Em Bruxelas a “Geringonça” é outra: Costa defende o trabalho do último executivo

A “gerigonça” em Bruxelas parece ser outra. António Costa, à chegada ao Conselho Europeu, voltou a defender Portugal contra possíveis sanções da União Europeia. E até defendeu o trabalho do último executivo de Pedro Passos Coelho e de Paulo Portas.

António CostaO primeiro-ministro não percebe acusação de falta de empenho na consolidação orçamental pelo último governo. Até ele, “absolutamente insuspeito”, se sente chocado. “É injusto para o anterior governo e seria completamente disparatado”.

A direita ouviu, gostou e aplaudiu. Todos os partidos estão juntos nesta luta. Em declarações ao Diário de Notícias, Assunção Cristas mostrou-se feliz por António Costa ter defendido “o resultado do governo anterior”. Para a líder do CDS-PP, “estas declarações parecem-me um primeiro passo para que se bata por isso”, uma vez que até à data não se tenham visto declarações de “empenho” por parte do governo português”.

O chefe do executivo português, defendeu que caso haja sanções que isso “seria um péssimo sinal”. Com António Costa a afirmar que tal significaria que a Comissão Europeia “não perceberia o que se está a passar na Europa”. Para o primeiro-ministro o ‘Brexit’, o clima de terror e de ameaças terroristas e a crise do mediterrâneo, que tem colocado em constante desafio o projecto europeu, são tópicos prioritários.

As décimas e percentagens

Assunção CristasPara o primeiro-ministro português é “absolutamente ridículo estarmos a discutir 0,2% da execução orçamental do anterior governo. Para mais num ano em que, mesmo nas piores previsões da Comissão Europeia, é garantido que cumpriremos um défice abaixo dos 3%”. Mas Assunção Cristas acha que esta é uma discussão que deve existir, e que Costa deveria ter tido uma postura menos passiva em relação a estes números. “[O primeiro-ministro] aceitou de forma acrítica que se fale, de repente, em 3,2% de défice”. Isto quando o relatório do Eurostat, o gabinete de estatísticas da UE, admite que sem os apoios, “de última hora”, à banca o desequilíbrio nas contas públicas teria sido de 2,8%; ou seja, abaixo dos 3% permitidos.  Cristas afirma que António Costa “tem as ferramentas ao seu dispor para justificar e exigir, do ponto de vista técnico e político, que o défice do ano passado seja fixado abaixo dos 3%”.

Por seu lado, Passos Coelho defende que o governo não deve pedinchar nada a Bruxelas, colmatando com o exemplo de França: “No dia em que for alvo de sanções, outros terão de ser, a começar pela França. Não vejo razão nos resultados dos últimos anos, mesmo em 2015, para que haja sanções, mesmo que fosse com pena suspensa.” Para o líder do PSD, as injecções de capitais no Banif são a razão pela qual Portugal não saiu neste ano do procedimento por défices excessivos. Dado este cenário seria “incompreensível” e “uma vergonha” que Portugal sofra sanções económicas, mesmo sendo estas simbólicas.

Descomplicador:

A geringonça em Bruxelas parece ser outra. A luta contra a ameaça de sanções a Portugal, por parte da EU, tem unido os partidos do arco da governação. À entrada do Conselho Europeu, o primeiro-ministro defendeu o trabalho do executivo de Passos Coelho e Paulo Portas. Assunção Cristas e Passos gostaram e voltaram a defender que estas sanções não fariam sentido.

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Publicado por: Tomás Gomes

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