Nada vai mudar no curto prazo, a não ser o trabalho que será preciso começar a fazer”. E acrescentou: “Não é preciso apressar a saída”. Boris Johnson sublinhou ainda que o Reino Unido não deixará de ser europeu por ter saída da UE.

Também Nigel Farage, líder do partido independentista UKIP e outra das figuras da campanha pela saída, reagiu dizendo que “a União Europeia está a falir”, argumentado que depois dos resultados são já vários os países que também estão a ponderar uma saída da UE.

Reações em Portugal

Tanto o Primeiro-ministro como o Presidente da República reagiram ao longo da manhã. O primeiro a reagir foi Marcelo Rebelo de Sousa, que confessou estar triste com a decisão mas garantindo que irá seguir com “atenção o evoluir da situação” para “assegurar que Portugal não deixará de apoiar os lusodescendentes no Reino Unido””.

António Costa reagiu ao meio-dia considerando este “um dia triste para a Europa”, mas sublinhando o respeito pela decisão do povo britânico. O primeiro-ministro afirmou ainda que esta é uma oportunidade para “os 27 países da UE reafirmarem a sua vontade de prosseguir juntos, refletindo sobre o que significam estes resultados”.

Consequências económicas

Grande parte da estratégia da campanha pela permanência assentou em razões económicos. Cameron e os seus ministros evocaram por diversas vezes as consequências comerciais e a queda da bolsa como argumentos para tentarcameron resigns convencer os eleitores. Certo é que essas consequências, mais exageradas ou mais acertadas, acabaram por se sentir logo nesta sexta-feira.

A bolsa de Nasdaq registou a maior queda desde novembro de 2011. A libra atinge mínimos dos últimos 31 anos e várias bolsas europeias fecharam  a cair quase 10%. Os mercados começaram a reagir e Jean-Claude Juncker já veio dizer que espera que a saída da União Europeia seja feita o mais rapidamente possível. O presidente da Comissão Europeia já tinha avisado que “fora é fora” e que por isso não vale a pena atrasar o processo.

Para já, e com apenas algumas horas passadas, a bolsa reagiu mal e em queda ao resultado do referendo. Esta queda pode continuar a verificar-se nos próximos dias e há analistas que consideram que o Brexit pode ser um entrave para a recuperação económico que os estados europeus vinham registando nos últimos tempos.

Descomplicador:

O Brexit aconteceu mesmo. O Reino Unido vai deixar a União Europeia no prazo máximo de dois anos. David Cameron caiu. Os independentistas festejaram. As reações não param e até já há consequências económicas nos mercados europeus. O Panorama explica o que se sabe até ao momento sobre o Brexit e as suas consequências.

Publicado por: José Pedro Mozos

23 anos, natural de Lisboa. Aos dezasseis anos percebeu que a sua vocação era o jornalismo. Licenciado em jornalismo pela Escola Superior de Comunicação Social e pós graduado em Jornalismo Multiplataforma pela FCSH – Universidade Nova de Lisboa. Entre março de 2016 e junho de 2017 passou pela SIC Notícias. Faz parte da editoria de política da Revista VISÃO desde julho de 2017. Acredita no jornalismo como sendo um dos pilares de qualquer democracia. Atualmente, faz parte do Conselho Editorial do Panorama.

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