A novela do cancelamento das sanções: o que se disse antes e depois

Foi uma novela que se arrastou sem fim aparente até esta quarta-feira, quando após uma reunião tensa a Comissão Europeia finalmente anunciou que não vai aplicar sanções a Portugal devido ao défice excessivo. Depois do anúncio da decisão, todos os partidos tiveram a sua palavra a dizer – mas enquanto a Comissão Europeia se decidia, os nossos políticos ainda falaram mais.

Recordamos aqui, agora que sabemos que a multa foi cancelada, o que cada partido disse antes e depois de conhecer a decisão final:

PSD

Maria Luis AlbuquerqueAntes: No início de junho, Maria Luís Albuquerque atacou o atual executivo defendendo que se ainda fosse ministra “não haveria sanções” e afirmando que o Governo de Costa não transmitia confiança às instituições europeias.

Depois: O deputado social-democrata Miguel Morgado defendeu que esta quarta-feira foi “um dia bom para Portugal na medida em que imperou o bom senso”, mas aproveitou para lembrar que essa característica nem sempre esteve presente na discussão: “As instituições europeias, também temos de o dizer, não foram exatamente marcadas pela razoabilidade e por esse bom senso que agora, finalmente, imperou”.

PS

Antes: Em resposta às declarações da antiga ministra das Finanças, o deputado socialista João Galamba considerou que “a questão das sanções põe-se exatamente por causa de Maria Luís Albuquerque ter sido ministra”, enfatizando que a discussão incidia o período 2013-15, nomeadamente o défice de 2015.

Depois: Ao conhecer a decisão da Comissão Europeia, e de novo pela voz de João Galamba, o PS considerou que o cancelamento das multas é uma “tripla derrota” para os que quiseram explorar a questão e apelar a “planos B” de austeridade. “Percebo que haja pessoas que queiram insistir na manutenção de um clima de dramatização injustificada, mas essa talvez não seja a atitude mais prudente”, reforçou Galamba.

BE

Catarina MartinsAntes: Enterrar, rejeitar, negar: estas foram as palavras de ordem do Bloco de Esquerda durante todo o processo de decisão, que considerou “ilegítimo”. Se a líder, Catarina Martins, começou por desejar que “num Conselho Europeu ou numa conferência intergovernamental se enterrasse de vez o Tratado Orçamental”, depressa expressou a vontade de realizar um referendo “para não deixar que o Tratado Orçamental seja o tratado das sanções para sempre”.

Depois: Mantendo a posição inicial, o partido mostrou-se cauteloso na reação ao cancelamento das multas. “A decisão da Comissão Europeia é a derrota de todos aqueles que em Portugal e na Europa tudo fizeram para que o país fosse alvo de sanções. Vale a Pena lutar por Portugal na União Europeia”, frisou Pedro Filipe Soares, acrescentando que “ainda falta vencermos a batalha, porque teremos em setembro um debate difícil sobre a possibilidade de suspensão de fundos comunitários”.

PCP

Antes: Apesar de repudiar “qualquer possibilidade de aplicação de medidas de chantagem económica e extorsão a Portugal, seja sob a forma de “sanções”, ilegítimas e atentatórias do interesse e soberania nacionais(…)”, o partido discordou das intenções do Bloco de Esquerda de avançar com um referendo.

Depois: O PCP recusou cantar vitória e pela voz do deputado João Oliveira lembrou que “não se pode considerar, de forma alguma, uma vitória a inexistência de uma expressão financeira desta sanção porque, na prática, o que confirma é uma decisão de punição sobre o país e condicionamento da soberania que não podemos aceitar”.

CDS

Antes: Também a outra metade do anterior executivo argumentou que o atual Governo não fez os possíveis para evitar as sanções. “Na nossa perspetiva, havia argumento técnico e político para defender um défice na ordem dos 3% e não acima. O Governo, por inabilidade, por ter chegado tarde à matéria ou não estar interessado politicamente nisso mesmo, não foi capaz ou não quis fazer essa defesa”, defendeu então Assunção Cristas.

Depois: Alinhando no discurso do PSD, a deputada centrista Cecília Meireles considerou que houve “bom senso” na decisão da Comissão Europeia mas não aliviou a pressão sobre o atual Governo: “Agora vale a pena olhar para o futuro e perceber que é importante o Governo manter definitivamente Portugal fora deste radar das sanções”.

Descomplicador:

Os partidos falaram muito sobre as sanções, fosse para manter posições, alinhar discursos ou trocar acusações de culpa. O Panorama reúne as principais declarações antes e depois do anúncio sobre o cancelamento das multas.

Publicado por: Mariana Lima Cunha

21 anos, natural de Oeiras. Licenciada em Jornalismo pela Escola Superior de Comunicação Social e pós-graduada em Comunicação e Marketing Político pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas. Jornalista online do Expresso

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