Presidente turco manda prender antigos jornalistas

As detenções na Turquia continuam a um ritmo acelerado e desta feita os visados foram antigos jornalistas do diário Zaman. Depois de em Março ter sido nacionalizado, o jornal foi alvo de uma “limpeza”.

Este não foi o primeiro mandado de captura feito aos trabalhadores do jornal. Já antes, 42 jornalistas e colunistas tinham sido presos por ordem da justiça turca. Todos são acusados de pertencerem ao movimento de Fethullah Gulen, o homem suspeito de estar por trás do golpe.

ErdoganA dúvida que paira no ar é sobre a veracidade das detenções. Muitos dos visados pelo mandado de captura já foram vistos a chegar a casa depois de as autoridades turcas revistarem as residências em busca de provas que sustentem a acusação.

Os jornalistas detidos faziam parte de um jornal que se manifestava contra a presidência de Erdogan e da atuação do AKP (Partido da Justiça e do Desenvolvimento) e foram agora o alvo das purgas políticas levadas a cabo pelo regime turco.

Silenciamento dos opositores?

A grande questão que se colocou a partir do golpe falhado de 15 de julho foi o aproveitamento politico de Erdogan. Desde então mais de 50 mil pessoas já foram detidas por estarem, aparentemente, ligados ao movimento que liderou o golpe.

Mas vamos aos números. Depois de demitir 6 mil militares poucas hora depois do golpe, Erdogan já suspendeu mais de 15 mil funcionários do Ministério da Educação. As universidades também não escaparam à vaga de demissões: mais de 1500 reitores das universidades públicas. Num plano mais próximo, o Presidente afastou mais de 200 funcionários do gabinete do primeiro-ministro.

No que toca aos meios de comunicação o saldo é ainda mais negro. Foram encerrados 45 jornais e 16 canais de televisão. Antes disso, três agências noticiosas tinham recebido ordem de fecho, juntamente com 23 estações de rádio.

As autoridades de Ancara rejeitam qualquer acusação de silenciamento e afirmam que estão apenas a investigar todos aqueles que possam estar ligados ao golpe militar. O que é certo é que o suposto líder do golpe, Fethullah Gulen, está a tornar-se no bode expiatório para todas as ações levadas a cabo pela justiça da Turquia.

Nos próximos três meses a Turquia estará com o estado de emergência ativado por ordem de Erdogan. A justificação, diz o Presidente, prende-se com a necessidade de “erradicar rapidamente todos aqueles que estiveram envolvidos na tentativa de golpe de estado”.

Descomplicador

A Turquia foi alvo de uma tentativa falhada de golpe de estado no passado dia 15 de julho. As forças leais ao Presidente turco conseguiram estancar o movimento militar que pretendia tomar o poder e a partir daí estão a levar uma série de detenções e demissões em vários setores da sociedade civil.

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Publicado por: Gonçalo Nuno Cabral

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