O onze do Governo ou os ministros da Selecção Nacional?

Portugal Euro2016Portugal venceu o Campeonato Europeu de Futebol e o país saiu à rua para festejar o enorme feito dos 23 heróis nacionais. Marcelo Rebelo de Sousa recebeu-os no Palácio de Belém, sob o olhar atento do Primeiro-Ministro, do presidente da Assembleia da República e dos líderes dos partidos com assento parlamentar, à excepção de Passos Coelho que se fez representar.

Num momento histórico, também o Panorama tem que confessar: não podemos ficar fora da festa. Assim, num exercício de comparação, atribuímos a cada jogador da Selecção Nacional um ministério, ou a cada ministro um jogador da Selecção Nacional. Será que existem pontos em comum?

Rui Patrício – Ministério da Defesa Nacional

Rui PatricioEsta é fácil. O guarda-redes da Selecção Nacional mostrou ao longo do torneio e principalmente da final ser uma muralha difícil de ultrapassar. Assim é fácil atribuir o Ministério da Defesa, tendo em conta que com Patrício na baliza, poucos são os tiros que entram em território luso.

Pepe – Ministério da Administração Interna

E se Rui Patrício fica com o Ministério da Defesa, Pepe devia ser o seu principal Secretário de Estado. Ainda assim, um dos bastiões da defesa portuguesa pode ficar com o Ministério da Administração Interna. É que Pepe foi um garante de segurança e só devido a ele, Portugal não passou por mais aflições.

José Fonte – Ministério da Saúde

Chamado depois de uma indisponibilidade física de Ricardo Carvalho, José Fonte mostrou estar em boa forma e deu conta do recado, revelando uma disponibilidade física tremenda especialmente na fase final do torneio em que Pepe teve que ser substituído por Bruno Alves e Ricardo Carvalho não voltou a estar 100% disponível.

Raphael Guerreiro – Ministério dos Negócios Estrangeiros

O jovem lateral da Selecção Nacional fala melhor francês do que português. Guerreiro foi uma das maiores surpresas desta equipa vencedora, e tendo em conta que nasceu em França, os Negócios Estrangeiros ficam-lhe bem entregues, com mais destaque para a pasta das Comunidades. A par disso, Raphael Guerreiro mostrou ainda boas capacidades diplomáticas, já que em pouco mais de um mês, passou de praticamente desconhecido a (merecido) comendador nacional.

Cédric Soares – Ministro Adjunto

Este não foi atribuído tanto pelo simbolismo do ministério mas pelo papel do seu protagonista. Cédric Soares desempenhou no Euro 2016 um papel semelhante ao de Eduardo Cabrita no governo. De forma discreta procurou não falhar, garantindo assim que não é a conta dele que Portugal passa por dificuldades.

William Carvalho – Ministério da Economia

William CarvalhoO trinco da Selecção Nacional tem que dar uns toques nas contas visto que para Portugal foi necessário pegar na calculadora para passar a fase de grupos, mas o ministério não lhe foi atribuído por isto. É que William Carvalho sabe gerir bem os recursos e assim, mesmo acusado de andar a passo durante a partida, gere bem o jogo e liberta os colegas de equipa de corrigir as suas tarefas, chegando ao final dos 120 minutos em condições de dar ainda mais.

João Mário – Ministro da Cultura

O extremo da equipa portuguesa não brilhou neste Euro tanto como era esperado, mas também não complicou. Num ministério que nem sempre tem as disponibilidades que são necessárias, também João Mário não teve a melhor estratégia para o seu jogo e assim jogou simples, sem complicar, ajudando a construir muitas das manobras ofensivas da equipa.

Adrien Silva – Ministério do Trabalho e da Solidariedade

O centro-campista português foi um dos mais trabalhadores da equipa. Contra a Croácia “secou” Luka Modric e contra o País de Gales, Joe Allen. Sempre disponível para dar uma “mãozinha” aos colegas, Adrien Silva acabou por ser quase sempre substituído devido ao cansaço, pois trabalho foi coisa que não lhe faltou em França.

Renato Sanches – Ministério da Modernização Administrativa

Renato SanchesO jovem de 18 anos não foi titular até aos Oitavos-de-Final, mas sempre que entrou modernizou o jogo da equipa e deu sangue novo à Selecção portuguesa. A partir dos Quartos-de-Final, em que foi titular, deu continuidade à surpresa que tem vindo a ser e até chegou a marcar. É dele que se espera a renovação de Portugal.

Nani – Ministério do Planeamento e das Infraestruturas

Foi por Nani que passou grande parte do jogo português, especialmente a nível ofensivo. E quando a equipa pedia mais do que planos era também o jogador recentemente transferido para o Valência que era chamado a executar. Nani deu bons sinais neste Euro 2016 que a experiência ajuda numa competição onde a estratégia é chave.

Cristiano Ronaldo – Primeiro-Ministro

RonaldoEsta era outra nomeação que era fácil. Para além de capitão da equipa, Cristiano Ronaldo é a cara da Selecção Nacional e provou na final que mesmo quando o problema não é de uma pasta que lhe está atribuída ele não se coíbe de dar indicações e de ajudar. O seu trabalho no banco depois de ter sido substituído foi prova disso.

Ricardo Quaresma – Ministério das Finanças

Um dos suplentes do jogo decisivo foi Quaresma. Entrou mais cedo do que o costume, mas cumpriu bem o seu papel. Tal como nos jogos anteriores foi poupado para os momentos decisivos e quando foi preciso somar, somou. Contra a Croácia marcou o tento decisivo e contra a Polónia o penalty que deu a Portugal a passagem à próxima fase. O método de poupança de Quaresma revelou ser acertado e fiável.

João Moutinho – Ministério da Agricultura e do Desenvolvimento Rural

Não foi por ter sido apelidado de “maçã podre” quando saiu do Sporting, mas sim pelas semelhanças com Capoulas Santos. Moutinho foi já o patrão do meio-campo da selecção e no Euro 2016 foi chamado novamente a esse lugar, revelando mais uma vez a importância da sua experiência, especialmente nos minutos finais contra a França.

Éder – Ministro da Justiça

Esta também é óbvia. Éder entrou aos 79 minutos e aos 109 repôs a justiça em tudo. A um país que perseguia o sonho há anos, a uma equipa que já nos tinha vencido inúmeras vezes e nem sempre da forma mais limpa, a um Ronaldo que foi “encostado” logo no inicio e até a ele próprio ao revelar a Portugal que afinal sabe marcar, e bem.

Descomplicador:

O Panorama junta-se à festa da Selecção Nacional no Euro 2016 e atribui a cada jogador um ministério, ou a cada ministério um dos heróis da equipa nacional. Afinal que parte corresponde aos jogadores e que parte corresponde aos ministérios/ministros?

Publicado por: Miguel Dias

Licenciado em Jornalismo pela Escola Superior de Comunicação Social. Assessor de comunicação numa federação desportiva, colabora com a imprensa regional na sua cidade, Almeirim e criou um conjunto de projectos temporários sobre politica local e nacional. Fundou ainda uma rádio regional e é comentador convidado de ténis da Eurosport.

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