O Brexit venceu. Quais as consequências?

united kingdom exit from europe relative image

O dia 23 de junho de 2016 fica para a história do Reino Unido e da União Europeia (UE). Os britânicos votaram e 51,9% escolheram a saída da comunidade europeia. E agora? Para já, as consequências não serão visíveis. No imediato, o Reino Unido vai continuar a participar normalmente no Conselho Europeu e a sua participação não será beliscada.

Artigo 50 do Tratado de Lisboa

A partir de hoje este artigo vai ser invocado. Porquê? Ele consagra a possibilidade de qualquer estado-membro da União de sair de forma voluntária e unilateral. Ainda assim, a decisão não será imediata. O artigo prevê um prazo de dois anos para a negociação da saída.

Mas já há quem diga que o processo pode demorar mais do que o previsto. O presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, já avisou que a saída da do Reino Unido da UE será um “processo moroso”. Isto é, uma saída que poderá levar sete anos entre o tempo necessário para romper os laços com a União e aquele que é preciso para negociar com os 27 Estados-membros individualmente.

O que pode e vai mudar

A partir de hoje nada será com dantes. A primeira consequência prevista aconteceu hoje: a demissão do primeiro-ministro britânico, David Cameron. O sucessor mais provável será o ex-presidente da câmara de Londres e apoiante da saída do Reino Unido da UE, Boris Johnson. A Irlanda do Norte passa a ficar “isolada” na ilha que partilha com a República da Irlanda, membro da UE. Quanto à Escócia, a primeira-ministra, Nicola Sturgeon, já admitiu voltar a convocar uma consulta popular sobre a independência da Escócia .

A instabilidade económica e financeira é a mais temida por todos. Como previsto, a libra estrelina está no valor mais baixo desde 1985. O Banco de Inglaterra já anunciou que vai “tomar todas as medidas necessárias para manter a estabilidade monetária e financeira”. A inflação deverá chegar aos 5% acompanhada com um aumento das taxas de juros dos custos da mão de obra. Quanto ao crescimento da economia, vai sofrer uma queda entre 1 e 1,5%.

Mas não será só a economia britânica a ser afetada. O Produto Interno Bruto (PIB) português deve perder 400 milhões de euros (0,2% da riqueza). Com a desvalorização do da libra, o comercio bilateral será afetado bem como a industria automóvel. Só a AutoEuropa vente 12% da sua produção para a Grã-Bretanha. Quanto ao investimento, no curto prazo, prevê-se uma quebra que pode ascender aos 100 milhões de euros.

Os imigrantes no país também podem sofrer com o “brexit” e principalmente os portugueses. No Reino Unido há cerca de 200 mil portugueses a trabalhar ou beneficiários dos apoios sociais britânicos. Prevê-se um endurecimento da política da imigração com a criação de um novo sistema em que a permissão de residência seja concedida de acordo com as qualificações do solicitante.

O Reino Unido é o principal destino da emigração portuguesa e esta pode vir a ser afetada pela recente decisão dos britânicos. Entretanto, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, lamentou a decisão mas disse que os interesses das comunidades portuguesas serão “defendidos e protegidos”.

No imediato, David Cameron mantém-se como chefe do governo por mais três meses e vai liderar o inicio do processo de transição da saída do Reino Unido da comunidade europeia. Em Outubro há congresso no partido conservador e será eleito um novo líder que será candidato a liderar uma nova Grã-Bretanha.

Descomplicador

51,9% dos britânicos votaram a saída do Reino Unido da comunidade europeia. Seguem-se dois anos de negociações com a União para uma separação entre a comunidade e o Reino Unido.

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Publicado por: Gonçalo Nuno Cabral

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