Figuras pró-Brexit afastam-se das posições de liderança

Depois da surpreendente vitória do Brexit, alguns dos principais nomes da campanha a favor da saída do Reino Unido da União Europeia, começam a afastar-se de posições de liderança, surpreendendo assim os seus seguidores e gerando criticas por parte dos seus opositores. Depois de Boris Johnson, hoje foi a vez de Nigel Farage anunciar a sua demissão do UKIP.

Boris JohnsonUma semana depois do referendo, Boris Johnson anunciou que não avançaria para a liderança dos Conservadores (Tories), decisão para a qual contribuiu a candidatura de Michael Gove, que depois de ter sido o seu principal aliado disse que Johnson não tem “as características necessárias para liderar”. Gove justificou em comunicado à The Spectator, que apesar de nunca ter tido intenções de liderar os Conservadores, “os acontecimentos desde a passada quinta-feira tiveram um forte impacto em mim”.

Com esta decisão de Michael Gove, vários membros dos Tories, anunciaram estar ao lado de Gove, deixando assim de apoiar Boris Johnson, que ficou limitado naquilo que seria a sua base de apoio. Com esta reviravolta, Theresa May, membro do executivo britânico, poderá sair a ganhar, aproveitando a franja de apoiantes de Johnson que não se revêem em Gove.

Cartaz Brexit Nigel FarageHoje, dias depois do afastamento de Boris Johnson da candidatura aos Conservadores, foi a vez de Nigel Farage, líder do UKIP, o partido independentista, anunciar a sua demissão do cargo, devido ao desgaste dos últimos anos. “Quero a minha vida de volta”, foi a justificação que Farage deu esta manhã na intervenção em que anunciou a sua saída.

“Sinto que fiz a minha parte”, disse um Nigel Farage orgulhoso do trabalho do seu partido, acrescentando que sem o UKIP “o resultado não teria sido este”. Farage prometeu ainda que não vai mudar de opinião novamente, explicando ainda que saiu do mundo empresarial para a politica para que o Reino Unido se transformasse numa “nação que se governa a si própria e não para fazer uma carreira de político”. Nigel Farage liderava o UKIP desde 2006 e apesar de se ter demitido em 2015 após ter falhado a eleição para o Parlamento britânico, mas acabou por se manter até agora.

Entretanto nos Trabalhistas (Labour), Jeremy Corbyn mantêm-se na liderança, apesar das inúmeras tentativas de vários parlamentares britânicos para o afastar da liderança. Depois da vitória do Brexit, Corbyn tem vindo a enfrentar uma escalada de contestação, não só dentro do seu partido como também a nível parlamentar, com David Cameron a dizer numa intervenção no Parlamento: “Pelo amor de Deus homem, vá-se embora”.

Descomplicador:

A politica britânica continua a surpreender dia após dia. Depois de Boris Johnson se ter afastado da liderança dos Conservadores, devido à candidatura de Michael Gove, hoje foi a vez de Nigel Farage do UKIP anunciar a sua demissão da liderança do partido independentista.

Publicado por: Miguel Dias

Licenciado em Jornalismo pela Escola Superior de Comunicação Social. Assessor de comunicação numa federação desportiva, colabora com a imprensa regional na sua cidade, Almeirim e criou um conjunto de projectos temporários sobre politica local e nacional. Fundou ainda uma rádio regional e é comentador convidado de ténis da Eurosport.

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